terça-feira, 25 de setembro de 2012

ECOS DO MEU SENTIR -VIII-

POR: FILINTO MARTINS



Habituados à civilização deixámos as caminhadas, preferindo o automóvel, mas como os combustíveis estão pela hora da morte e as pernas necessitam de exercício, pois os anos vão pesando e alguma “neve vai na serra”, sacudida pelo vento deixa livre uma autoestrada, tento umas pequenas deambulações. Eis senão quando, olhando bem para o chão, não há por aqui vacas nem bois, mas há cães a mais, deparei na berma do caminho com umas figueiras-do-diabo.
Há quanto tempo as não via!... Há mais de cinquenta anos…

Calor, moscas, monotonia… aragem fresca de vez em quando. Ainda não havia televisão e as bibliotecas estavam à mão de semear, pois meu pai embora analfabeto era uma biblioteca-viva do saber. Como eu gostava de o ouvir contar pequenas histórias da sua infância, do seu saber adquirido pelos anos de trabalho a fio, agarrado a um pau, que servia de bengala, sentado no carro dos bois, com o queixo sobre a mesma, ora enxotando as moscas, ora coçando a barba rara que havia de cair às mãos do Armindo da Eira, semana a semana, me contou:

- Sabes, uma vez havia um patrão muito rico que era cego e disse ao criado:
- Amanhã, bem cedo, quero ir ver um terreno… aparelhas o melhor cavalo.
Logo eu atalhei:
- Se era cego como ia ver o terreno?
- Espera…

Com a mão calejada matou uma mosca que o não deixava livre no seu discurso… “Já foste, carai…”

- A terra era longe, pai?
- Se era… mas o cavalo andava bem. Olha que havia bons cavalos naquele tempo. Depois de muito andarem o criado parou e disse-lhe:
- Meu amo, estamos na terra que queria ver.
- Está bem. Olha: vais contar os passos da terra na largura… o comprimento não interessa.
- Vou começar, mas o meu amo segure a arreata. – Disse o criado.
- Não. Prende-me antes o cavalo a uma figueira-do-diabo.
O criado olhou à volta e disse-lhe:
- Patrão, aqui não há nenhuma figueira-do-diabo!
- Então escusas de contar os passos, vamos embora.

Como o meu pai tentou matar outra mosca e ficou calado, eu perguntei-lhe:
- Porque é que ele já não quis que contasse os passos?
Após um curto silêncio, sorriu, fechou os olhos e acrescentou:

- Ó burrinho, terreno onde não há figueira-do-diabo, não presta… Percebeste tu agora, como é que ele viu o terreno e era cego?


sábado, 22 de setembro de 2012

Padre Estevinho


Hoje Rebordainhos despediu-se do seu pároco de há 18 anos.
Devido à reestruturação efectuada na  diocese de Bragança e Miranda, o padre Carlos Estevinho celebrou hoje pela última vez na nossa aldeia. É lógico que ao fim destes anos, tínhamos já estabelecido laços de amizade tanto com ele como com a sua mãe e, a população acorreu, como é costume, ao lanche de despedida que foi organizado em sua homenagem. 
Também o "nosso" padre Jorge teve a amabilidade de vir do Alentejo para, também ele, prestar homenagem e agradecer a colaboração do Padre Estevinho.
A juventude quis dedicar-lhe uns versos que a Tilinha muito gentilmente me enviou, e que eu com muito agrado aqui publico.


Foi em setembro de 94
Que à nossa terra chegou
O Padre Carlos Estevinho
Que o senhor abençoou

Bem recebido por todos
Com carinho e amizade
Pois esta gente da serra
É muito acolhedora
P’ra quem chega a esta terra

Este nosso querido pároco
Simpático e bem disposto
Sempre pronto a atender
Todos os nossos pedidos
Para logo resolver

Amigo de toda a gente
Bondoso e atencioso
Para todos de igual forma
Desde a criança ao idoso

E para assim conviver
Não faltava às jantaradas
E no meio d’uns copitos
Lá soltava as gargalhadas

Nas festas de vez em quando
Mas no verão não faltava
O nosso querido Padre Jorge
Que pelo Alentejo andava

E estes 2 sacerdotes
Mostrando cumplicidade
Nas tarefas a cumprir
Repartiram gentilmente
Para assim da melhor forma
Atenderem a toda a gente

 Quanto aos horários das missas
Nem sempre foi pontual
Mas esta bondosa gente
Gentil e muito paciente
Pelo pároco soube esperar

Ao longo deste 18 anos
Muitos laços se criaram
Graças ao nosso sacerdote
Crianças, adultos e idosos
A Deus sempre louvaram

Que mais podemos dizer
Deste nosso querido pároco
Que Deus o possa ajudar
E lhe dê paroquianos
Que o continuem a estimar



Rebordainhos não lhe  disse ADEUS . O que lhe queremos dizer é ATÉ SEMPRE PADRE ESTEVINHO 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

VOZES QUE SE INSTALAM NA ALMA...

