sábado, 19 de abril de 2008

Batata sem escoamento

Publna aqui este artigo que vi hoje na Imprensa regional, ele é um problema infelizmente bem conhecido por todos os produtores de batata da região, e também o é na nossa aldeia, onde os poucos que ainda trabalham a Terra, vivem da Batata e da Castanha.
Os preços que pagam ao produtor não chegam para cobrir as despesas (7 centimos por Kg,) como me contaram nesta Páscoa, e nós em Lisboa a comer batata de péssima qualidade e dez vezes mais cara!
Não sei o que se possa fazer para inverter esta situação, só sei ,que alguma coisa deve ser feita em prol dos produtores e consumidores, e em desfavor de outros intervenientes.
Haja alguém que diga a estes resistentes (para bem de todos nós) o que devem fazer para não passarem a vencidos.

Segue o artigo


Toneladas de batatas sem escoamento

Bragança

Produtores queixam-se da concorrência do estrangeiro e da falta de união de lavradores da região

Toneladas de batatas estão guardadas em armazéns do concelho de Bragança por falta de escoamento. Os produtores agrícolas queixam-se da feroz concorrência de Espanha, França e Marrocos, embora a maioria não queira dar a cara.

“Apesar de terem produtos de qualidade inferior aos nossos, estão tão bem organizados que conseguem introduzi-los cá, em detrimento dos nacionais”, adiantou um lavrador do concelho.

Para este produtor, deveria apostar-se, sobretudo, no escoamento de batatas portuguesas, ao invés de se vender, primeiramente, o produto estrangeiro. “Além das ajudas que têm, as cooperativas garantem o escoamento dos produtos nem que seja para países como Portugal”, lamenta o agricultor, que prefere manter o anonimato.
Assim, a produção de batatas começa a ser um risco, uma vez que nunca têm certezas quanto ao escoamento e venda do produto. “É um risco produzir, pois pode vir um ano muito bom, como no que passou, seguido de um muito mau”, sublinha.

A solução passa, então, pela união de todos os lavradores ou pela criação de uma cooperativa que “ajude a escoar as batatas e a implementar alguma regulamentação, como a fixação de um preço para a venda”.

Segundo o agricultor, as receitas das vendas não “cobrem, sequer, as despesas que temos durante a produção de batatas, pelo que é uma actividade que não compensa”.

A par da forte concorrência e falta de associativismo, os produtores acrescentam que a mudança dos hábitos alimentares ajudou a piorar a situação. “Antes a batata era a base de toda a alimentação. Agora, foi sendo substituída por outros produtos”, sublinham.

Deste modo, e apesar da qualidade superior, decorrente das características dos solos do concelho, as batatas da região vão ficando arrumadas em armazéns, enquanto produtos estrangeiros são vendidos a preços bastante mais elevados em grandes superfícies.

Sandra Canteiro, Jornal Nordeste, 2008-04-17

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2 comentários:

poesianopopular disse...

Esta é uma história que levaria muito tempo a explicar , mas que se resolveria rápidamente, se cada cidadão tivesse que justificar o que come diáriamente!
Pronto ! -mais não digo!
Abraço
José Manangão

J. Stocker disse...

Caro
José Manangão

Nós por cá somos todos de ouvidos!
Pode, se achat que tem interesse , publicar aqui ou no seu blog que eu coloco logo o mesmo.
No nosso caso penso que o encerramento da linha férrea também foi muito negativa.
Um abraço