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domingo, 23 de outubro de 2016

A PROPÓSITO DE UMA LENGALENGA

Esta também saiu da memória da tia Delfina:


Gri, gri, sai, sai
Que aí vem teu pai
Com faca de latão
Espetada no coração,
Ou então,
O grilinho
Sai à porta
Que a cabrinha
Está na horta.


Nós dizemos lengatenga, não é verdade?

- A esta não a conhecia, mas acho-a ternurenta.
- Mesmo com aquilo da faca espetada no coração?
- Sobretudo por causa da faca espetada no coração!
- Não poderia dizer-se “com a mão no coração”? É menos violento e rima na mesma!
- Pois rima, mas não faz rir! Uma faca de latão não é uma palaçoula! Se é de latão, dobra-se toda, não espeta nem mata! Imaginar uma lâmina que se torce e se dobra, a espetar-se no coração, faz rir, porque é um disparate! Assim como faz rir imaginar que um bicho, tão pequeno como o grilo, possa andar com uma faca espetada no coração, caminhando sobre ela enquanto a arrasta!

A parte educativa vem a seguir: se a cabra está na horta e o grilo está em casa, então a cabra come tudo e o grilo fica sem nada. Enquanto repete este disparate, a criança vai aprendendo uma grande lição de vida: "guarda o que te pertence" (Gén. 33,9). Ou, em alternativa, "guarda-te dos mais fortes" (ou dos mais lestos).

E foi isto que me aprouve dizer a propósito da lengatenga, com a devida ressalva de uma interpretação excessivamente livre do texto do Livro do Génesis.

Um bom domingo para todos.

domingo, 10 de janeiro de 2016

LENGALENGA



Tiroliro-liro
Meu pai matou um grilo
P’rà festa do Rodrigo
Todo o bicho convidou
Só a mosca deixou
E o piolho com a risa
Esfourou-se na camisa
Assubiu-se a ũa janela
A tocar na caravela
Caiu de lá abaixo
E partiu ũa costela


Esta foi-me contada pela tia Delfina, que se ria a bom rir enquanto imaginava a costela partida do piolho: "ora vede lá, a costela de um piolho, que taluda seria!"

Bem-haja tia Delfina!
_____
A imagem é de uma série de desenhos animados, intitulada "The Animals of Farthing Wood"

e foi retirada daqui.

segunda-feira, 9 de março de 2015

CONVERSAS PROPORCIONADAS [2]

O Paiva Couceiro deu para mais conversas enquanto se enchiam as alheiras.

Para as percebermos convém esclarecer melhor quem era a pessoa. Couceiro perfilhava ideais ultramontanos de monarquia e catolicismo, razão pela qual não dissociava o poder político do ideário religioso, ou seja, para ele, monarquia e religião sustentavam-se mutuamente: ambas estiveram na origem da Pátria; a Pátria tudo lhes deve e só poderá perdurar se essa união se mantiver. Dito de outro modo, Paiva Couceiro foi um precursor do integralismo lusitano que nas suas teses sustenta um modelo de monarquia absoluta - à D. João V - e uma prática religiosa baseada nas decisões severas e punitivas do Concílio de Trento (lembremos que, entre outras decisões, proíbe a tradução da Bíblia para as línguas nacionais). 

Quem ama a sua Pátria e perfilha aqueles ideais não pode aquietar-se perante a queda da monarquia e perante uma república que ataca a religião. Lembremos que, entre outras pérolas, a I República extinguiu as ordens religiosas, nacionalizou os bens da Igreja e proibiu as manifestações públicas de fé - por exemplo, as procissões! Que fez Paiva Couceiro? Tentou, até à exaustão, voltar a implantar a monarquia, provocando guerras civis e contribuindo para o clima de anarquia vivido durante aqueles anos de 1910 a 1926.

Os republicanos, além de o derrotarem, vingavam-se pela paródia. A Ester ensinou-me a cantiga:

                                          Ó Paiva Couceiro
                                          És um malandrão
                                          Acabaste com o dinheiro
                                          A toda a Nação!

