quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cartão Amarelo !


Quando chega o eco ponto pedido vai para um ano? Será que vem pelo "carreirão de Arufe" em carro de bois?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Viagem 2008
Junta de freguesia de Rebordainhos

Ora aqui está a reportagem prometida. Pensei escrever qualquer coisita mas, depois de muito pensar, achei melhor idéia apresentá-la sob a forma de filme.
Sim, eu sei que faltam todas as emoções vividas e, acreditem que foram muitas!
Faltam também as canções de roda recordadas (a Regina lembra-se de todas, ou quase todas. Os restantes demos também um bom contributo. Digo demos porque, apesar de ter ficado afónica, contribuí com a intenção!)
Faltam ainda as histórias de outros tempos, os momentos recordados como o "galar" das machadas da Amélia mas, quem participou sabe quão agradável é relembrar outros tempos.
Falta ainda descrever o rezar do terço com que a Lúcia nos presenteou. Esta costuma ser a tarefa da Lurdes mas, por motivos de saúde, este ano não pode responder à chamadas. Mas, ninguém duvida que foi muitísssimo bem substituída!
Enfim, vejam e digam lá se não VALE A PENA PARTICIPAR?
Para o ano queremos mais.
Augusta Mata

video


Ps: apenas um apontamento: a passagem estreita por entre as rochas, faz parte da gruta que existe no interior do Santuário da Lapa e, diz o povo que só consegue passar quem não tiver tiver pecados.

A proposito de ... Obra realizada

Nos últimos anos temos assistido a algumas obras significativas na Freguesia, sendo de salientar :

- Instalação do saneamento básico
- Reforço da a rede eléctrica


Mais recentemente

-Arranjos nas instalações da sede da Junta de Freguesia
- Melhoramentos na zona do Pelourinho e no largo do Prado
- Melhoramentos na zona da Igreja Paroquial dos Pereiros
- Calcetamento das ruas da aldeia de Rebordaínhos
- Conservação e limpeza de alguns caminhos rurais
- Inauguração de uma cabeça de Nossa Senhora da autoria do
falecido Padre David, junto à Igreja Matriz (Junho 2008)


Foto de Fátima Stocker

No almoço de convívio da Junta no passado mês de Junho, foi anunciado pelo Sr. Presidente da CMB, que até Setembro se iria dar início às obras de beneficiação e alargamento do cemitério, bem como ao arranjo do chão do adro da Igreja Matriz de Rebordainhos, que se encontra em terra batida. Também ficou no ar a promessa de se estudar a viabilidade de se proceder a obras na Igreja dos Pereiros.
Em consulta pública, encontra-se a criação da Zona de Intervenção Florestal de Rebordaínhos (ZIF).
Por iniciativa de alguns residentes e naturais, foi fundada a Associação Social, Cultural e Recreativa de Rebordaínhos (ASCRR) em 2006, que elegeu recentemente a sua primeira Direcção e aprovou os seus estatutos,
Sobre a zona de caça Municipal e sobre a ZIF, vamos tentar obter informação sobre o seu funcionamento e actividade. Qualquer colaboração nesse sentido será bem-vinda e poderá ser enviada por mail ou deixada nos comentários deste post.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Arufe II

Arufe é calma, sossego e paz.

Arufe é aconchego, apesar dos ventos que sopram lá em cima.

Arufe é o cheiro da maçã reineta da horta da capela.

Arufe é o odor do feno arrecadado no palheiro.

Arufe é a memória do comboio na curva da linha e que tanto medo provocou na Ruça.

Arufe é o caminho da Teixeira e do Labanho.

Arufe é o pladar das maçãs do múrio.

Arufe é...MÃE e PAI.
Augusta Mata

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Arufe

DOS DICIONÁRIOS:

Ar(ulfi) + (W)u(l)f
Arulfus + Wulf: águia e lobo
.


Arufe, sítio de águias e de lobos. Arufe, lugar de céu e de terra; lugar dos senhores do céu e dos senhores da terra.


Em Arufe tudo é essência e primórdios.

*
Arufe é um vale velho da meseta, quebrado pelas forças que criaram os primeiros continentes. O sítio da fractura foi sendo calcado pelas ribeiras enquanto as montanhas, devastadas pelos ventos e pelas chuvas, se transformavam, lentamente, em planaltos. É por isso que o vale de Arufe é amplo e a serra não oprime.

Às vezes, a Terra mostra as entranhas em barrancos fundos que são úberes floridos, maneira de nos provar que é muito mais do que o chão que permite que pisemos.

A variedade de verdes é quase inesgotável e quando se eleva o olhar vemos o verde estampado num azul tão puro e transparente que custa a acreditar. Os lobos, se fossem ferozes, escolheriam outro lugar para viver.

Arufe é lugar com coordenadas geográficas definidas, possível de alcançar por caminhos de bichos e por caminhos de homens.

A geografia emociona e emudece quem lá chega. Aí, o acto da criação é absoluto, real e concreto: no cheiro da terra fofa, funda e húmida; na fragilidade dos caules da flora rasteira que atapeta os passos dos animais, dá as cores aos sonhos da noite e impregna o sangue com o perfume discreto que dá a respirar; na música da água corrente e sempre presente, temperadora do frio e do calor; na singeleza da roseira brava, do linho bravo, do abrunheiro bravo e de todas as plantas não tocadas por mão humana; na copa heróica de cada castanheiro que se intersecta com a copa heróica de outro castanheiro, ou de um freixo, ou de um olmo, gigantes protectores que coam as inclemências das alturas e são sustento de bichos e homens.


