
As primeiras bruxas ou feiticeiras a caminhar sobre a Terra datam da época em que a Atlântida e a Lemúria ainda existiam, (muito antes de Rebordainhos). A Princesa Seyfried, que eu conheci, foi uma das últimas rainhas da Atlântida antes da sua destruição, e era conhecida como uma das mais poderosas feiticeiras de todos os tempos.
Após a queda da Atlântida, nas civilizações que se seguiram e após o Dilúvio, as mulheres não ocupavam muitos (alguns) cargos de conselheiras ou sábias, deixando este papel exclusivamente para os homens. As poucas bruxas conhecidas estavam associadas aos templos da fertilidade, dos prazeres e das deusas do amor como Astarté, Vénus, Ishtar e tantas outras.
As Velhas eram
bastante temidas por causa de suas terríveis maldições!

As Jovens possuíam
o charme
mágico e conheciam as poções e elixires capazes de seduzir qualquer homem...
A BRUXA PÉS DE CABRA
Desde que foi resgatada da Torre
do Tombo por Alexandre Herculano, a famosa anedota medieval da dona
pé-de-cabra, inserida nos Livros de Linhagens dos séculos XIII e XIV, tem
provocado indagações em torno da personagem insólita, geralmente associada a
estereótipos femininos negativos por sua suposta aliança com o diabo ou pela
expressão excessivamente libertária de sua feminilidade. Grande parte dessa
fama deve-se à re-textualização da história pelo escritor romântico, num
diálogo estilizante, nem paródico, nem parafrástico, que amplificou a narrativa
primitiva, interpretando-lhe as lacunas segundo a moral misógina do século XIX.
Efectivamente, é difícil ler o texto primitivo sem os ecos da versão
oitocentista por onde se disseminam os efeitos da dominação simbólica masculina
então em pleno vigor na sociedade ocidental.
MAS PASSEMOS AOS FACTOS
Eu não acredito em bruxas, mas que as há, ai isso há…
Decorriam, penso eu, os anos
sessenta, onde ainda se dormia em enxergões enchidos de palha fresca recolhida
no tempo das malhas vinda das searas com perfume a campo, os quais eram
enchidos por um buraco central, e que iria durar para um ano inteiro.
A palha era escolhida de entre a
mais branca e fofa, conhecida como colmo, pois iria servir para o descanso
diário dos trabalhadores rurais o que era mais que merecido.
Foi num colchão desses, coberto
por um lençol de linho, que me deitei naquela noite, e tinha como cobertura
dois ou três cobertores de lã, cujo peso me aconchegava e disfarçava a porta do
quarto, que com dificuldade se fechava, e que o cair da noite, com o terminar
lento da luz do dia acabava também a vontade de sair e ver o campo…
Mas a luz já era rara, e o medo
pueril de sair obrigava-me a ficar atafulhado até ao pescoço nos cobertores que
me protegiam…
A ténue luz prateada da lua, que
se tornara rainha, reinava agora entre caminhos, trilhos e fendas.
Eu, só naquele quarto, via no
tapume das paredes, pelas sombras que geravam, dedos disformes, unhas enormes
crescerem com o avançar da noite, e lentamente uma cara vinha surgindo, distorcida
pelo tecto de madeira, que com a sua negra cor ia ocupando todo aquele espaço
que eu queria que se fechasse.
Cerrava os olhos, tentava dormir,
espreitava as sombras que lentamente me estavam a encobrir, lembrei contos e
lendas, mas esgotado, deixei-me dormir.
Passados os sonhos e o descanso,
ouvi lá ao longe como chamando por mim uns sons que me recordaram a loje de
animais anexa à casa.
Era uma porta alta e aberta, sem
degraus nem acesso, onde me diziam que as bruxas, noite dentro, bailavam, se divertiam
e procuravam almas simples e puras que iriam possuir.
Foi assim que estremeci.
A luz do sol, que entretanto
vinha surgindo, apagava lentamente as sombras no quarto que me afligiam desde a
noite anterior.
Engano meu. De repente, ouço no
soalho da casa um som……………
Tento identificá-lo.
Tac… tac…
Parou.
Eu, recordando o que me disseram,
fico muito quieto, embrulhado nos cobertores.
São as bruxas aqui do lado,
pensei… E os passos sinistros encaminhavam-se para o meu quarto, tinha chegado
a minha vez...
Paulatinamente Tac.. tac… naquele
sobrado que servia como amplificador, cada vez mais me convenci que eram
sons de uns pés de cabra.
Era uma das bruxas de que me
haviam falado!
Tapei mais a cabeça e sustive a
respiração, era o meu fim…
Em casa não havia alma viva que
me acudisse…
De repente, num salto que
imaginei impossível, sinto os dois pés em cima do meu tronco, do meu peito. O
pânico tomara conta de mim!
Parecia que
brincava comigo, ora passo em frente, ora passo atrás.
O silêncio era
mortal.
O suor corria
por todo o meu corpo, e pensei, seja o que Deus quiser, vou-me libertar disto.
Tinha tomado
uma decisão, libertei-me dos cobertores, dei um grande grito e explodi:
Deixa-me bruxa!…
Para espanto
meu, do cimo da cama saía uma galinha amedrontada que pela manhã tinha ido
bisbilhotar aquele habitat.
Para mim foi
um dia que nunca mais esquecerei.