sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Perenidade


Com efeito, para onde quer que se volta a alma do homem, é para seu sofrimento que se fixa em outro lugar que não seja em ti, embora se fixe em coisas belas fora de ti e fora de si, que, no entanto, não existiriam se de ti não recebessem o ser. Elas nascem e morrem, e nascendo como que começam a ser, e crescem para se aperfeiçoar, e uma vez perfeitas envelhecem e morrem: e nem todas envelhecem mas todas morrem. (Santo Agostinho, Confissões)

Às vezes apetece-me dar ao tempo, o atributo que Santo Agostinho dá a Deus: aquele que é fora do tempo. Este “fora do tempo” é a antítese de qualquer tempo porque significa perenidade, em oposição à finitude e à degradação.

Nas nossas paisagens tudo remete para esse "sem tempo", como se o Éden fosse vivo e possível.



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As fotografias são de um nascer do Sol em Outubro de 2007. Alguém será capaz de dizer onde foram tiradas?

8 comentários:

Fátima Amaral disse...

Estas paisagens ao"lusco fusco",são num souto,com alguns carvalhos como é demais evidente e agora despeço-me para dar lugar aos conhecedores de Rebordainhos e bons reparos também para a natureza.

beijos.

eduarda disse...

Pois está claro, que nem me atrevo a dizer onde foram tiradas as fotografias.
Atrevo isso sim, a dizer-te Fátima, que o Éden é possível, assim... tal nós o imaginemos.
As fotos aqui publicadas são disso imagem.É só sonhar! Bjos.

elvira carvalho disse...

Decerto que em Rebordainhos. Onde? pois não conheço a Terra. As fotos estão lindíssimas. Algumas fizeram-me lembrar o por do sol em África. Não vejo o nascer do sol há quase 50 anos. Quando era jovem e trabalhava na Seca do Bacalhau, muitas vezes íamos fazer o serão da manhã que começava às 5 da manhã e durava até às 8. Naquele tempo ainda não haviam estufas para secar o bacalhau, os dias eram pequenos e quando o tempo estava bom, às 8 da manhã o bacalhau estava todo estendido de pele para baixo em longas mesas de arame. De há uns anos para cá eu só vejo o pôr do sol, e como vivo num local privilegiado , pois não tenho nenhum prédio na frente, apenas um espaço de terreno livre, da minha varanda eu vejo um pinhal, o rio Coina, e o Seixal do outro lado do rio. E é aí, mais ou menos sobre o Seixal que o sol se põe todos os dias.
Um abraço e bom fim de semana

Fátima Pereira Stocker disse...

Fátima

São de um souto, sim, com carvalhal a ladeá-lo.

Beijos

Fátima Pereira Stocker disse...

Eduarda

Obrigada pelo modo positivo com que dás a volta ao texto.

Beijos

Fátima Pereira Stocker disse...

Elvira

Há vidas custosas! A sua e a das gentes de Rebordaínhos irmanam-se na vivência do sacrifício e da sobrevivência dolorosa.

Bem-haja pelo seu testemunho.

(Deixa para lá a identificação do lugar que é assunto secundário.)

Beijos

Anónimo disse...

Garota:
De uma coisa estou certa: se é nascer do sol, estavas voltada para ESTE.
Mas que as fotos estão lindíssimas, isso é bem verdade!!!!
beijos e, afinal, ainda não há castanhas,
Augusta

Isamar disse...

Imagens paradisíacas que o Divino Criador nos proporciona e um rebordainhense captou na perfeição, na hora certa.

Bem-haja, Fátima!

Beijinho