... pelo menos na minha.

Um convite, para quem quiser ouvir.













__________
Nesta página encontra uma selecção de cantigas de Luiz Goes (embora com algumas intercalações estranhas)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

APORIAS

Fot. Chanesco


Captar a luz – que se não prende…
Fixar o movimento – que se não detém…
Tornar eterno o instante efémero…
----------------------------------
Mostrar o que está à vista – e não se vê…
Fazer jorrar luz do que nada era…
Tornar real a imagem reflectida…
-----------------------------------
O pintor inscreve no tempo
Aquilo que ninguém sabia
Se existira.

___________ /// ___________

O Chanesco, do Arcaz, visitou-nos no dia da festa. Foi um enorme gosto conhecê-lo pessoalmente, a ele e à sua jovem filha com quem trocámos dois dedos de conversa.

Depois da visita, o Chanesco teve a enorme gentileza de nos oferecer algumas imagens que captou. Publico esta obra-prima que me fez mergulhar num mar de cogitações, embora só partilhe algumas aporias.
_______________
Aporia
(grego: aporía, -as, dificuldade)
[Filosofia] Dificuldade lógica.
[Retórica] Hesitação calculada.

in: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

SABEDORIA



Caem-lhe assim, na conversa, como quem não quer a coisa. São pérolas, ou melhor, são correntes de pérolas as frases que o Sr. Alfredo cria e nos oferece. De tão preciosas, corro a escrevê-las, para que me não esqueçam. Aqui vos deixo duas, para que as possais guardar também. Pena que sem o brilho das pérolas, que é a voz macia em que as escutei.

"O tempo guarda o que lhe pertence."

"Quem bem cuida encontra amigos."


E mais uma terceira, escutada pelo Sr. Américo (que bem apanhada!)

"Guarda o conselho de todos, mas o teu não o deixes."

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

PARABÉNS

Esta notícia roubei-a à Céu, que a publicou no blog da ASCRR :


Parabéns à Nathalie que foi colocada em Ciências Farmacêuticas na Universidade de Lisboa.

Parabéns, também, ao André, que entrou para Contabilidade no Instituto Politécnico de Bragança!

Para quem está longe há muito tempo, recordo a genealogia:

a Nathalie é filha da Guiomar (da sr.ª Julieta do Gomes) e do Orlando (da sr.ª Conceição);

o André é filho do Casimiro (da tia Maria Seca) e da Maria.

As famílias estão, certamente, muito contentes, mas tenho a certeza de que todo o povo comunga da sua alegria. Nós, aqui no blog, de certeza.

Um grande abraço para todos e muitas felicidades para a Nathalie e para o André!
___
Quem tiver outras informações que deseje ver publicadas, recordo que o nosso endereço electrónico é:
blog.rebordainhos@gmail.com

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Reencontro


Começo por explicar este título. A 3 de Junho de 2012, já muito próximo do final da viagem anual promovida pela Junta de Freguesia de Rebordainhos, o Sr João e a D. Filomena quiseram presentear-nos com uma visita a León e à sua Catedral. Surpreendemo-nos com a visita das relíquias de S. João Bosco, fundador dos Salesianos, e que tanto significado tem para a gente de Rebordainhos. Soubemos então, através do nosso padre Jorge, que as mesmas estariam em Bragança em Setembro.

 E ontem reencontrámo-nos com ele,  aqui na Nossa Senhora da Serra. Foi venerado por milhares de peregrinos, gente de todas as idades e diferentes condições, mas com uma coisa em comum: a fé inabalável em Nossa Senhora da Serra e que hoje saiu reforçada com esta visita que muito nos honrou e comoveu.

Deixo uma compilação do que tive oportunidade de recolher. 


parte da serra vista por quem sobe o "pingão
Nossa Senhora da Serra


mais uma parte da serra admirada por quem sobe o "pingão"
imagem do recinto com o aspecto actual

Gente de Rebordainhos

foram muitos os que não quiseram faltar

Os mais novos sempre divertidos...