                                          Ó Paiva Couceiro
                                          Tu não vales nada
                                          Acabaste com o dinheiro
                                          A toda a padralhada!

É de ir às lágrimas, não é? Reparem como a Ester se diverte a cantá-la... Desconheço a origem da cançoneta, mas sabê-la cantada em Rebordaínhos faz-nos pensar que as nossas gentes serão menos conservadoras do que à primeira vista possa parecer.

Uma boa semana para todos
___
Na fotografia, da esquerda para a direita: Ester, Julinha (da sr.ª Julieta e do sr. Eurico); Zeza (da tia Ofélia e do tio Amadeu "Couceiro") - ambas genras da Ester - e Cristina (da sr.ª Tersesa e do sr. João "Santa Combinha")

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Lengalenga

Eu sabia-a de outra maneira, mas dizem-me que a sabia engrolada. Grola ou não, a lengalenga sempre me aproveitou nas muitas vezes em que comi as azedas dos lameiros. Aqui a deixo na versão mais bem cozinhada:


Coxo aqui
Coxo além
Farracoxo que aqui tem
N.ª Senhora com um livrinho de ouro na mão
Se esta azeda tiver coxo
Não entre ao meu coração
__________
Adenda
O nosso leitor Paulo R.  teve a gentileza de deixar um endereço no comentário que fez a este artigo. Bem haja, porque nos permite aceder a uma interessante versão musicada desta lengalenga. Versão bem mais inteligível, diga-se em abono da verdade. Nela, o terceiro verso reza, com grande verosimilhança, o seguinte: "fora o coxo que aqui tem". Assim, já se compreende.  Obrigada ao Paulo e obrigada, também, aos autores do Capagrilos cuja versão incorporei aqui.



domingo, 28 de outubro de 2012

TRADIÇÕES

Reler os clássicos tem efeitos destes: veio-me à lembrança um dos nossos jogos de roda e agora não me sai da cabeça. Só que me não lembro de quase nada da letra. Quem, por favor, me ajuda a completá-la?

JARDINEIRA FLOREIRA

- Jardineira floreira 
Você o que é que tem? 
- Eu vendo cravos e rosas 
E outras flores também.

- Quanto quer pelo raminho
Dessas mimosas flores? 

- Só lhe peço um escudo
Porque lhe devo favores.





Todos os versos se repetem, um a um. E a graça que tem cantarmos "f(e)loreira" e "f(e)lores", para que a letra encaixe na música. É um doce de cantiga e estou em pulgas para voltar a sabê-la toda. Bem-haja a quem me ajudar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Foi desta!

E foi pouco animada a festa! Até jogos de roda se dançaram. Veja-se!



Parece que falhou um bocadinho da letra. Aqui fica toda (os dísticos são todos bisados):

Todos:
.................Seguir, vamos seguir,
.................Caminhos da nossa aldeia,

Raparigas:
.................Mostrando a nossa rendinha
.................E a nossa fininha meia.

Rapazes:
.................E nós os nossos calções,
.................Nossos bigotes bizarros.

Raparigas:
.................Nossos corpinhos bem feitos,
.................Perdoando os nossos pecados.

Rapazes:
.................As raparigas de agora
.................São poucas mas são bonitas,

Raparigas:
.................E a cama onde elas dormem
.................É no poleiro das pitas.

Rapazes:
................Estes rapazes de agora
................São poucos mas são valentes,

Raparigas:
.................Até podem co'a pia dos porcos
.................Atravessada nos dentes.

Mais reportagem da viagem


Bem, desta vez consegui. Estava a ver que não. Agora digam lá que não valeu a pena ser teimosa?
E não é que hoje falei desta marcha (??) à sra Julieta (mãe do Bino), e o que acham que aconteceu?
Pois claro, cantou-a de fio a pavio de imediato.



Eu ofereço esta pequena maravilha que o Victor fez questão de nos ensinar. Só os mais velhos souberam cantar.
Augusta

terça-feira, 1 de maio de 2012

UMA CANTIGA DE TRABALHO




Celebrar quem trabalha e o modo como o faz (ou fazia) é a minha forma de prestar homenagem a quem, com o seu suor, soube construir o nosso País.



