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terça-feira, 1 de maio de 2012

UMA CANTIGA DE TRABALHO




Celebrar quem trabalha e o modo como o faz (ou fazia) é a minha forma de prestar homenagem a quem, com o seu suor, soube construir o nosso País.



CANTIGA DA SEGADA para cantar à hora do jantar, que é o meio-dia, tal e qual como o meu pai ma ensinou.





.................O LAVRADOR DA ARADA

.................Ó ditosa do lavrador que da sua arada vinha
.................Com o seu jugo às costas, a cavalo na burrinha.

.................Lá no meio do caminho encontrou um pobrezinho:
.................- "Lavrador, levas-me na tua burrinha?"

.................O lavrador se desceu e o pobrezinho subia,
.................levou-o para sua casa, para a melhor sala que havia.

.................Mandou-lhe fazer a ceia do melhor manjar que havia,
.................de galinhas e capões que outra coisa não havia.

.................Sentaram-se os dois à mesa, mas o pobre não comia:
.................os suspiros eram tantos que até a mesa tremia.

.................Mandou-lhe fazer a cama da melhor roupa que havia:
.................por baixo lençóis de seda, por cima lindas cortinas.

.................Lá pelo meio da noite, o pobrezinho gemia;
.................o lavrador se levantou, a ver o que o pobre tinha.

.................Encontrou-o crucificado numa cruz de prata fina
................- "Ai meu Deus, ai quem soubera quem em minha casa tinha!"

.................- "Cala-te aí, lavrador, que em tua casa falta nenhũa havia,
.................No Céu te estarão guardadas três cadeiras de fantasia:

.................Uma para ti, lavrador; outra para a tua família;
.................Outra para a tua criada, que ela também a merecia!"