Fizeram questão de mostrar bem a sua origem. Vejam os bonés

outros mostraram-se mais envergonhados

Este está sempre divertido

Um mar de gente

"Fizemo-nos" para a fotografia

No final apeteceram as farturas e... os tremoços

O recinto foi pequeno para tantos carros

Depois da procissão

pormenor do arranjo do recinto

outro pormenor do recinto

A paz e a beleza são uma constante

mais uma imagem a reter



domingo, 2 de setembro de 2012

ROSTOS


MAIS ROSTOS DA NOSSA TERRA

H
averá cinquenta anos,
Eram elas pequenitas,
Lado a lado as sentaram
Em cadeiras bem bonitas
(Não em compridos escanos).
Assim ficou registado

Como em certidão de idade.
Elas são boas amigas,
Lindas, sem falsidade,
Irmãs, boas raparigas.
Nada me sobra dizer,
A não ser meu bem-querer!



.........................Quem são elas, quem serão?
.........................Dê palpites quem quiser,
.........................Minhas irmãs esperarão
.........................Pelo primeiro que vier.



À esquerda - Maria Helena Alves Pereira
À direita - Celina Alves Pereira

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

REPORTAGEM ATRASADA

Antes de mais, deixem- me que diga: a fachada da nossa igreja está mais linda, porque foi limpa. Ficou assim:

Este ano foi-me impossível publicar as imagens da nossa festa em tempo útil. Creio, no entanto, que quem não esteve presente gostará de ver algumas fotografias, para poder fazer uma ideia de como foi.

Só fotografei a parte religiosa. Quanto à profana, posso afiançar que foi muito interessante o concerto que a banda de Carviçais deu no Largo do Prado. À noite, o arraial foi tão concorrido que quase parecia o da nossa juventude!.

Espero que gostem.



Pode ver melhor aqui
Depois de uma tarde inteira de trabalho saiu a desgraça que se vê no "filme". Quis fazer bonito mas tive que remediar. Tenham lá paciência.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Almoço de Homenagem ao Dr. José Moreno

No dia 04 de Agosto realizou-se um almoço convívio organizado pela Junta de Freguesia com o propósito de homenagear o Dr. José Moreno, médico há 30 anos consecutivos na nossa freguesia e a sua assistente Lúcia Martins que desempenhas as suas funções há cerca de 40 anos.
Podem ser consultadas algumas fotografias do almoço aqui (clicar).




Fotografias:
Zé Tomé (da tia Emília Pereira)
Zé Tó (do tio Orlando Martins)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Eventos

 II Encontro de Escritores Transmontanos

No dia 11 de Agosto de 2012 tem lugar em Macedo de Cavaleiros o II Encontro de Escritores Transmontanos. O Encontro é organizado pela Poética – Livros, arte e eventos e Tertúlias do Nordeste e decorre a partir das 15h00, terminando às 20h00 com um ‘mata-bitcho’. Durante o Encontro serão apresentados os livros Trás-os-Montes, de Tiago Patrício, e Os anjos nus, de A. M. Pires Cabral, com a presença dos Autores. 

Neste dia, será também inaugurada uma exposição de fotografia da autoria dos elementos da associação “Alustro – Clube de Fotografia A.M. Pires Cabral".

O evento decorre na Poética – Rua Pereira Charula, n.º 19, Macedo de Cavaleiros.





quarta-feira, 25 de julho de 2012

Joana Capela Pires

É já do nosso conhecimento que a Joana passou à fase seguinte do concurso de fados.
Acabei de falar com o Duarte (seu pai) que me disse que a Joana estará amanhã novamente em competição na RTP a partir das 14 horas.
Quem tiver oportunidade deve aproveitar para, uma vez mais, se deliciar com a ternura do cantar da Joana. E claro está, fixar o número de telefone para onde devem ligar e, mais uma vez ouvir: "obrigada pelo seu voto".
Um a um seremos muitos, e seguramente conseguiremos que a Joana vá mais além.

Augusta Mata

O número para votar na Joana é: 760 100 312

E aqui está o vídeo da sua atuação:

http://www.youtube.com/watch?v=_javv_WN7-o&feature=share
Os votos são muito bem atribuídos

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os sinos da minha aldeia

Já se calaram os sinos da minha aldeia.
Ficaram belos, pintados de novo,
Alpendurados no seu cabrestante,
Mas já não tocam…

Os sons do sino e da sineta,
Pendurados no campanário granítico da Igreja
Relevam-nos para os tempos idos dos nossos avós.
Mas já não tocam…

Já não se dobram os joelhos na arada húmida
Ao som das Trindades,
Em meditação e descanso vespertino.
Não, já não tocam as Trindades.