CANTIGA DA SEGADA para cantar à hora do jantar, que é o meio-dia, tal e qual como o meu pai ma ensinou.





.................O LAVRADOR DA ARADA

.................Ó ditosa do lavrador que da sua arada vinha
.................Com o seu jugo às costas, a cavalo na burrinha.

.................Lá no meio do caminho encontrou um pobrezinho:
.................- "Lavrador, levas-me na tua burrinha?"

.................O lavrador se desceu e o pobrezinho subia,
.................levou-o para sua casa, para a melhor sala que havia.

.................Mandou-lhe fazer a ceia do melhor manjar que havia,
.................de galinhas e capões que outra coisa não havia.

.................Sentaram-se os dois à mesa, mas o pobre não comia:
.................os suspiros eram tantos que até a mesa tremia.

.................Mandou-lhe fazer a cama da melhor roupa que havia:
.................por baixo lençóis de seda, por cima lindas cortinas.

.................Lá pelo meio da noite, o pobrezinho gemia;
.................o lavrador se levantou, a ver o que o pobre tinha.

.................Encontrou-o crucificado numa cruz de prata fina
................- "Ai meu Deus, ai quem soubera quem em minha casa tinha!"

.................- "Cala-te aí, lavrador, que em tua casa falta nenhũa havia,
.................No Céu te estarão guardadas três cadeiras de fantasia:

.................Uma para ti, lavrador; outra para a tua família;
.................Outra para a tua criada, que ela também a merecia!"

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O BUÍÇA




Agora que falamos tanto de República, vem a propósito lembrar que tudo começou com um crime horrendo: o regicídio. Este é dos assuntos que gera debates mais acesos entre os historiadores, mas isso não é para aqui chamado. O que vem a propósito é que um dos dois assassinos se chamava Manuel da Silva Buíça e era natural de Vinhais, embora vivesse em Lisboa. Os transmontanos não lhe louvaram o acto e escreveram uns versos a propósito. Assim, mais uma vez da memória do tio Manuel:



...............................O Buíça de Vinhais
...............................filho de boas pessoas
...............................matou el-rei D. Carlos
...............................à entrada de Lisboa.

...............................Logo à primeira descarga
...............................el-rei D. Carlos falou:
...............................-Adeus mulher e meus filhos,
...............................a minha vida acabou!

...............................Ó Buíça, ó Buíça,
...............................ó Buíça, ó ladrão,
...............................mataste el-rei D. Carlos,
...............................tu te deste à prisão.

...............................Ó Buíça, ó Buíça,
...............................ó Buíça de Vinhais
...............................mataste el-rei D. Carlos
...............................com quatro tiros mortais!

...............................E o rei D. Manuel de Bragança,
...............................filho de D. Carlos I
...............................para se livrar da morte
...............................fugiu para o estrangeiro!

Nitidamente, estes versos foram escritos após a implantação da República, porque há um salto no tempo entre as duas últimas quadras.

Diz-me, também, o tio Manuel que uma sobrinha (ou prima?) do Buiça, chamada Gracinda, ia frequentemente a Rebordaínhos (normalmente no Verão) e ficava em casa do tio Pereira. Diz ele que o tio Pereira a conheceu em Vinhais, vila onde ia muito para tratar dos seus negócios. Essa rapariga chorava com vergonha, sempre que alguém lhe falava do familiar assassino.

O regicídio foi amplamente falado na imprensa nacional e internacional. Como não havia a disponibilidade que temos hoje de tirar fotografias, os artigos eram ilustrados com desenhos que tentavam ser fiéis aos factos. Deixo aqui algumas.

.............


Se alguém tiver curiosidade em ler uma descrição dos acontecimentos, aqui fica a página da revista "Ocidente".

