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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ACTIVIDADES ECONÓMICAS

CASA DOS CAPELAS



Quem sai do IP4 e se dirige a Rebordaínhos encontra, na rotunda de Rossas, uma placa que diz "Casa dos Capelas", informando que se trata de turismo rural. Essa casa fica em Paçó e pertence ao Duarte "Pacheco" (desculpa lá...) e família.

Soube-o pela minha irmã Augusta e, creio, fica bem ao blog de Rebordaínhos dar a informação. Pesquisei e encontrei uma página sobre a "casa" (
ver aqui) que nos dá conta da qualidade do produto que é oferecido (e de onde retirei a fotografia, mas o dono não se deve zangar comigo), destacando-se que, embora se trate de casa antiga, ela foi adaptada de modo a conceder conforto moderno a quem demandar os seus serviços.

Todos nós temos amigos que, mais do que viajar, gostam de ficar num sítio para conviverem com as pessoas. Quando nos perguntarem sobre a nossa região já saberemos, com propriedade, indicar-lhes um bom lugar.

domingo, 20 de junho de 2010

ACTIVIDADES ECONÓMICAS


III

ARMINDO ANTÓNIO PAIS


Os dedos de uma mão devem bondar para contar aqueles que, em Rebordaínhos, não criaram os seus filhos na pouca fartura. A tia Laura e o tio Zé Foguete não fugiram à regra e foi por isso que o Armindo, tal como quase todos os da sua idade, precisou de se fazer cedo à vida, ganhando alguma coisa com que ajudar em casa.

Mal se viu aprovado no exame da quarta classe, largou os livros para ir pelos lameiros guardar os vitelos do tio Frade, o Sr. Manuel Martins, como respeitosamente se lhe refere. Como a tarefa não exigia esforço por aí além e a proibição do trabalho infantil ainda demoraria a chegar, nem ele nem ninguém sentiu que fosse precoce essa introdução na vida activa. O trabalho também não lhe sossegaria o ânimo irrequieto e brincalhão e continuou a ser um espalha-brasas, povo adiante, povo atrás. Depois, o Sr. P.e João, de quem o seu pai se tornaria caseiro anos mais tarde, abriu-lhe as portas, chamando-o como moço ao serviço de sua casa.

Os serviços que as crianças prestavam não eram mais do que uma iniciação à vida adulta, uma forma de as enrijecer e de lhes ensinar o valor do trabalho até que estivessem capazes de aprender um ofício. Assim, aos dezasseis anos, o Armindo sentiu-se apto a aprender a arte na qual fundaria a vida futura e partiu para Rossas, entregue ao saber do sr. Alexandre que, tendo apreciado o trabalho do rapaz, o chamaria ao seu serviço.

Ao Armindo calhou na rifa iniciar-se profissionalmente na pior altura de todas: os anos da revolução de Abril. Não sei se se lembram, mas faltava tudo: o cimento, os tijolos… até os pregos! Não sei foi por causa disso, mas rumou a Bragança como empregado do sr. Emílio Esteves. Bragança, porém, ficava à distância de muitos carreirões de Arufe e o Armindo, criado na liberdade dos espaços da serra, sentia-se entocado na cidade. Nem por mil diabos lá haveria de ficar! Regressou, por isso, a Rebordaínhos e arriscou estabelecer-se por conta própria.

Reunindo os magros tostões que amealhara, lançou-se na sua primeira obra: a reconstrução da casa de sua mãe, a tia Laura. As pessoas da terra, que souberam apreciar o gesto de amor filial, também gostaram do trabalho e começaram a acreditar nele, mostrando a sua confiança nas encomendas que lhe iam fazendo. A primeira, no entanto, chegara de Soutelo Mourisco. Começou-a sozinho e não teria mais de dezanove anos.

Ganhou nome, experiência e o dinheiro necessário para abrir uma empresa em nome individual, a Armindo António Pais que, mais tarde, deu lugar à Construções Pais e Veiga. Hoje possui mais duas empresas, Mármores e Granitos Serra da Nogueira com a qual executa todo o tipo de obras que envolvam esses materiais e a Construções do Fervença, que se dedica ao trabalho com alumínios e PVC e à compra e venda de imóveis. Em linguagem económica diríamos que o Armindo criou uma concentração horizontal de empresas, isto é, associou diferentes segmentos da mesma actividade, de modo a dominar o sector, diminuindo a concorrência e chamando a si os lucros que teria de pagar a terceiros se precisasse de lhes encomendar serviços. Não tirou nenhum curso universitário para aprender estas coisas, mas intuiu muito bem como elas devem funcionar.