Arufe é permanência. Arufe é o tempo que não muda.

*

Se Arufe é sítio de lobos, a casa é a toca dos homens, lugar onde se abrigam do frio e onde podem pernoitar sossegando o alerta dos sentidos; é espaço de aprendizagem das hierarquias e da linguagem a condizer; é sítio da experimentação dos afectos mais profundos.
Os Homens da casa são lobos na acepção que os lobos farão de si próprios, se nas línguas dos homens formos capazes de lhes traduzir os termos. Amam-se, ensinam-se e sustentam-se, cada um para todos os outros até à extenuação das suas possibilidades. Sendo toca, a casa é lugar de ser-se e pertencer-se.

Em Arufe havia a casa da avó.

A casa fica encravada na boca aberta de uma eira esboucelada. Casa e eira - abrigo e sustento - são território dos homens-lobo.
Tudo tem a cor da terra porque a casa, de granito e xisto, enegreceu por fora e enegreceu por dentro e o telhado fica ao nível do chão da eira. Em Arufe, as construções dos homens são tocas de lobos e só assim são harmonia, e só assim fazem sentido.

Em tempo certo, no justo devir das estações, a casa escura e baixa enchia-se de ramos de amoreira. Nas folhas passeavam-se os bichos-da-seda, no seu vagar de comer que é o vagar da infância.
Mais adiante no tempo, cachos de casulos distribuíam-se pela cozinha ampla e abochicavam-na de ouro. Aos serões, mulheres e raparigas aconchegavam-nos ao seio, não fosse o frio impedir a metamorfose. Só mulheres e raparigas. Às mulheres e às raparigas cumpriu sempre acalentar a vida.

Apenas algumas crisálidas seriam aconchegadas: aquelas às quais estava destinada a perpetuação. O destino das outras cumpria-se longe do olhar das crianças, não por querer poupá-las à dureza da verdade, antes, porque as dobadeiras e tecedeiras da seda seriam de paragens mais longe. Para aqueles que residiam na casa, a vida nunca foi coisa que se escondesse. Mas, pelos casulos que ficavam, os meninos podiam testemunhar a ressurreição!

Os olhos grandes de uma criança de corpo miúdo guardaram cada uma destas imagens. Elas haveriam de tornar-se lastro importante de recordações afectuosas. E se a memória resultar, tão-só, da visualização das palavras de outros, não será menos sua, nem sequer menos possível.

A certo tempo a casa esvaziou-se de gente e os bichos-da-seda deixaram de contar com os afagos de mãos cuidadosas. O interior, que o lume deixou de alumiar, queda-se em negrume de fuligem. Cá fora, as amoreiras vão perdendo o viço, como se quisessem dizer que já não servem para nada. Nas paredes da casa medram fetos e ervas do "arroz" e dos "roquelhos", agora poupadas às brincadeiras que a canalha inventava com elas. A eira deu-se ao descanso. Nas suas bordas, figueiras e medronheiros podem crescer sossegados. Reina o silêncio.

É estranho falar de silêncio quando a eira se enche dos cantos da bicharada: toutinegras, pardais, rouxinóis, pintassilgos, rolas... até o cuco se aproxima, esquecido da timidez. E à noite há corujas e mochos. A passarada multiplica-se, agora que nenhum ganapo lhe persegue os ninhos, em hora de lazer e de lazeira lambona. Há também as preguiças e os vaga-lumes e isto só para falar nos animais que os homens são capazes de ouvir! Falar de silêncio, no meio de tamanha sinfonia, é como dizer-se que só a voz dos homens pode dar corpo ao ar. É presunção do homem que deixou de ser lobo e se assenhoreou de toda a vida.

A casa, se perdeu a gente, ganhou perfume: a essência fresca e delicada das maçãs. As maçãs de inverno, colhidas no Outono, são lá depositadas. E as paredes negras de fuligem ganham tal luminosidade, que é como se um sol pequeno estivesse dentro da casa, a brilhar só para elas.


Arufe é terra de viventes, mesmo que já não estejam connosco.



Fátima Stocker, Ago./ Nov. 2004

domingo, 20 de julho de 2008

Incêndios Florestais
"prevenir, a atitude correcta"

Nunca é demais ver os resultados da falta de cuidado

Veja os videos disponiveis nesta página (ECO empresas)

Ontem foi o dia com maior número de incêndios desde que se iniciou a fase Charlie, ocorridos em território Nacional e envolveu o maior número de combatentes e de meios para no seu combate

Ocorrências de incêndios mais significativas (ANPC)

Veja aqui as estatisticas desde que se iniciou a fase Charlie (ANPC)

terça-feira, 15 de julho de 2008

ARES DA SERRA





II - POTRIQUEIROS

por

António Augusto Fernandes




F. Léger, L'Acrobate et les Jongleurs (1965)


Conversava-se ao desenfado sobre política e políticos no meio daquela gente tranquila das serras do norte. Aproveitando uma pausa nos prolóquios, uma mulherzinha miúda, de atentos olhos de azeviche, envolta nos trapos negros de quem já muito aturara à vida em fomes e pesares, sai-se de lá com a exclamação desenganada: São uns potriqueiros! E a palavra saltou-me, inteira na sua risonha complacência, dos escaninhos das memórias da infância, onde adormecera há que vidas.

