segunda-feira, 26 de abril de 2010

DITOS DO POVO


ABRIL

Em Abril espigas mil.

Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.

Abril auguinhas mil, peneiradinhas por um mandil.

Em Abril já vai o tolo onde há-de ir e vem a dormir ao seu covil.

Em Abril queima a velha o carro e o carril.

No princípio ou no fim, costuma Abril a ser ruim.

Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.

Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.

Não há mês mais irritado do que Abril zangado.


Não foi grande a colheita para Abril, (embora se tenha composto mais um bocadinho) mas ela aqui fica à disposição de todos.
A fotografia foi o melhor que achei para ilustrar Abril, embora seja de Maio. Já agora: onde foi tirada?

A Olímpia tem razão: a fotografia foi tirada naquele úbere belo e farto que é o vale de Arufe.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pascoelas…Putos…Rebordainhos

Por
...........abcd


Passam como que envergonhados pelas ruas onde outrora correram…

Olham, perdidos, para os putos desconhecidos que percorrem as ruas gritando, pontapeando a bola como se pontapeassem a tristeza. Porque, afinal, é desta que todos tentamos fugir quando visitamos Rebordainhos. Quem nos dera termos essa capacidade de pontapear bolas para bem longe, mas não… esta bola que teima colar-se ao pé é algo que nunca conseguiremos chutar. É como se estivesse fundida com a nossa carne, pesando-nos cada vez mais, enchendo com os dias que passam e trazem novos putos à aldeia, atulhando-se com as lembranças constantes que nos invadem à medida que caminhamos e vemos esses putos que não nos conhecem e têm a ousadia de brincar com a nossa aldeia… a minha aldeia! A aldeia que fez crostas na pele inocente que tinha, a aldeia que molhou os cabelos que esvoaçavam pelo campo de futebol, a aldeia que escondeu com o seu manto o primeiro beijo, a aldeia que trouxe amigos não comerciais, a aldeia onde saboreei vitórias e derrotas comuns em miúdos e adolescentes que adoram brincar sem limites geográficos ou raciais.

Essa mesma aldeia é agora deles, desses putos de Lisboa, Porto e Bragança que, nesses quinze dias de férias, a carregam com gritos e dores, obrigando a velha aldeia a mais um esforço na sua incansável obra de formar homens e mulheres duros como o vento serrano e sensíveis como as pascoelas que dão cor aos caminhos transmontanos.

Gozem-na, aproveitem-na, devorem-na, pois serão momentos irrepetíveis que, um dia mais tarde, quando tiverem a infelicidade de pensar muito e, se se derem ao trabalho de ter saudades, então, essa aldeia mágica deixará de existir e dela restará, apenas, a lembrança nas nossas mentes e a constante presença de putos que nos farão ciúmes por terem encontrado o santo graal da aldeia transmontana – talvez a única e verdadeira e velha aldeia a que chamam Rebordainhos.

sábado, 17 de abril de 2010

INICIATIVAS

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Antes da Páscoa, o Sr. Américo, que faz o favor de nos honrar com a sua colaboração, escreveu-me um e-mail a sugerir uma iniciativa que me pareceu muito interessante (a Olímpia lembrou-me que o João já falara em organizar-se algo semelhante, pelo que a iniciativa do Sr. Américo me agradou ainda mais). Diz ele:

Hoje resolvi dar-lhe conhecimento de um passeio com destino a FÁTIMA e, ao mesmo tempo, pedir-lhe a sua ajuda, caso lhe agrade e queira apoiar a ideia. Ora veja, se no blog de Rebordainhos nos juntamos como comentadores, porque não um encontro anual em local determinado e aí conversarmos pessoalmente?

Faço parte de um grupo que pelo 3.º ano consecutivo nos reunimos em FÁTIMA para um convívio, que não é mais que um encontro de amizades. Ao mesmo tempo que saboreamos uma pequena merenda, pomos as conversas em dia. Optámos por este sistema simples, que de outra forma nunca surtiu tanto efeito. Trata-se de uma anuência voluntária e bem aceite por quantos já participaram. FÁTIMA é, para os portugueses, um bem conhecido local de referência, especialmente privilegiado para realizar encontros de família e amigos. Dotado de boas acessibilidades, basta juntar a boa vontade e tudo é possível. Com um mútuo acordo podemos anualmente organizar um passeio que passará a ser agradável para todos.