Ao todo tem 22 empregados e conta, actualmente, com o auxílio do seu filho Pedro que já é arquitecto. A Ondina, sua esposa, é quem gere os escritórios, sendo a contabilidade feita por gente de fora. A Construções Pais e Veiga é das empresas que mais encomendas tem na cidade de Bragança, mas a sua área de trabalho estende-se a Mirandela e ao Porto. E a França!

A história do Armindo é a história dos vencedores e dos resistentes que não deixaram a terra. A sua casa é a segunda que nos acolhe quando, passado o Navalho, percorremos o quilómetro de saudade até chegarmos à Pátria.
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As casas fotografadas correspondem a duas obras de reconstrução feitas pelo Armindo. A primeira, salvo quem está longe há muito tempo, todos a identificam: é a velha casa do tio Frade e que pertence, agora, à Natália e ao Guilhermino (Sortes). A segunda fica em Rossas.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ACTIVIDADES ECONÓMICAS


II

PAULO MARTINS e a PADARIA DIANA

Vamos ver se conseguimos dar um pouco de alegria à sr.ª Irene que tem andado muito triste por estes dias.

Estarei a dar conta de uma evidência se disser que os pais e as mães de Rebordaínhos, mais do que com os seus, se comprazem com os sucessos dos filhos. Não é de estranhar que assim seja porque, se pensarmos com justiça, veremos que os filhos devemos quase tudo aos nossos pais que não mediram sacrifícios para nos porem a mão por baixo, como Deus faz ao menino e ao borracho. Assim fizeram a sr.ª Irene e o sr. Victor (ele que me perdoe, mas é o labaredas).

Quando eu era menina e eles eram meus vizinhos na casa junto ao pelourinho, a Sr.ª Irene era tecedeira e o toc-toc do tear ecoava pelo bairro, marcando o compasso das melodias que entoava enquanto trabalhava. Nem sei o que era mais perfeito, se as mantas de retalhos que lhe saíam do tear, se a lindíssima trança que enrolava em crucho e lhe dava ao rosto aquele aspecto de rainha que só víamos nas estampas dos livros. Do tear, à família de boas posses que hoje é, medeia uma história que merece ser contada, mas terá de ficar para outra vez. Hoje falarei do seu Paulo.

O Paulo, depois de andar uns anos por fora, estabeleceu-se em Rebordaínhos. Percebeu que nas aldeias já são poucas as pessoas que cozem o próprio pão e o seu sentido de oportunidade levou-o a abrir uma padaria – a padaria Diana – que instalou em Vale da Frunha. Encostado à estrada e virado para o vale dos Pereiros que se avista plenamente, o edifício da padaria é amplo e arejado como convém. À entrada, sob um telheiro, pilhas de lenha informam o visitante de que, ali, também se coze à maneira antiga.

A reportagem fotográfica data, já, de 2008 e foi a sr.ª Irene que me guiou a visita, devido aos muitos afazeres do Paulo e aos horários difíceis que a sua actividade implica. Mas explicou-me tudo muito bem.

Para facilitar a limpeza, o interior está integralmente revestido de azulejos e a maquinaria – fornos, masseiras, batedeiras – é de aço, com a robustez que convém. O asseio do conjunto pode atestar-se pelas fotografias. Da Padaria Diana saem produtos regionais como o folar da Páscoa, mas o que lhe granjeou a fama inicial foi o pão, cozido de acordo com os modelos e receitas tradicionais aplicados à maquinaria moderna.

O pão de Rebordaínhos, designação por que é conhecido aquele que o Paulo produz, vende-se, principalmente, nos hipermercados de Bragança, mas as encomendas que recebe de todo o concelho e, até, de fora dele, esgotam-lhe toda a produção. Diz-se, por Bragança, que o pão de Rebordaínhos é o primeiro a acabar-se. Bom sinal! Quem quiser comprovar o que digo, pode ler a reportagem publicada no Jornal do Nordeste em 2008 (clicar sobre o sublinhado).