Onde iam eles, os potriqueiros!
Nos tempos esganados que se seguiram à Segunda Grande Guerra, não era fácil para um pobre acudir todos os dias aos ladridos da barriga atormentada pela fome e havia que recorrer a almudes de criatividade para rapar o magro pão de cada dia, dia sim dia não. Dentre esses imaginativos salientavam-se os potriqueiros. Potriqueiros lhes chamava o povo do norte, fazendo uso de uma simpática corruptela de pelotiqueiros, significando uma espécie de artistas mais ou menos circenses que faziam jogos malabares com pequenas pelas, cujo diminutivo seria pelotas.

O povo até que gostava deles, dos potriqueiros, seus irmãos na miséria e descendentes de uma longa linhagem de artistas saídos do povo, cujos ascendentes mais remotos se situavam entre aqueles velhos jograis que, no tempo dos afonsinos, percorriam feiras e vilares com seus momos e mistérios, seus cantares e poemas, numa Idade Média que, nas serras do interior, teimou em prolongar-se pelo século XX, tanto no imaginário religioso e profano, como na maneira de lidar com a terra. Com o tempo a palavra foi alargando a sua dimensão semântica e passou a significar também aqueles que mostram capacidade de sobreviver à custa de simpáticas artes e manhas de carácter mais ou menos histriónico.

Esses potriqueiros arribavam à aldeia pelo Outono, quando partiam as andorinhas e o lavrador dava por findas as canseiras das malhas, da arranca das batatas, pois que os ouriços dos castanheiros, ainda não tinham começado de arreganhar. Pelas encostas da serra, acobreavam as ramagens de touças e soutos e as primeiras névoas prenunciavam o repouso da madre natureza exausta da parturição dos seus frutos. Era um tempo de pausa em que as tulhas cheias deixavam o lavrador mais propenso a largar uma malga de grão de centeio ou meia dúzia de batatas nos alforges destes histriões errantes, em troca de uns malabarismos, duas anedotas brejeiras e alguns truques de ilusionismo que lhe fizessem esquecer as canseiras de todo um ano a lutar com uma terra áspera e avara em mimos. Surdiam imprevistamente, não se sabe donde, com suas azémolas tropiqueiras ajoujadas debaixo dos magros trastes da cozinha de campanha, das vestimentas com que encenavam as suas pantominas e, às vezes, o luxo de um velho animatógrafo asmático cujas fitas enguiçavam a cada cinco minutos.

A moçoila mais vistosa da tropa fandanga, de perna ao léu e faces avivadas a lápis lazúli e vermelhão, mais o moço do cornetim, davam volta ao povoado, alagando de alacridade as ruelas bisonhas da aldeia granítica com o seu colorido e as suas notas vibrantes do velho chanfalho e arrastando atrás de si a horda grulhenta do garotio. E um frémito de charme exótico sacudia as grossas gentes serranas.

À noite, no largo da aldeia, com o sobrado de dois carros de bois desembaraçados das engarelas, postos os pinalhos na horizontal, faziam palco para exibição das suas pantominices, ou, se o tempo não estava para folestrias, em palheiro mais amplo lastrado de palha nova, pedido de empréstimo a lavrador mais galhofeiro. E o pessoal acorria a esse Tivoli improvisado, mais basto que pardais a uma eira depois das malhas. Compenetradamente, os artistas tentavam compensar o seu público dos magros tostões desembolsados entregando-se com denodo aos seus jogos de prestidigitação, à declamação histriónica de estrofes mais ou menos fesceninas e à encenação rudimentar de farsas ligeiras herdadas e estropiadas desde os tempos de Gil Vicente.

*

Desapareceram os potriqueiros. Desapareceram levados pela correnteza do imparável tempo que tudo consigo arrebata. E, com eles varreu-se a palavra mágica, potriqueiros, que nem sequer o Houaïss nem o Dicionário da Academia registam.

domingo, 13 de julho de 2008

"Liloto"

Um dos membros do blog , a "liloto" chegou hoje ao meio século de existência. Apesar de alguns Invernos muito duros e sofridos, é senhora de excelente jovialidade e entusiasmo. Para ela, os nossos sinceros parabéns!

Como todos sabem, ela é um bocadinho vaidosa. Assim em vez de lhe oferecermos flores, deixamos aqui a sua imagem

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Gastronomia Transmontana III
Receitas de Antanho

Mais uma receita deixada pela Augsta nos comentários e que de lá foi retirada para a deixar, pela sua excelência, no lugar que merece.

Fígado da Matança

O fígado que se utiliza na matança é retirado do animal acabado de matar.
Começamos por partir as iscas.
Temperam-se com sal, alho, vinagre de vinho e louro.
Entretanto, parte-se bastante cebola às rodelas para um pote onde já está o azeite a aquecer. Quando a cebola estiver translúcida, acrescenta-se o fígado juntamente com a "marinada" onde esteve. Tapa-se o pote e deixa-se cozer muito lentamente para ficar bem apuradinho.
Rectificar o tempero.
Servir com batata cozida (da nossa - a da serra)
Bom apetite

Receita enviada pela Augusta Mata (Rebordaínhos)

Ao repto lançado pela Augusta, nos comentários, logo apareceu a Regina Céu a deixar receita do......