_____
CARTA TESTAMENTO DE BUÍÇA

Manuel dos Reis da Silva Buiça, viuvo, filho de Augusto da Silva Buiça e de Maria Barroso, residente em Vinhaes, concelho de Vinhaes, districto de Bragança. Sou natural de Bouçoais, concelho de Valpassos, districto de Vila Real (Traz-os-Montes); fui casado com D.Herminia Augusta da Silva Buíça, filha do major de cavalaria (reformado) e de D.Maria de Jesus Costa. O major chama-se João Augusto da Costa, viuvo. Ficaram-me de minha mulher dois filhos, a saber: Elvira, que nasceu a 19 de dezembro de 1900, na rua de Santa Marta, número… rez do chão e que não está ainda baptisada nem registada civilmente e Manuel que nasceu a 12 de setembro de 1907 nas Escadinhas da Mouraria, número quatro, quarto andar, esquerdo e foi registado na administração do primeiro bairro de Lisboa, no dia onze de outubro do anno acima referido. Foram testemunhas do acto Albano José Correia, casado, empregado no comércio e Aquilino Ribeiro, solteiro, publicista. Ambos os meus filhos vivem commigo e com a avó materna nas Escadinhas da Mouraria, 4, 4º andar, esquerdo. Minha família vive em Vinhaes para onde se deve participar a minha morte ou o meu desapparecimento, caso se dêem. Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos. Lisboa, 28 de janeiro de 1908. Manuel dos Reis da Silva Buiça. Reconhece a minha assignatura o tabelião Motta, rua do Crucifixo, Lisboa.


Repare-se na data. Mataria o rei no dia seguinte, em conluio, pelo menos, com outro regicida, António Costa.

sábado, 2 de outubro de 2010

MEMÓRIAS

Vinha num dos velhos livros de leitura (3.ª classe?) e foi-me dita, de cor e de cabo a rabo, pelo tio Manuel:



........................................Em certa aldeia indigente,
........................................isto em tempos já passados,
........................................viviam muito santamente
........................................dois velhinhos bem casados.

........................................A mulher dizia ao companheiro,
........................................juntos os dois:
........................................- Se tu morreres primeiro,
........................................morrerei logo eu depois!

........................................E num coro afectuoso,
........................................ambos diziam ali:
........................................- Eu só peço ao Deus bondoso
........................................que me leve antes de ti!

........................................Nisto, uma pancada forte
........................................na porta se fez ouvir.
........................................Perguntam: Quem é? - A morte!
........................................Venham abrir!

........................................- Diacho, diz o marido,
........................................como há-de isto agora ser?
........................................Tenho aqui um pé dorido...
........................................Vai lá tu abrir, mulher!

........................................Mas ela logo se queixa:
........................................- Valha-me Nosso Senhor,
........................................este flato não me deixa...
........................................Vai lá tu, faz o favor!

........................................E a morte, enfadada,
........................................investiu pelo postigo:
........................................levou os dois velhos consigo!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

CONTA

VIII: MUNDO DE TOLOS


Era uma vez um homem que andava a correr mundo. Passou ao pé de uma igreja e andavam muitos homens a apanhar punhados de sol para dentro da Igreja. O sacerdote já era velhinho e não via. O homem perguntou-lhes para que era aquilo e prometeu-lhes que metia o sol dentro da Igreja. Subiu ao telhado e tirou umas telhas. Contentes com o resultado, deram-lhe muito dinheiro. Ele trazia um galo e deu-lho, para que anunciasse a madrugada.

Chegou à frente e sentiu gritar:

- “Ou! senhor, Ou! senhor!, que é que come o animal?
-“Come o que come a gente!”
Eles entenderam que comia gente!... Meteram o galo dentro de um palheiro e chiscaram-lhe fogo!

O homem chegou a uma seara onde andavam a ceifar. Punham o centeio em cima de uma pedra e, com outra, cortavam-no. Ele trazia uma seitoura e ofereceu-lha para segarem: - “aqui têm esta bicha fera!” Um cortou logo um dedo e começou a sacudir: - “Hi! Hi! cá me mordeu a bicha fera!” – Atirou com a seitoura e deitaram fogo à seara.