Não se trata de inscrições nem qualquer formalidade, basta fazer uma merenda, rumo a FÁTIMA, no dia previamente combinado (em princípio no 1º. sábado de Junho) e aí terá lugar uma confraternização anual.

Então, que me diz da ideia que acabo de lhe propor? Este ano o encontro será no dia 5 de Junho, sábado. No caso de concordar, passe esta mensagem para o blog e verá que este ano já seremos umas dezenas. É assim que as coisas começam. Divulga-se uma ideia que seja viável e acessível e depois é só esperar pelos acontecimentos.

Fátima, eu limito-me a transmitir-lhe uma proposta que me parece bastante aliciante porque a capacidade de mobilização está consigo através do blog que dirige. Gostaria de encontrar-se um dia com tanta gente com quem se relaciona pelo blog? Tem outra ideia melhor ou esta com outros
detalhes? Aguardo notícias suas
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O Filinto escreveu-me a lembrar que, no passado dia 13, se realizaram as eleições para a Ordem dos Psicólogos. Depois de a sua criação ter sido aprovada em 2005 pela Assembleia da República (ao fim de uma "guerra de três anos conduzida pela associação Pró-Ordem) está, agora, tudo pronto para que essa agremiação profissional possa desenvolver as actividades que lhe são inerentes. Certamente, a redacção de um código deontológico será uma das primeiras e mais importantes iniciativas. Os psicólogos estão de parabéns, sobretudo porque começava a urgir a separação do trigo do joio. Ao Filinto Martins, à Olga Pais e a todos os psicólogos (sobretudo outros de Rebordaínhos que já existam ou possam vir a existir, como é o caso da Cecília Pereira), os nossos parabéns.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Desafio 2



Agora que o desafio da Augusta foi desvendado e depois das pedras que tal um carabelho...
Num passeio pelo aldeia encontrei este.

Quem adivinha a que casa pertence?









"Não fechei aporta com a chave. Ficou só com o carabelho."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Desafio

Bem, agora que a Páscoa e a Pascoela já passaram, apeteceu-me lançar um desafio.


Quem adivinha onde pertence esta pedra?

Prometo completar depois.





Augusta

Aqui vai uma ajuda. Este é o outro lado da mesma pedra.
Mais fácil?
Amanhã direi o resto

SOLUÇÃO


O prometido é devido.

Assim, aqui estou para avançar com a solução para o desafio. Antes porém, mais uma questão?
Reconhecem esta paisagem? Estou certa que todos reconhecem casas e lugares, nomeadamente a "cabeça". Já o local de onde foi tirada esta perspectiva, é provável que não seja do domínio de todos.

É verdade, sim senhor. Trata-se de uma pedra da casa d'além da tia Maria.

É a parte exterior de uma "banca" (???) de escorrer as águas utilizadas na cozinha desta velha casa. A segunda fotografia mostra precisamente essa pia existente no que ainda resta dessa antiga cozinha.

Bem, mas para que não fiquem muito tristes, tenho a confessar que eu só a vi, porque foi a própria dona que ma mostrou. Valeu ter a máquina fotográfica comigo!

Augusta


sábado, 10 de abril de 2010

Pascoela


Agora que há registo fotográfico, aqui deixo alguns pormenores dos arranjos florais da Páscoa.

Não estão uma beleza?

Quanto à Pascoela, se houver novidades... Só amanhã! Há que aguardar.

Augusta

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Creio que se justifica a publicação de mais estas duas fotografias: a do círio pascal (tão bonito!) e a vista geral do altar-mor, para que se perceba como tudo ficou harmonioso

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DESCOBERTAS


MINHA AVÓ

Sou Brasileiro, tenho 42 anos de idade e sou neto de Portugueses.
Meu avô paterno era do litoral e morreu em 1974, mas minha avó, que era de Rebordainhos, viveu até 2006.

Quando era criança, morei com minha avó até os 11 anos, e era fascinado por sua Terra natal. Infelizmente muitas histórias que ela contava eu não guardei em minha memória, e se nenhum outro descendente as guardou, foram embora deste mundo com ela.