Caldo de grabanços das malhas


Foto de António Fernades (malha-1981)

António,
A sopa de grabanços ou erbanços das malhas era muito simples. Provavelmente, a excelência do sabor era o facto de ser feita no pote.
Coziam-se os grabanços até ficarem quase desfeitos, engrossando o caldo. Acrescentavam-se batatas (poucas), a couve esfarrapada e massinhas ou macarrão. Havia quem cozesse uma galinha velha. Esta sopa ficava a manhã quase toda a fervilhar, um pouco afastada dos tições.
Do que me lembro era apenas isto.

Receita de Regina Céu Fernandes (Rebordaínhos)

Pelo que me disse (telefonei-lhe a perguntar, porque o caldo dela ainda hoje faz de mim cão de Pavlov), a tia Maria não lhe põe couves (que couves, Céu?), mas acrescenta-lhe arroz ou, às vezes, massinha. Diz que, muitas vezes, deixa os erbanços cozidos de véspera e que os acrescenta depois às batatas no pote, para cozerem melhor. Para lhe dar bom sabor, no caldo também coze chicha gorda que pode ser substituída por unto ou pingo. No fim de estar tudo cozido, esmaga a batata com o garfo sobre uma espumadeira. Como com a batata se esmagam alguns erbanços, o resultado é aquele creme espesso muito saboroso. Também alegre, porque dourado, a combinar com o pão que se está a malhar. (Fátima)

Próximo post desta etiqueta "repolgas à moda da minha sogra "


terça-feira, 8 de julho de 2008

Nomeadas (II)

Pasme-se: são 190! Cento e noventa nomeadas!


É claro o predomínio da letra -C- (36) e só não estão representadas as letras D, H, O, Q, U e X.
Só já falta identificar uma. Quem pergunta aos mais velhos? A tia Maria Fecisma, que me aturou longos minutos ao telefone, ajudou-me com muitas, mas não se lembrava de todas!

Há algumas muito bem apanhadas! Outras, tenho pena, nem imagino o que possam significar. No dizer do Tonho, as nomeadas muitas vezes aparecem de forma mais ou menos aleatória e por fenómenos de homonímia ou paronímia, sem qualquer significação especial. Acrescenta, ainda: É espantosa a criatividade desta gente de Rebordainhos que não deixava ninguém sem ser rebaptizado.

A grande vencedora do conhecimento das nomeadas é, sem margem para dúvidas, a Céu. Deixou-me de boca aberta. Parabéns! Ela não quis receber os louros pois, nas suas palavras, as grandes vencedoras das nomeadas são a Conceição e Delfina Fernandes. Foi a elas que pedi ajuda e também o meu irmão Orlando, sobretudo das mais novas.

Tentei organizar tudo alfabeticamente, mas tanta nomeada estava a deixar-me birolha. Ninguém se espante, por isso, se alguma vier fora de ordem. Aqui fica, então, o resultado.

Agasalho – Joaquim Pereia
Agulhas – José Carlos Silva
Alaxeco – Adriano (dos Pereiros)
Alheiras – Eduardo Pereira
Aidinhas – Alfredo Pires

Atilano – António Pires

Baçal – António Rodrigo (Ver Vira-Sacos)
Badalinho – João Silva
Bagueixe – José Fernandes
Balhinhas - Carlos Pereira (Ver Tralhós)
Batitá – José Augusto Pereira
Barbas d'Alho - Manuel Maria Pereira (Ver Galochas)

Barril – Manuel Pires (filho do sr. João Santo)
Beringuel – Luís RodrigoBexiga – Augusta Silva
Bilhó – Helena Alves (filha da tia Glória)

Bombo – José Fernandes (filho da tia Vermelha)
Bonifácio – Tarcísio Martins
Botão de Camisa – Eduardo Alves (filho da tia Glória)
Botija – Júlia Martins
Bóto – Manuel Gomes (Ver Galanduns)
Boubla – Aniceto Ferreira
Braba – Teresa Fernandes
Brotas – Hermenegildo Martins (filho do tio Grilo)


Cabo Raso – Alfredo Fernandes
Cachulas – António Pires
Çaço – Francisco António Fernandes (Ver Chasco)

........... ..Rui Fernandes

Cagalheta - João Pereira (Ver Engenheiro)
Caixeiro – Hermenegildo Pires
Caldeireira – Isabel Pires

Calhilha – Casimiro Pires
Caloura – Emília Maria Pereira
Calouros – Benedita Pereira....................
                 Emília Pereira
.................Estefânia Pereira
....................César pereira
Çapão – Sebasião MartinsCarabunhas – Alfredo Pires
Carambolas – Ernesto... marido da Sr. Dona Denérida, irmã do P.e João
Caranvas - Manuel Marins. Ver "Frade" e "Guerra"
Carriço – Evangelista Fernandes
Carroucha – Camila Pereira