Mais à frente, encontrou muitos homens para derrubarem uma parede, mas era com ovos... Ele deitou-lha abaixo com um ferro.

Ainda mais à frente, chegou a uma casa. O dono queria-lhe dar de comer e foi à adega buscar vinho, mas, assim que chegou à adega, viu lá uma serra dependurada. Matutou que, quando a filha se casasse e tivesse um filho, a serra caía e matava-o! Admirada com a demora, a mulher foi-se a saber do homem e perguntou-lhe o que estava a fazer. Pôs-se também a matutar naquilo que lhe disse... Foi a filha, e, na mesma...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

MEMÓRIAS DE TRAGÉDIA ALHEIA


........................................Tudo se vestiu de luto
........................................A Nação estava de Paixão,
........................................Ao ver correr tanto sangue
........................................Mostra cruel compaixão!

........................................Lá na Nação de Espanha
........................................Foi uma barbaridade:
........................................Queimaram conventos e frades
........................................E mataram muitos padres!

........................................Entravam pelas casas dentro
........................................Sem pedir obediência;
........................................Matavam os donos das casas
........................................Sem ter dó nem consciência!

........................................Matavam grandes famílias,
........................................Matavam filhos e pais:
........................................Dentro daquela cidade
........................................Só se ouvem gritos e ais!

........................................Também as tristes mulheres
........................................Sofriam os seus martírios:
........................................Cortavam-lhes os bicos dos peitos,
........................................Ficavam c'o eles doloridos.

........................................Diziam que era o anti-Cristo
........................................Que andava a trabalhar.
........................................Rezavam as profecias:
........................................Isso tínhamos de passar!

Muito obrigada ao tio Manuel por me ter ensinado as quadras. Também me esclareceu sobre o significado da terceira e da quarta: pessoas armadas que se não identificavam entravam numa casa e perguntavam: "Quem vive?" A resposta só podia ser uma de duas: "Caballero" ou "Franco". Se as pessoas se calassem ou se dessem o "viva" errado, rebentavam-lhes uma granada dentro de casa com elas lá dentro. Esta explicação é magnífica pelo modo como ilustra a arbitrariedade da guerra!

O teor das quadras identifica bem o autor, um simpatizante dos nacionalistas de Franco, e a explicação sobre o "quem vive?" remete a informação para o início da guerra. Com efeito, Francisco Largo Caballero foi primeiro-ministro da Espanha republicana entre 1936 e 1937 (derrotados os Republicanos, viria a exilar-se em França onde foi capturado pelos nazis e levado para o campo de concentração de Sachsenhausen na Alemanha).

A história dos exilados espanhóis (nacionalistas no início, republicanos no fim) em terras portuguesas ou francesas é uma história de vergonha e desumanidade. Há por aí quem saiba outras quadras?
____
Escusado será dizê-lo, mas a pintura que ilustra o artigo é Guernica, obra admirável de Pablo Picasso.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

REIS

Embora com algum atraso, sói que se dêem as notícias referentes ao dia de Reis. O Tonho do tio Arnaldo escreveu um texto muito bonito que espero publicar brevemente, assim que me chegue a reportagem fotográfica que ele também fez (aguarda que passe a quezília ao computador).

Entretanto, o Rui Freixedelo fez o favor de enviar material importante e algumas informações. É sabido que o Sr. P.e Estevinho quer lançar um CD com os nossos Reis e, fiquei a saber, isso destina-se a angariar fundos para o restauro da "Casa da Residência". Muito bem pensado!

Este ano, visitas de outras terras enriqueceram a nossa tradição de dia de Reis e é dessa participação que tratam os três pequenos vídeos que o Rui teve a gentileza de enviar.

A acompanhar o cantar dos Reis estão, à viola, o Sr. P.e Eduardo Novo (de Balsamão) e o Sr. Prof. Artur Fernandes, no violino. O Artur Fernandes é filho do Duarte e neto do Sr. Amaro e da tia Maria da Avó. Ambos, nas palavras do Rui, "tiveram a amabilidade de se deslocar dois fins-de-semana até Rebordainhos (há 15 dias cantámos em Vilar Douro e Cabanas) para o cantar dos Reis."