Moro na cidade de Jaú, Estado de São Paulo, e aqui é muito quente, e me lembro que, quando o sol era escaldante e o calor insuportável, ouvíamos as histórias do inverno rigoroso, da neve, e da família toda reunida compartilhando alegria e calor.
Ouvíamos as histórias e dizíamos que eram românticas e contadas de uma forma que não seria a real, já que ela saiu dessa Terra com pouco mais de 10 anos de idade, porém, ao ver as fotos do Blog, pareceram-me idênticas as imagens que ela descrevia.

Na minha infância ouvia muito sobre as brincadeiras com os irmãos, todos já falecidos, as traquinagens, o professor que era severo demais, e os castigos físicos que os alunos recebiam caso não se comportassem bem nas aulas, além das caças, dos lobos, e das castanhas.

Minha mãe era apaixonada por Portugal, tanto que um dia plantou algumas castanheiras no sitio que era proprietária, deixando minha avó feliz como criança, quando as árvores começaram a produzir.

Minha Avó se chamava Arlinda Aurora Alves era filha de Augusto Anibal Alves e de Maria da Assunção Martins.
A mãe dela era filha de Luciano José Martins e de Maria do Rosário Lino.
O Pai dela era filho de Agostinho Cândido Alves e de Clotilde dos Prazeres Pereira, e neto paterno de Bento Alves e Maria das Neves, e neto materno de Francisco dos Santos Pereira e Maria Monica.

Caso alguém os tenha conhecido, gostaria que comentassem a respeito, ou que postassem fotografias no Blog, para que todos descendentes dessa terra, que vivem do outro lado do oceano, pudessem conhecer um pouco mais de Rebordainhos e de sua gente.

Obrigado.
Jefferson Bastos

Esta árvore genealógica deve ser bastante para desfazer as incertezas. Fátima Stocker

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PÁSCOA - para matar saudades

Este texto, dedico-o a todos os rebordainhenses que não puderam compartilhar connosco mais esta quadra festiva.


Mais uma Páscoa se passou. Foi igual tantas outras Páscoas e tão diferente das Páscoas de outrora.

Apesar das semelhanças, este ano fomos brindados na quinta - feira santa, com uma inovação - a Via-sacra ao vivo.
O Rafael encarregou-se de manufacturar a cruz que havia de ser carregada pelo nosso "Jesus".
A representação esteve a cargo dos habitantes mais jovens da aldeia e cada Estação foi lida por quem, voluntariamente, se disponobilizava, e ainda lhe restava um pouco de vista e luz para o conseguir fazer.
A noite estava gélida. Mais parecia Janeiro! Mas o frio que se sentia não foi suficiente para impedir que as pessoas comparecessem. Tínhamos o calor humano. E esse, vale mais que qualquer outro.
No final, tivemos missa celebrada pelo padre Estevinho e pelo nosso muito querido e valioso padre Jorge. Incluiu a cerimónia do lava pés, muitíssimo bem representada pelo padre Jorge e pelos apóstolos voluntários.
Sábado, como de costume, foi dia dedicado ao arranjo da Igreja. E a Tilinha esmerou-se ainda mais que o habitual, mas foi excelentemente assessorada pela Fernanda e mais algumas voluntárias. Lamento a ausência de registo fotográfico, mas quem esteve na missa dominical pode comprovar que a nossa Igreja estava UM PRIMOR.
Depois da missa, seguiu-se a visita pascal.
Veio o almoço melhorado e... mais nada. Mais uma vez não houve jogos de roda nem cântaros de barro para atirar e... quebrar.

A tarde de três das manas presentes em Rebordainhos foi passada com um passeio até à ribeira, vimos uma corça na Ladeira, e terminámos com a prova do DELICIOSO folar da Ondina (ainda me está a crescer água na boca de tão delicioso que estava).
Para terminar, deixo um pequeno registo das cerimónias religiosas, não sem antes, pedir desculpa pela pouca qualidade de algumas imagens, mas para além da escuridão, a fotógrafa também já sofre de alguma falta de vista. O frio ajudou a que algumas ficassem "tremidas".

Augusta Mata