Já se calaram os sinos da minha aldeia.
Ficaram belos, pintados de novo,
Alpendurados no seu cabrestante,
Mas já não tocam…
Os sons do sino e da sineta,
Pendurados no campanário granítico da Igreja
Relevam-nos para os tempos idos dos nossos avós.
Mas já não tocam…
Já não se dobram os joelhos na arada húmida
Ao som das Trindades,
Em meditação e descanso vespertino.
Não, já não tocam as Trindades.
A corrente de ferro presa à cabeça do sino
Apenas está para memória,
Dos que ainda a hão-de ver…
Os badalos morrem de tédio,
Não seja um funeral chamar por eles,
E ali se mantêm quietos pendurados e pensativos.
Os sinos da minha aldeia tocam…
Dão horas e meias horas,
Com um robótico mecanismo
Cuja alma lhe expurgaram, mas
Mais segundo menos segundo dão o toque.
........................................Insensibilidade humana…
Os sinos são nossos,
E por mais que os pintem ou adornem
Permanecem na nossa vida,.
Embora não toquem.
Aleluia…..
Redobrem os sinos,
Façam-nos voltar,
Porque hoje é a festa das almas que os ouviram tocar.
Toquem os sinos…
Não a rebate para fogos,
Mas com o som angélico,
Que é de todos,
E no qual todos ficaremos.
.........................................Toquem os sinos da nossa aldeia,
.........................................Porque eu afinal, vou adorar.
Orlando Martins (2012)