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O Rui também enviou algumas fotografias que, tal como os vídeos, podem ser vistas na página que se abre se clicar sobre o sublinhado.

sábado, 9 de janeiro de 2010

CONTA


Não sei porquê, mas na minha cabeça esta história passa-se no Inverno e foi por isso que me lembrei dela. Com as temperaturas tão baixas e a nevar (quase) como nos tempos da nossa infância, pode ser que alguém ainda pegue nela para a contar aos netos.



VII
CORRE, CORRE CABACINHA

Era uma vez uma velhinha que tinha uma filha. Um dia, a filha casou-se noutra aldeia e convidou a mãe para lá ir. A velha, ao ir, encontrou dois lobos no caminho e eles, quando viram a velha, fizeram-se logo para ela e disseram-lhe:

– Olá, velhinha, nós vamos-te a comer!
–Não me comais agora, que estou muito magrinha! Eu vou ao casamento da minha filha. Quando voltar já venho mais gorda e depois já me podeis comer!

E a velhinha seguiu. Muitas festas no casamento! Ao chegar o dia da partida, a velhinha andava muito triste e a filha perguntou-lhe:

– Que é que tem, minha mãe, que anda tão triste?
– Olha, minha filha, é porque ao vir encontrei dois lobos e queriam-me comer e eu disse-lhes que me não comessem, que ao voltar já ia mais gorda e, agora, tenha medo!
– Ó minha mãe, não se aflija, pegue lá esta cabacinha, meta-se lá dentro e vá para casa sossegada!

A velha assim fez. Meteu-se na cabaça e pôs-se a caminho. Ao passar pelos lobos, os lobos perguntaram-lhe:

– Ó cabacinha, tu não viste para aí uma velhinha?
– Eu cá não vi nem velhinha nem velhão! Corre, corre, cabacinha, corre, corre, cabação!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ROSTOS

Retomando a saga, agora que é tempo de a neve voltar a cair

Desta vez nem me atrevo a pedir que se identifique mais alguém a não ser os nossos estimados professores. No entanto, se alguém quiser tentar, sinta-se à vontade. Assim sendo, o desafio consiste em tentarmos identificar os lugares fotografados.



Lugar

1 - Fonte da Vila, à descida para a canada da Ribeirinha ?

2 - Vale de Espada, avistando-se a Cabeça?







Lugar:

1 - Eira da cabecinha, vendo-se a casa velha do tio Mandinho?

2 - Horta da tia Estefânia, vendo-se a casa do Moreno?

3 - Horta e casa do tio Jarrete?

4 - Largo do prado e casa da Maralha?


5 - Terra do tio Carlos Chiote e palheiro anexo à casa da residência?

6 - Eira do Outeiro e palheiro do tio José Çuca ?

7 - Terra frente à casa do tio Carlos Chiote. A casa seria a primitiva do tio Alfredo Guerra, deitada abaixo. Ao fundo, a parte baixa da eira da Cabecinha

_________

A segunda fotografia foi alvo do maior número de alvitres. Lidos e cotejados todos os comentários, penso que devem ser excluídas as hipóteses 2,3 e 4. As restantes parecem-me mais verosímeis, mas carecem de confirmação. A ver vamos, se conseguimos.

(Actualização feita em 12/12/09)


terça-feira, 3 de novembro de 2009

ROSTOS


Vamos abrir mais uma gaveta das nossas memórias. Esta será mais fácil, porque mais recente. Quem se lembra, então, das pessoas destas duas fotografias?




À esquerda - Tia Zulmira Pereira


À direita - Ifigénia Pereira










Maria da Conceição Pires (Tia Vermelha)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ROSTOS

XI


Foi o Rui Freixedelo que me mandou estas duas preciosidades. Voltamos ao desafio?