O Paulo e a mulher asseguram, quer a produção, quer a distribuição. A sua carrinha, que um lindo logotipo identifica, logo de manhãzinha segue pelas estradas que tem de percorrer até aos destinos aprazados e, só no regresso, é que os dois se dão o direito a umas horas de sono. É uma vida dura, mas é muito bom que haja quem assente arraiais na terra e a mantenha povoada e activa. O Paulo é uma daquelas pessoas que prova que, com as ideias certas, é possível trazer algo de novo ao povo e crescer economicamente na aldeia. Bem-haja ele!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Actividades Económicas



I - AGRICULTURA

A FAMÍLIA DA SENHORA MARGARIDA




Hoje retomo o tema das actividades económicas da aldeia. Foram bastantes as pessoas que aceitaram falar comigo e, acredito, sentem-se um pouco defraudados por não verem nada publicado. A todos peço desculpa, lembrando, em minha defesa, que não foi por descaso e, muito menos, por desamor.

Porque a nossa terra faz parte do mundo rural, parece-me justo que inicie esta série referindo quem se dedica exclusivamente à agricultura e dela tira o seu sustento. De entre esses, destaco aqueles que devem ser os maiores proprietários: os herdeiros do sr. João Pires, ou sr. João Santo, como se preferir e a família não levará a mal.

Tudo somado, trabalham uma área de cerca de 62 hectares. A senhora Margarida é a cabeça de casal e tem no Toninho, o filho mais velho, o seu braço direito. Com eles, a tempo inteiro, também trabalha o Manuel, mas a Luísa e o Carlos não falham, ele nas férias porque está longe, em França; ela nas folgas e nas férias porque está mais perto, em Macedo.

Como acontece com todos na nossa terra, os muitos hectares desta família espalham-se por todo o termo da aldeia, o que acrescenta trabalho e despesa à produção. De acordo com a tradição, a castanha, a batata e o centeio são a principal fonte de rendimento, embora os tempos tenham dado nova feição ao trabalho. Possuem dois tractores, segadeira de feno, arrancadora de batatas, enfardadeira e outras máquinas que, se não substituem inteiramente a força humana, aliviam-na muito. Sem estas máquinas e sem poder contar com ninguém porque, no povo, quase só restam os velhos, seria impossível trabalhar área tão grande. Compensa ter tantas despesas com máquinas? Respondem que não, mas também não vêem grandes alternativas.

– “Ó mãe, está na hora de ir deitar as vacas!”, diz o Toninho, do cimo da magnífica escadaria de granito da casa. O cabelo revolto denuncia a sesta que acabou de dormir, costume há muito perdido nas cidades, mas tão necessário àqueles para quem o dia começa antes de o Sol arribar no céu. A senhora Margarida debagava uns erbanços que tinha a secar, pois é nessas tarefas, ou a fazer renda ou meia, que as mulheres de Rebordaínhos “dormem” a sesta, mas como os erbanços podem esperar e as vacas têm que comer, lá foi ela levá-las ao lameiro. Mal comparado, estas vacas são rainhas: da loje para o lameiro e do lameiro para a loje, percorrem as ruas da aldeia como majestades sereníssimas. Comem e descansam! Anda que no tempo do sr. João não era assim, não, que tinham que bulir muito! Estas são jungidas para semear nabal e batatas e para agradar a terra - meia dúzia de vezes, e pronto, está o ano feito!

O trabalho é muito. O Manuel ainda vai ao café, mas a mãe e os outros filhos nunca se vêem desocupados. Os dedos de conversa trocam-se enquanto descarregam o tractor, ou pelo caminho quando levam a vianda aos porcos. Mas não falham aos vizinhos se os encontram a braços com trabalhos mais pesados.

A casa, herdada do pai, foi arranjada e alargada, parecendo um palácio com as suas paredes brancas e janelas emolduradas em cantaria lavrada. O interesse de cada um confunde-se com o interesse de todos e, talvez por isso, vão conseguindo amealhar o bastante para terem conforto e desafogo. Se o mundo andasse direito, tanto esforço seria compensado com bastante lucro, mas como o mundo anda mais torto do que aquelas ervas engatadeiras que engatam pelos paus acima e lançam umas guias enroladas como rabo de porco, quem ganha são os intermediários que vendem caro como o lume aquilo que compraram por dez réis de mel coado.