.......................Conceição Fernandes (ver Sarrolha).......................
                     Delfina Fernandes (ver Grufina)
Chanças – Américo Fernandes (filho da tia Vermelha que foi para o Brasil)
Carteiras – Artur Augusto Pereira (ver Sacheco)
Caseiro – Sr. Humberto, de Arufe

Chasco - Francisco António Fernandes (Ver Çaço)

Checha - Maria dos Santos Caminha
Chedre – Carlos Pereira
Chefe – José Gomes
Chicheiro – Francisco Rocha
Chiote – Carlos neves
Chochelas – José Pereira
Cidália – Natália Pires
Conservado – António Pires (Toninho da sr.a Margarida)

Cornecho – António Pereira (filho da sr.a Benedita Caloura)
Coronel – Manuel António Fernandes

Corrécio – Emídio Pires (filho do tio Grilo)
Couceiro – Amadeu Pereira

Çuca – José Caminha
Cuco – João Fernandes
Cueca – Fernando Silva
Curopos – João Alcino


Êlhe – Fernando Carlos Martins
Engenheiro –João Pereira
Ervilhas – Hermínio Pereira

Escacha - Toninho da sr.a MargaridaEscachado – Armindo Pais
Escamado – Frederico Assunção Pires

Façana – Humberto Martins
Falta de ar – Norberto Pires
Farinhoto – Alexandre Pires (filho do tio Alípio Piqueno)
Farturas – Artur Alves
Fecisma – Maria da Graça Pereira
Ferramentas – José Carlos Veigas

Ferrinho – ?
Foguete – José Pais.................
                Armindo Pais (Ver Inimigo)
Fouce – João Manuel Pereira
Frade – Manuel Martins (Ver Guerra)
Fudicas – Ramiro Alves
Fuseiro – Aníbal Pereira


Galandum – José Gomes; (Ver Chefe )......................
                  Manuel Gomes (Ver Bóto)......................
                 Álvaro Gomes
Galeco – Jorge Pires
Galila - Tina Pires
Galochas – Manuel Maria Pereira (Ver Barbas d'Alho)
Garnacho – Sr. António (de Arufe, marido da sr.a Sância)

Garrano – José Adriano Pereira Martins (Ver Panarra)
Girinha – Alzira Machado
Gitlém – Hermenegildo Pires
Gralha – Ascensão do Senhor (esposa do Sr. José Luís)
Grande (A) - Antonieta Morais
Greludo - João Silva
Grifa – Zulmira Pereira
Grifo – António (Toninho, filho da tia Zulmira. Ver Marreta)
Grilo – Graciano Martins
Grufina – Delfina Fernandes (Ver Carroucha)
Guerra – Abílio

.................Adriano
.................Alfredo Martins (Ver Rastreja)
.................Manuel Martins (Ver Frade)
.................Sebastião Martins (Ver Çapão)

Inimigo – Armindo Pais (Ver Foguete)

Jarrete – António Júlio Pereira
Joaninha – Adília Julieta Morais

Juiz – António Silva

Labaredas – Victor Martins (Ver Macieiro)
Leirão – Carlos Martins

Leque – Mário Bernardo
Ligeira – Luís Machado
Lhé – Manuel Pais
Lobo – Alfredo Pires (Ver Aidinhas)
Lunetas – Carlos Ribom
Luzerna – Maria da Luz Gomes

Leocacha – Helena Pires (filha do tio Caixeiro)

Macieiro – Victor Martins (Ver Labaredas)
Malaguetas – Filipe Baptista
Malino – Joaquim Pereira (Ver Agasalho)
Mandinho – Amândio Pereira
Maneta – Olímpia da Natividade Afonso
Manias – José Maria Pereira (filho do tio César)
Maralha – Maria Emília Pereira (mulher do sr. Alcino)
Marão – Mário Fernandes
Marelo – Paulo Martins
Margarido – Carlos Pires
Maria Narcisa -
Maria da Graça Costa
Marquesa – Maria (mãe da sr.a Perpétua e da tia Maria do Seco)
Marreta – António Pereira (Ver Grifo)
Matrilena – Helena Martins

Milão – António Pereira
Mocho – António Honorato Fernandes (filho da tia Vermelha)
Moreno – Francisco Martins
Morraco – António Braz Pereira

Moucha – Zulmira Pereira

Nharro – Gilberto Fernandes (Ver Tição)
Nelzeira – Manuel Caminha


Pacheco – Duarte Pires
Pachica – Ana Maria Martins
Panarra – José Adriano Pereira Martins (Ver Garrano)
Pancrácia – Ana Morais
Panke – Carlos Gomes

Pássaro – Virgílio Fernandes
Pastora – Antónia Fernandes
Pataca – Maria Filomena Martins
Pateiro – Duarte Fernandes
Patinge – Amâncio Martins
Patolas – António Gomes
Patorro – Jaime do Nascimento
Pedro – Manuel dos Ramos Pereira
Pelada – sr.a Isabel
Pereirinha – Lurdes Pereira Ribom

Perrincha – Fernando Martins
Pescadinha – Basílio Pires

Picarete – João Baptista Pereira
Pilatos – Jorge Pereira
Piloto – António dos Santos Martins

Pintassirgo – António Pires (filho do tio Caixeiro)
Pincha – António Pereira (no Brasil era o “Couce de Mula”)
Pinguim – António Pires (filho do tio Alípio)
Pinote – Orlando Martins
Pintana – Guilhermino Fernandes (Ver Sortes)
Piqueno – Alípio Pires
Piruças – Orlando Fernandes