Lugar - "Pataranhas - cortinhas"

1 - Judite
2 - Aninhas da Eira
3 - Tia Julieta (do tio Eurico)
4 - Tia Bernardete Alves
5 -
6 - Tia Emília (do tio Amadeu)
7 - Tio José Manuel Pereira
8 - Duarte Alves Pereira
9 - Tia Helena
10 - Ramiro Alves
11 - Tio Eduardo Alves
12 - Manuel Alves
13 - Tia Fernanda Alves
14 - Tio João de Deus Alves

Nesta, o lugar só um vidente o descobriria...

1 - Sr. Dona Maria
2 - Joana Rosa Alves (mãe do tio António Trocho)
3 - Maria Adelaide Rodrigo (filha de Joana Alves)
4 - D. Graça
5 -
6 -
7 - Tia Emília do Outeiro
8 - Manuel Joaquim Rodrigo (filho de Joana Alves)
9 - Sr. Professor
_______
Este ano não tirei fotografias da festa, por isso não houve reportagem. Mas o Rui fez o favor de me enviar algumas que podem ser consultadas aqui (carregar no sublinhado).

terça-feira, 8 de setembro de 2009

CONTA

V: O ROSÁRIO


Olhai que esta é verdadeira e foi-me contada pelo Rafael!

Era tempo de segada. O sr. Alfredo de Arufe, mais conhecido por Carabunhas, estava numa camarada de segadores que fazia a segada de um amo que devia ser muito religioso.

O Carabunhas, querendo fazer boa figura perante o amo, no fim do primeiro dia da segada disse-lhe:

- Eu gostava de rezar o terço, mas esqueci-me do rosário...

Aquilo passou, mas no segundo dia voltou à mesma e nos outros a seguir também. O amo, farto de ouvir as mesmas coisas, atalhou-lhe:

- Ouça lá, se quer rezar o terço não precisa do rosário! Guia-se pelas nozes da espinha: começa cá em cima e quando chegar ao cu é glória!

Imagem copiada daqui

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

ROSTOS

X


O Tonho da tia Lídia fez anos outro dia, não sei bem quando. Esta fotografia é um presente para ele.

Beijos, Tonho!

O desafio, no entanto, mantem-se: onde? Quem identificamos? Não numerei as pessoas contemo-las da esquerda para a direita.



Lugar: Arufe? Penacane?

1 - Sr. D. Maria
2 - Sr. D. Graça
3 - Tia Lídia
4 - Tia emília do Outeiro
5 - Tia Helena
6 - Tia Maria dos Santos (Checha)







Quando a Lurdes da tia Zulmira me mostrou esta fotografia, só conseguíamos ver o Sr. Professor. Mas a Sr. D. Maria também cá está, linda, distinguindo-se no meio de macavencos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

CONTAS

Vamos lá ver se ainda conseguimos rir-nos com os disparates ouvidos na infância...

IV

JOÃO BURRO

Era uma vez um rapaz muito tolo. Um dia, a mãe mandou-o com o padrinho à feira comprar um porco. Ele prendeu-o ao carro do padrinho e chegou com ele morto. A mãe disse-lhe porque o não tinha posto no carro do padrinho e como não teve resposta, disse-lhe:
__”Ó João, sempre és um burro!"

A mãe mandou-o novamente à feira comprar umas agulhas. O padrinho trazia um carro cheio de feno e ele pôs as agulhas em cima do feno. Chegou a casa e a mãe perguntou-lhe por elas. – "Vêm no carro do padrinho!"
__”Ó João, sempre és um burro!”

Mandou-o comprar manteiga. Ele meteu-a entre as ceroulas e o corpo. Chegou a casa com ela derretida.
__”Ó João, sempre és um burro!”

Os pais queriam que casasse com a filha do padrinho. Olha, disse-lhe a mãe, vais falar à filha do padrinho, mas atira-lhe com palavras doces!
Ele arranjou açúcar e atirou-lhe com ele.

A mãe mandou-o atirar-lhe com pedrinhas doces. Atirou-lhe com uma pedra e quebrou-lhe um braço.