
Andava o povo assustado
A fazer a montaria
Ao grande lobo esfomeado
Que tanto mal lhe fazia
Ele levava nos dentes
Agudos e carniceiros
Os meninos inocentes
Que são os alvos cordeiros.
E como ele desejava
Que tudo vivesse em paz
Enquanto o povo caçava,
O santo poeta que que faz?
Procura o lobo cruel
Tendo-o encontrado enfim,
Chamou-o e foi para ele,

Sorriu-lhe e falou-lhe assim:
Eu sei que fazes mal
Eu sei o que te consome,
Tu és tão mau afinal,
Mas és mau porque tens fome.
Pois bons amigos seremos:
Para nosso, e teu descanso,
Te daremos de comer
Para poderes ser manso.
Promete que hás-de mudar
De vida, neste momento,
Em sinal de juramento
Levanta a pata no ar
E põe-na na minha mão.

Jurou o lobo, e cumpriu.
Depois, toda a gente o viu
Tão mansinho como um cão.
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A primeira ilustração é uma pintura a fresco da catedral de Gubbio, (Itália) e a segunda é de Giotto, fresco da igreja de S. Francisco em Assis.