Pote – José Fernandes
Pouca-Chicha – Fernando Alves


Raposa – António Bernardo Pereira
Rastreja – Alfredo Martins (Ver Guerras)
Rata – Efigénia Pereira
Rauta – Gualter Martins
Rente (ao chão) – António Morais
Ribas – Amílcar Pires
Roca – Ana Pereira
Ruça – Amélia Pereira

.............Júlia Pereira

Sacheco – Artur Augusto Pereira (Ver Carteiras)
Santa – Etelvina Pires
Santacombinha – João de Deus Pires
Santo – João Pires
Santo Velho – António Manuel Pires
Sarrolha - Conceição Fernandes (Ver Carroucha)
Seca – Eduarda Pires
Seco – João Pires
Serrinha – Joaquim Martins (filho do tio Moreno)
Sorna – Carlos Martins
Sortes – Guilhermino Fernandes (Ver Pintana)

Sota - Angélica Costa

Taré – Perpétua Pires
Tição – Gilberto Fernandes (Ver Nharro)
Torto – Adriano Martins (Ver Guerra)
Tralhós – Carlos Pereira (Ver Balhinhas)
Trocho – António Rodrigo


Valente – João Valente
Vermelha – Maria da Conceição Pires
Vira-Sacos – António Rodrigo (Ver Baçal)


Zãeno – Eduardo Rodrigo
Zaragatas – Manuel Veigas
Zarrunga – Ascensão Fernandes (de Arufe)



Fátima Stocker

domingo, 6 de julho de 2008

Onde estão os meus sapatos?

ONDE ESTÃO OS MEUS SAPATOS?"

Este é o título de um livro que, há tempos, encontrei nas estantes da livraria Cervantes em Salamanca. A sua autora - Brenda Avadian – descreve no decorrer do mesmo “o caminho percorrido…” pelo seu pai “…através da doença de Alzheimer”.
Como ficar indiferente a um título destes, se há tão pouco tempo perdi a minha mãe, vítima de Alzheimer?


“Então mãe, os garotos já telefonaram?”
“Já. Telefonaram de… diz lá tu!”
“De Celorico?”
“Isso.”
Este foi talvez o primeiro diálogo que, se tivesse estado mais atenta, me indicaria que a minha mãe estava, também ela, a entrar no mundo do Alzheimer. Mas, tal como inúmeras pessoas, entendi aquele pequeno esquecimento como próprio de um processo de envelhecimento que eu via como normal. Mas não era…
Inicialmente, foi-lhe diagnosticada uma depressão. Quão apertado estava o meu coração ao sair com ela do hospital onde, no dia, seguinte seria submetida a uma operação à vesícula biliar…
“O que tu queres, sei eu….queres mamata” – dizia-me ela quando a tentava convencer a ficar.
“…Um doente de Alzheimer poderá não reconhecer uma infecção como algo problemático e não ir mesmo ao médico ou, então, vestir-se inadequadamente, usando roupa quente num dia de Verão.”
Os esquecimentos acentuavam-se. A cada dia que passava, algo de novo acontecia
“Mãe, a rapariga pode estar bem fresca” – dizia-me o meu filho mais velho quando, ao abrir o frigorífico, encontrou uma revista com uma menina na capa.
“Um doente de Alzheimer pode pôr as coisas num lugar desajustado: um ferro de engomar no frigorífico ou um relógio de pulso no açucareiro”
“… E tu deste-me alguns salpicões?”
Esses salpicões, havia eu de os encontrar bem guardados entre os cobertores que ia lavar para serem arrumados no verão que se aproximava. Embrulhados em dois sacos de plástico, lá estavam eles. E que tempos de procura, e dores de cabeça, por pensar que os meus irmãos pudessem acreditar que, efectivamente, eu tivesse voltado a guardar os enchidos, tal como o meu pai havia referido…
“Uma pessoa com a doença de Alzheimer esquece-se das coisas com mais frequência, mas não se lembra delas mais tarde, em especial dos acontecimentos mais recentes.”
Nesta altura já eu sabia que algum tipo de problema estava a afectar a minha mãe. E, por isso, chamei à atenção do meu pai para a necessidade do cumprimento da medicação ( a minha mãe era perita na simulação da toma dos medicamentos).
Coitado do meu pai. Que enorme responsabilidade acabava de lhe colocar em cima dos ombros! Mais uma a somar a tantas outras que já havia assumido ao longo da sua vida.
Os fins-de-semana passaram a ser dedicados ao arranjo duma casa que, imediatamente após eu ter saído, regressava à desorganização habitual. “Vale-te bem a pena, filha! Mal tu viras costas, põe logo tudo com dono!” – dizia-me o pai, ao ver-me atarefada para deixar tudo em ordem. Hoje questiono-me se não se trataria de uma defesa que ela adoptava para se lembrar das coisas.
“ Mãe, já comeu?”
“Não sei”
Desde pequena, habituei-me a ouvir minha mãe dizer à hora de almoço, que só naquela altura estava a tomar a primeira refeição do dia. Havia então necessidade de lhe lembrar que deveria comer. Para além disso, “…O doente de Alzheimer pode ser incapaz de preparar qualquer parte de uma refeição ou esquecer-se de que já comeu”.
Naquela altura, a demência já estava diagnosticada, e as leituras efectuadas já eram “mais que muitas”, mas nada me fazia compreender o porquê, apesar da minha força aparente, quando tentava explicar aos meus irmãos que, tal como eu, não compreendiam inicialmente determinados comportamentos.
Recordo o dia em que, tendo tido alta do hospital, e estando em minha casa na companhia do genro, tentou a fuga por três vezes. Começou a preocupação de que, algum dia, se esquecesse de onde estava.
“ Pai, onde está a mãe?”
“Inda agora estava aqui, não sei como desapareceu tão depressa!”
“…uma pessoa com a doença de Alzheimer pode perder-se na sua própria rua, ignorando como foi dar ali ou como voltar para casa”
Até então, a dona “da carteira” da casa era ela. Nada era comprado sem que ela soubesse. Mas também o dom da gestão da casa começava a perder-se. Quanta vezes lhe telefonei avisando que eu levaria com que fazer de comer. Mas outras tantas houve que, chegada à aldeia, tinha um outro almoço à espera…
“A senhora dá-me tanto dinheiro para pagar um selo?...” – Dizia-lhe o carteiro quando ela lhe entregava uma nota de dez contos para pagar um único selo .
“…alguém com a doença de Alzheimer pode esquecer completamente o que são os números e o que tem de ser feito com eles…”
As variações de humor eram, também, uma constante. Quantas interrogações para os amuos que, de repente, apresentava sem que alguém conseguisse encontrar explicação!
“Oh! Deixa-me… se soubesses como estou !...”
“Alguém com a doença de Alzheimer pode apresentar súbitas alterações de humor – da serenidade ao choro ou à angústia – sem que haja qualquer razão para tal facto.”
Vieram as desconfianças, os comportamentos inadequados…
“Podemos depositar o cheque, mãe”- Dizia-lhe eu, depois de lhe terem pago a colheita das castanhas desse ano.
“Não, não. Quero ver o dinheirinho aqui na minha mão.”
E lá fomos nós levantar o cheque num banco para, de seguida, atravessarmos a rua, para depositar o dinheiro noutro.


