quarta-feira, 1 de outubro de 2008

António Augusto Fernandes...

... o nosso Tonho acabou de lançar um livro e depositou em nós a enorme honra de sermos os mensageiros da notícia.

Há gestos que, de tão gentis, nos sensibilizam ao ponto de nos deixarem sem palavras.

A obra, editada pelo Centro de Estudos Aquilino Ribeiro, é uma colectânia de ensaios fruto dos seus estudos e intitula-se:

AQUILINO RIBEIRO - SOB O SIGNO DA TERRA E DO HOMEM

Na contracapa do livro é o próprio filho de Aquilino Ribeiro quem avaliza a qualidade da análise do António. Diz assim:

Entre os nomes que, desde longe, integraram o Centro de Estudos e que mais contribuíram para a qualidade da investigação que ali tem sido desenvolvida, evidencia-se o do Dr. António Augusto Fernandes. Os seus escritos e as suas intervenções públicas acerca de Aquilino sempre revelaram ampla familiaridade com a obra do escritor e invulgar inteligência para evidenciar como os aspectos circunscritos, que analisava, se integravam coerentemente no mesmo todo e, como tal, deveriam ser entendidos. O livro, que presentemente assina, corresponde a esses registos antecedentes, vertidos agora em moldes definitivos. Não creio que, a partir daqui, seja possível a qualquer investigador ou ensaísta tentar uma abordagem da produção aquiliniana sem tomar em linha de conta a palavra e as opiniões do Dr. António Augusto Fernandes. Ele acumula as qualidades que meu pai prezava nos que dedicam à pesquisa literária: -erudição, discernimento e aquela dose de imaginação necessária para sair dos caminhos que outros já trilharam e, partindo daí, construir uma hipótese de trabalho plausível, cujo desenvolvimento, seguindo uma metodologia lógica, permita chegar mais próximo da verdade.

Eng. Aquilino Ribeiro Machado

Na dobra interior da capa, o professor Henrique Almeida vai mais longe, referindo o valor literário dos textos do António:

Parte significativa da ficção aquiliniana encontra nestes ensaios uma muito rara sensibilidade literária, caldeada com uma sólida cultura humanista. O estilo de António A. Fernandes agarra e seduz o leitor, que se deixa enlevar pela sua escrita cristalina e se rende à arguta análise hermenêutica. A sedutora criatividade que transparece nestes textos serve modelarmente o propósito de conduzir à leitura apaixonada de Aquilino, tal o eflúvio de emoções estéticas que exala de cada página. Só de quando em vez aparecem livros assim, ao nível dos melhores estudos de referência, entre aqueles capazes de entender a portentosa obra artística de Aquilino Ribeiro.

Henrique Almeida (professor da Universidade Católica)

Deixo aqui uma passagem do ensaio dedicado a "O Homem que Matou o Diabo":

Macário percorre, de facto, a sua Estrada de Santiago, mas uma Estrada de Santiago em negativo, seja prque a percorre de Ocidente para Oriente; seja porque do espírito se vai convertendo à carne. É pois um peregrinar de desconversão, de um misticismo virado do avesso.

Cavaleiro não confirmado em graça, qual Lancelote, vai, como ele, sentir o aguilhão das tentações e, fraquejar. É, por isso, extremamente significativo que na sua inábil tentativa de se despojar da ganga mística que ainda o aperreia, Macário se sujeite, em seu operar, ao pendor místico de um amor platónico mal seguro em seu travejamento. Ainda que consciente da missão de que se investira, três vezes cairá, renegando da dama por quem se entrega à Ventura.
(pp233, 234)
______
A obra pode ser adquirida no editor (pela modestíssima quantia de 10€):

CENTRO DE ESTUDOS AQUILINO RIBEIRO
UNIVERSIDADE CATÓLICA
ESTRADA DA CIRCUNVALAÇÃO
3504 -505 VISEU

ou:
cear.aquilinoribeiro@gmail.com

7 comentários:

Fátima disse...

Tonho

Pouco mais fiz do que que folhear o teu livro, mas já deu para perceber que preciso de reler Aquilino e deixar-me guiar pelo teu olhar. Nem o Romance da Raposa -requisitado nas bem-aventuradas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian - há-de escapar!

O gesto bondoso que tiveste, de nos permitir dar a notícia em primeira mão (e de me forneceres os meios para tal)calou fundo no meu coração. Bem-hajas.

Beijos

J. Stocker disse...

Caro António

Agradeço a parilha com o Blog e a dedicatória.
Tenho esperança de um dia ver publicados em livro os textos de sua autoria que temos vindo a colocar no Blog sobre a etiqueta "Ares da Serra"
Quem sabe se um dia "os amigos de Rebordaínhos" não se juntam, contam os tostões e metem mãos à obra? Entre as etiquetas "Orlando Martins/Poesia, Ares da Serra, Arufe e Ecos do meu sentir" Já temos muita matéria.

Um abraço

lina warren disse...

Sinto-me obrigada a dizer que, realmente, apos ler varias vezes as palavras de Antonio Fernandes, nao me surpreende que o seu livro tenho sido publicado. E um prazer muito grande que tenho quando vejo as escrituras dele. Muito obrigada pela eloquencia e poder descriptivo.

Augusta disse...

Tonho:
Primeiro que tudo deixa-me felicitar-te pela publicação do teu livro. Está prometida a sua leitura.
E agora que te iniciaste nestas lides das publicações, será que um dia podemos deliciar-nos com uma compilação dos teus textos acerca de Rebordainhos?
Agora deixa-me dar-te uma explicação. A Lina Warren é natural de Rebordãos e reside há 29 anos nos Estados Unidos. É minha cunhada e, honra-me muito que seja uma visita bastanta regular do nosso blog.
Um beijo e aguardamos mais surpresas tuas
Augusta

céu disse...

António,

Quando soube que tinhas publicado um livro, pensei logo em "Ares da Serra".
Acredito que estejas a pensar nessa publicação, nem faá sentido se assim não for.
Foi bom saber como adquir este.

Filinto Martins disse...

Olá Primo:
Com que então eu tenho a felicidade de reler Aquilino, mas de Rebordainhos.
Quando li o "Aidinhas" disse para os meus amigos: só o Aquilino poderia escrever um texto como este.
Quando escrevo e comparo com os teus textos,lembro-me do célebre ditado latino: "Ne sutor supra crepidam".
Vou adquirir e ler calmamente os teus escritos. Olha que o Aidinhas sempre dizia, quando regressava com as suas cabras:"os lobos andam piegos".

Fátima disse...

Peço desculpa ao António porque enchi de gralhas a citação que dele fiz.

Por favor, alguém me diga quando me vir tropeçar!