“No tempo do meu pai, diz o Toninho e a mãe confirma, vendíamos o quilo do pão a 50$00 e a saca de adubo custava 600$00. Agora, pagam-nos o pão a 16 cêntimos e a saca de adubo custa 20 €! As batatas foram vendidas, este ano, a 10 cêntimos..." Basta fazer as contas para se perceber a dimensão do desprezo que tem sido dado à nossa agricultura. Devido a tais circunstâncias, aqueles que permanecem na terra, a trabalham e dela retiram o sustento merecem ser louvados e reconhecidos.

Fátima Stocker

sábado, 27 de setembro de 2008

António Rodrigo

Recordo-o como uma figura serena, ora sentado à mesa com os fregueses, ora atrás do balcão medindo metros de pano ou litros de arroz. Às vezes, quando o sol apetecia, punha-se à porta, naquelas grandes pedras graníticas que ainda hoje convidam ao lazer e à conversa.

Casado com a senhora Angélica Costa, o senhor António Rodrigo era o dono da “Taberna de Cima”, herdada de seu sogro, o senhor Belizário. O povo, que lhe chamava Trocho de nomeada, também lhe deu o epíteto de “Pai dos Pobres”. Nessas coisas o povo não se engana.

Naquele tempo, comprar fiado era condição de sobrevivência. As leiras de cada um davam as batatas e o feijão, alimento de todo o ano, cozinhados com uma lambedura de toucinho criteriosamente racionado desde a matança do cevado até à matança do ano seguinte. Os filhos eram muitos e dinheiro vivo só quando se vendiam as castanhas – quem as tinha – ou quando se recebia a paga de uma jeira em casa mais abastada. Nessas alturas, quem tinha o nome a encimar uma folha do “Deve” no livro do tio Trocho, apressava-se a ir saldar a conta ou a pedir para abater. Mas havia quem nunca o fizesse. Mesmo assim, continuava a aviar a todos com a mesma gentileza. Nem que fosse tabaco! – “Coitado, deixai lá, que tem o vício!” O hábito de tudo assentar para ter contas certas vinha-lhe do sogro. Nos livros de ambos tanto se regista a venda dos artigos como, por exemplo, a compra de uma porca a meias com alguém ou de uma mobília ao Adriano Oliveira, natural do Porto e tio e padrinho de quem assina este escrito, pela quantia de 3 550 000 Réis. Estava-se no ano de 1945 e, apesar de haver o Escudo desde 1911, os valores ainda se registavam em Réis. Não há revolução que vença o costume! Quem não souber as equivalências, divida por mil e obtém o resultado em escudos.

Tal como as outras – e chegou a haver três – a taberna de cima era um lugar onde havia de tudo para bastar às necessidades aldeãs. Pregos, relhas para a charrua, meias, bacalhau miúdo e graúdo, açúcar, pano a metro de cotim, chita e riscado que as costureiras, a tia Maria da Avó e a sr.ª Laura primeiro ou, mais modernamente, a Cândida e a senhora Julieta transformariam em calças, vestidos e camisas com que todos cobriam o corpo. O vinho não poderia faltar, servido a copo na própria taberna ou vendido ao garrafão para consumo caseiro quando secava a pipa comprada no Inverno. O tio Trocho abastecia-se de tudo em Bragança onde tinha fornecedores habituais, também eles na posse de livros de dívida, pois quem vende sem receber não pode comprar e pagar logo. Ia de comboio e, à volta, o filho Eurico esperava-o em Rossas com o carro de bois para carregar os fardos das mercadorias.

A certa altura, a Taberna de Cima acrescentou aos afazeres normais os deveres de posto público dos CTT. Era lá que, todos os dias, o tio Benjamim e a tia Elvira depositavam o saco do correio que iam levantar ao comboio a Rossas. Quem esperava notícias punha-se à coca de os ver passar e, em passo ligeiro, dirigia-se ao prado. Quem, normalmente, abria o saco era a senhora Angélica ou, nas férias escolares, a filha Maria Teresa que estudava para professora. Uma e outra iam chamando, à vez, os destinatários, em recriação serôdia de uma das mais belas cenas de Júlio Dinis na sua Morgadinha dos Canaviais. Eram quase todas cartas de longe, Brasil e França, algumas com o debrum colorido da “Via Aérea” e outras, emolduradas a preto carregado, anunciavam a tragédia. Nos anos assustados da guerra, muitos ansiavam pelos aerogramas de Angola, Guiné e Moçambique. Muitas pessoas ficavam para o fim, de carta na mão, à espera que mãe ou filha lhe decifrassem as letras que elas não sabiam ler. Outras procuravam familiares e vizinhos a quem a vida não obrigara a arredar da escola.