.....
“A mãe, pai?”
“Está lá dentro.”
Estava a ”lavar” a casa de banho. Banheira, bidé, azulejos… tudo estava impecavelmente limpo na sua perspectiva, mas… o detergente que usou foram... fezes.
“…um doente com Alzheimer pode mudar totalmente, tornando-se extremamente confuso, desconfiado ou calado. As alterações podem incluir também apatia, medo ou um comportamento inadequado.”
E começaram também os discursos desconexos. Palavras que se foram apagando da sua memória, e outras que adquiriam um significado que só ela entendia. “Quero morrer” dizia ela, quando tinha necessidade de defecar. “…doente de Alzheimer pode esquecer mesmo as palavras mais simples ou substituí-las por palavras desajustadas, tornando as suas frases de difícil compreensão.”
A mudez começou a acentuar-se. Só muito esporadicamente saía alguma palavra com sentido, ou bem empregue no contexto.
Mais adiante, a mãe trabalhadora, lutadora, guerreira, amiga, presente, preocupada, passava os dias sentada, balbuciando palavras incompreensíveis ou, simplesmente, emitindo aquele som “ah, ah ah…”, para, no final, não emitir som algum.
“Um doente de Alzheimer pode tornar-se muito passivo e necessitar de estímulos e incitamento para participar”
A doença de Alzheimer, sem pedir autorização, entrou na nossa vida e levou-nos a nossa mãe.
Dizem, ainda, que a pessoa com demência acaba por não reconhecer as pessoas. Até mesmo as que lhes são mais significativas acabam por se transformar em meros desconhecidos. E, a verdade, é que no final, já quase não reconhecia ninguém (?) Permitam-me a interrogação Acredito piamente que, apesar de não mencionar qualquer nome, nunca deixou de conhecer os filhos. Também acredito que tenha reconhecido a Dorinda até ao final. Essa é a minha convicção.
“Mãe, sou eu… Sou eu mãe, estou aqui”…
Beijei-a muito. Beijos a que habitualmente ela correspondia…
Mas, apesar da minha insistência, naquele dia 13 de Março, a mãe já não foi capaz de me beijar, nem de sorrir para mim. Estava linda, como sempre mas…



simplesmente partiu.


A mãe foi encontrar-se com o pai.












Nota: Todas as citações foram retiradas de – Portal da Saúde, em
http://www.portaldasaude.pt/

Após recordar algumas das receitas que aprendi com ela, senti que tinha a obrigação de fazer uma homenagem à minha mãe.
Os factos narrados podem não aparecer pela ordem cronológica em que aconteceram. Simplesmente, a partir do momento em que comecei a escrever, o fio foi-se desfiando e tentei, simplesmente, construir numa sequência mais ou menos organizada, aquilo que aqui pode ser lido.
Mas, simultaneamente também, achei que deveria fazer mais que isso. Queria dedicar este post a todos os que padecem de Alzheimer, (ou de outras demências), nomeadamente aos naturais e residentes em Rebordaínhos.
Queria, também, dedicá-lo aos seus familiares, cuidadores muitas vezes esquecidos e incompreendidos que, de forma abrupta, vêem a sua vida voltada do avesso.
Por outro lado, entendi que deveria ir mais além. Porque não aproveitar para esclarecer um pouco mais as pessoas, apresentando simultaneamente alguns sinais da doença. Se tal atitude tiver alguma utilidade, tanto melhor.
Um abraço, e muita garra para as pessoas (doentes ou familiares) que estejam a passar por tal situação.

