sábado, 2 de agosto de 2008

Sem Título

Aqueles que hoje, e cada vez mais se vêem, atingem certos cargos à custa do cartão, normalmente reagem para com os seus subordinados como carrascos transformando vidas em autênticos martírios.
Não é um problema de agora, (mas existe, e muito), e nós reagindo, para além da luta calada, fica muitas vezes o orgulho de ver passar por nós estas aves raras.



SEM TÍTULO

De francas trancas o carniceiro
Mutilado por um mundo inteiro
Não sabe de quê, … nem talvez porquê…
Talvez por si só…, quiçá saberá?
E quando entender que alguém lhe quer,
Finge que não sabe, ou não vê…

Que a humidade deslize,
Gotas que o frio cristalize
Mil tormentos de cristal desfeitos
Arestas finas de sentimentos
Quimeras de maldade porque o são?
Vida e tempo no tempo dos eleitos.

De quatro se arrasta o lagarto
Ao sol se estica, e se demais aquece…
Depressa foge para a sombra fria…
Aguarda lento, calado. Ali permanece…

De repente como se a vida parasse
Teias brancas que a vida lança
Da sombra um “balido de dragão”
Movimento de fúnebre esperança.

Grita e alvitra, diz e manda dizer,
Com tudo por fazer, tudo faz,
Do nada sobra-lhe a sorte de ser
“O ser” de não fazer nada………

Orlando Martins (2001)

5 comentários:

Olímpia disse...

Orlando:
Estas aves raras, já não são tão raras assim!Infelizmente, frequentemente tropeçamos nelas, sempre nos fazem desiquilibrar e,muitas vezes fazem-nos cair.
A desumanização do serviço público (até mesmo dentro duma escola), começa a ser um sinal de alarme.
Há uns tempos atràs, conseguiam-se fazer, de entre os colegas de trabalho,bons e fiéis amigos.Aqueles amigos com quem podíamos conversar e relatar as nossas dificuldades e algumas confidências.
Agora, apercebemos-nos de que as pessoas mal podem dialogar umas com as outras com medo das chefias e de rivalidades doentias.
Continua Orlando, porque o nosso pensamento ainda ninguém o consegue parar ou controlar.
bjos
Olímpia

Augusta disse...

"Não há machado que corte
A raíz ao pensamento,
Não há morte para o vento,
Não há morte"
Palavras para quê? Tu dizes tudo. E, até que enfim, dás sinais de vida!
beijos e até já

Fátima disse...

Orlando

Somos o País de D. Sebastião. Salvadores da Pátria, entocados à espera de saltarem para a luz do dia existem, pelo menos, desde o séc. XVI. O nosso tempo não é muito diferente. Talvez a pouca diferença que existe esteja nos Dons Sebastiões/lagartos que agora, em podendo, esgueiram-se para a "sombra fria" de latitudes mais a Norte onde o Sol os tisna menos.

Tenho que te confessar que embatuquei nos primeiros versos. Em "francas trancas" devo ler "portas abertas"? Mas como encaixo a antítese do "carniceiro mutilado"?

Beijos e vê se deixas de te fechar em copas.

Sophiamar disse...

Mais um excelente poema do vosso amigo Orlando de quem já vi algumas fotografias. Uma delas com o seu cão. Um Castro Laboreiro? Confesso que não sou especialista em raças de cães pelo que atirei esta por ser aí do norte.
Voltando ao poema, que de um certo tipo de aves raras fala,penso que cada vez o são menos e nem vêm de África ou Brasil como acontecia nos séculos XV e XVI a bordo das naus e caravelas. São criadas mais perto.
Enfim,Orlando faça uns poemas de quando em vez. Eu irei passando para ler. Com muito gosto.

Um abraço

david disse...

ola eu sou um menbro da banda de carviçais e lurdes pereira foi sempre a minha patroa agradessia k me dessem o msn dela ou eu o meu carvicais_93@hotmail.com