O serviço dos telefones era cumprido em quaisquer circunstâncias. Chovesse ou nevasse, fosse de dia ou de noite, a senhora Angélica lá ia dar o recado, a dizer que fulano telefonara e que voltava a telefonar dali a meia hora. Quando as forças lhe começaram a faltar era aos netos que incumbia de desempenhar a função. O telefone, inventado em boa hora, transformava-se muitas vezes em arrelia. Estou? Estou sim? Está lá? Ó diacho de telefone! E dava à manivela, zumba, zumba, às vezes até se cansar. Verificava a cavilha, mudava-a de posição. Zumba, zumba, zumba e nada. Quantas vezes nada, a não ser um barulho indecifrável sinal de avaria na linha. Deixe estar, tia Ingelca! Rendidas à evidência da ineficácia dos esforços, as pessoas guardavam os anseios de falar com a família até que o telefone voltasse a dar.

A par do soto, a família do Sr. António Rodrigo ainda tinha a fazenda e o gado para tratar. – Carai, que burros éramos! – desabafa o filho Eurico. Olha que íamos a lavrar com a cria e à vinda, para não cansar as vacas, trazíamos nós o jugo às costas! E no Inverno? À entrada do povo, que era tudo lodo, descalçávamos os sapatos para os não sujar, nem à casa. Que brutinhos, carai! Eu não sei se eram brutinhos, mas tenho a certeza que tamanho respeito pelos animais deveria envergonhar muitos ecologistas encartados.

Era o gado que mais lhes dava que fazer. Pai e filho não tinham mãos a medir: encerravam o gado às duas da manhã e às cinco já estavam a pé, prontos para o levarem para o pasto. Mesmo assim não deixavam de cumprir os seus deveres cristãos. O senhor padre Caminha, que sempre gostou de educar pelo exemplo, contava aos netos do tio Trocho que aos domingos, para poder ir à missa, o avô espetava uma vara no chão e embarrava-lhe o casaco em cima. Quando voltava ao sítio do pasto, o gado continuava lá todo, confiante de que aquele pau vestido era o seu pastor. Ajuda nestas lides só a tiveram já o filho Eurico se casara com a formosa Julieta da tia Glória. Esse pastor, bom homem não fora a mania de se esconder de quem lhe levava o almoço, esteve lá em casa durante vinte e três anos.

A quem tanto labuta para sustentar os seus ninguém pode levar a mal que se torne cioso do que granjeou. Não era assim o tio António Trocho a quem a vida, se feria, não azedava. Se lhe roubavam lenha era com um Deixai lá, se roubou é porque precisava… que aplacava a indignação da família. Ninguém que demandasse Rebordaínhos ficava sem abrigo. No seu cabanal chegaram a juntar-se para cima de vinte homens a quem fornecia cobertores com que enganassem o frio das noites. Ó Ingelca, faze lá um pote de caldo a estes homes que não têm que comer! Alguns tornavam-se amigos. Outros iam-se embora e levavam o cobertor.

Deixai lá, é porque precisavam!

O senhor António legou aos herdeiros a gentileza, o bem servir e a amizade. Deles falaremos depois, na rubrica dedicada às actuais actividades económicas da freguesia.

Fátima Stocker

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Actividades Económicas
Abastecimento de combustivel

Introdução - Já era nossa intenção colocar no blog informação sobre as actividades económicas dos naturais e residentes na nossa Freguesia, desde que exercidas dentro do Concelho de Bragança.

Nas nossas férias na aldeia fizemos alguma recolha de informação e agora, na medida em que tivermos tempo disponível, iremos divulgá-la aqui. Contamos com a colaboração de todos, para que a informação seja aprimorada. Assim, se alguém detectar alguma informação incorrecta ou incompleta ou se tiver alguma sugestão a dar, por favor contacte-nos através da caixa de comentários ou pelo e-mail que se encontra na aba lateral.


Gerência de: Fernando José Pereira Machado
Foto enviada por Regina Céu Fernandes



Para quem circula no IP4, entre Macedo de Cavaleiros e Bragança, este é o único posto de combustível existente ao longo desses 40 Km. A sua localização está assinalada no mapa constante da aba lateral do Blog.


Colaboração da Augusta Mata (fotos) e Regina Céu Fernandes com o nome correcto do Sr. Feliz, como é conhecido e foto do mesmo