sábado, 5 de julho de 2008

Gastronomia Transmontana -II -
"Receitas de Antanho"

Que nos perdoem os visitantes destre blog , por aqui transcrever (na íntegra) dois comentários colocados no post anterior, mas a pronta colaboração da minha cunhada, a excelência e a origem das mesmas,o facto de serem dedicadas aos irmãos e o querer partilhar convosco levaram-me a fazê-lo.

Obrigado Augusta

A lavagem das tripas na Fonsim. Era a matança do Rafael. Vêem-se (da esquerda para a direita), a Ester, a tia Zulmira e um bocadinho da bata da tia Teresa.

Também me agrada este post. Seguem as couves da matança:

Ingredientes

Couve penca (portuguesa) em quantidade considerável, pois mingam com a cozedura. A couve mais branquinha é melhor
- ovos
- uma colher ou duas de farinha
- 3 ou 4 dentes de alho
- azeite (transmontano)
- sal qb
- vinagre de vinho qb

Amanham-se as couves, folha por folha, tendo o cuidado de descascar o talo na sua parte mais dura (mais convexa). Cortam-se em pedaços não muito pequenos e lavam-se muito bem.
Cobre-se o fundo dum pote com o azeite onde se colocam os dentes de alho e deixam-se alourar. Depois retiram-se e introduzem-se as couves. Tapa-se o pote e deixam-se cozer na água que as mesmas vão libertando. O lume deve ser brando. Ir mexendo, ou virando o pote, para não pegarem. Temperar com o sal a gosto.
Depois de muito bem cozidas (praticamente desfeitas) adicionam-se-lhe os ovos previamente mexidos e aos quais se adicionou o vinagre.
Mexer aquando da adição.
O resultado é uma espécie de esparregado de couve. Adicionar uma ou duas colheres de farinha para as tornar mais cremosas.
Rectificar o tempero e servir bem quentinhas com um assado de carne, e BOM APETITE.

Nota: quem não tiver pote, pode sempre cozinhá-las numa panela, mas fica-se a perder aquele sabor da comidinha no pote... (porque cozinhada lentamente? Ou porque o pote é de ferro? Provavelmente pelas duas razões).

Couve de penca oferecida pela Carma

Beijos e, no Inverno está prometido um jantar com couves da matança.
Augusta

E, porque não podemos ficar sem sobremesa, aqui vai uma muito especial que ofereço a todos os meus irmãos, porque sei que não a têm:

PUDIM DE FEIJÃO DA MINHA MÃE

500gr de açúcar
1 tigela de feijão branco descascado e passado pelo passador (a feijoca é melhor, porque mais rápida de descascar)
12 ovos (dos quais 9 gemas e três inteiros)
1 cálice de vinho do Porto
1 colher de manteiga

Põe-se o açúcar ao lume até adquirir ponto de fio.
Mistura-se o feijão no açúcar. Depois misturam-se os ovo e gemas batidos. Depois de tudo misturado, junta-se uma colher de manteiga e um cálice de vinho do Porto.
Deita-se numa forma caramelizada e coze em banho Maria

Deliciem-se com esta soberba sobremesa da minha mãe.
Beijos



Recolha da Augusta, junto da sua mãe, Teresa do Nascimento Martins (Rebordaínhos)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Gastronomia Transmontana - I -

Tenho jeito para a cozinha, mas não conheço as receitas da região para as confeccionar.
Não sendo o tempo da castanha, este post é tão somente um convite para pedir a colaboração dos leitores: quem puder, envie-nos receitas transmontanas, para aqui serem publicadas (caso seja recolha oral ou outra, por favor indiquem a fonte).

Quem sabe quais os pratos da matança do porco e como se confeccionam, em especial o das couves com ovos, vinagre e alho e o delicioso arroz feito com a água de cozer as aves e que acompanha os enchidos? Tive a oportunidade de, soberbos, os saborear mais do que uma vez em casa do Rafael, e estes dois fazem parte de uma dezena daqueles que se servem, nesse dia, aos convivas. Quem ajuda a falar neles?

Carne de porco com castanhas (6 pessoas)

1,5 kg de carne de porco (entremeada)
2 dl vinho branco
6 dentes de alho
1kg de castanhas assadas
Sal (qb)

Corta-se a carne em bocados regulares (com cerca de 5cm) e põe-se a marinar de um dia para o outro com o vinho branco, alho e sal.

No dia seguinte, retira-se o alho e levam-se os rojões a cozer no vinho da marinada. Quando estes tiverem um aspecto de cozido, escoa-se o vinho e acrescenta-se a gordura (óleo, azeite, banha, etc.) e levam-se novamente ao lume até ficarem louros. Quando os rojões estiverem quase prontos, acrescentam-se as castanhas para que estas tomem o gosto dos rojões. Por fim, serve-se acompanhado com maçã crua fatiada.


Retirado da Rota da Castanha - UTAD -