A corrente de ferro presa à cabeça do sino
Apenas está para memória,
Dos que ainda a hão-de ver…


Os badalos morrem de tédio,
Não seja um funeral chamar por eles,
E ali se mantêm quietos pendurados e pensativos.

Os sinos da minha aldeia tocam…
Dão horas e meias horas,
Com um robótico mecanismo
Cuja alma lhe expurgaram, mas
Mais segundo menos segundo dão o toque.

........................................Insensibilidade humana…
Os sinos são nossos,
E por mais que os pintem ou adornem
Permanecem na nossa vida,.
Embora não toquem.

Aleluia…..
Redobrem os sinos,
Façam-nos voltar,
Porque hoje é a festa das almas que os ouviram tocar.

Toquem os sinos…
Não a rebate para fogos,
Mas com o som angélico,
Que é de todos,
E no qual todos ficaremos.

.........................................Toquem os sinos da nossa aldeia,
.........................................Porque eu afinal, vou adorar.

Orlando Martins (2012)

DISTRACÇÃO





Não sei se vos acontece o mesmo, mas ao inferno do "bom tempo quente e seco" só consigo ultrapassá-lo pegando em literatura. Deixo aqui uma passagem saborosa de Eça de Queiroz:





Pela escada, o poeta das "Lapidárias" aludiu ao tórrido calor de Agosto. E eu que nesse instante, defronte do espelho do patamar, revistava, com olhar furtivo, a linha da minha sobrecasaca e a frescura da minha rosa - deixei estouvadamente escapar esta coisa hedionda:
- Sim, está de escachar!
E ainda o torpe som não morrera, já uma aflição me lacerava, por esta chulice de esquina de tabacaria, assim atabalhoadamente lançada como um pingo de sebo sobre o supremo artista das "Lapidárias" (...)! E debalde rebuscava desesperadamente uma outra frase sobre o calor, bem trabalhada, toda cintilante e nova! Nada! Só me acudiam sordidezas paralelas, em calão teimoso: - "é de rachar"! "está de ananases!" "derrete os untos!"

O embaraço do narrador/personagem compreende-se melhor se nos lembrarmos que andara durante toda a noite a pensar nas frases que havia de dizer:

E lembro-me de ter, com amoroso cuidado, burilado e repolido esta: "A forma de Vossa Excelência é um mármore divino com estremecimentos humanos!"

Eça de Queiroz, A Correspondência de Fradique Mendes, cap. II

domingo, 15 de julho de 2012

Joana Capela Pires

Fiquei a saber hoje que Joana Capela Pires, filha do Sr. Duarte Pires logo neta da tia Maria, está a participar num concurso de fados organizado pela RTP. Procurei mais informações sobre este concurso mas não encontrei, no entanto a sua tia Natália disse-me que a votação termina na terça-feira. 
Os meus parabéns à Joana pela sua fantástica voz.


domingo, 8 de julho de 2012

Um Começo


Li com grande satisfação esta notícia publicada no "Mensageiro" desta semana. Do fundo do coração, espero que seja o primeiro passo de um caminho de descoberta do nosso passado. Um grande aplauso, pois, para a Câmara Municipal de Bragança que, deste modo, reconhece o valor e patrocina a ciência. Palmas, também, para os proprietários que cederam os seus terrenos sem terem cifrões nos olhos.


P.S. O Mensageiro e a autora do artigo não me hão-de levar a mal a falcatrua de lhes publicar aqui o artigo.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tia Élia

Nem queria acreditar quando liguei o telemóvel e li esta mensagem da minha Olímpia: "Encontrei a Berta. Estava inconsolável pois a tia Élia faleceu!"

Ainda nem se fez a missa de cabo de mês pelo tio César e já choramos a partida da sua companheira de toda a vida. Somos nós que a choramos, sim, pois é de nós que se aparta quem sempre foi pessoa boa, digna e muito terna. E muito, muito amiga. Que Deus lhe pague.


Aos seus filhos, os nossos mais sentidos pêsames.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

PARABÉNS




Na Universidade de Salamanca, onde se formaram portugueses extraordinários como Pedro Nunes, Amato Lusitano ou Abraão Zacuto, doutorou-se hoje a nossa Augusta.

Estou tão contente e orgulhosa!

Parabéns, mana!

sábado, 23 de junho de 2012

Nostalgia

De vez em quando também apetece dar um saltinho às canções que marcaram a nossa juventude...

Quem tem mais de 50 anos lembra-se, certamente, da voz angelical da Mary Hopkin a cantar "Those Were the Days". O sucesso foi tão grande que, rapidamente, surgiram versões em numerosos idiomas. Deixo aqui a versão italiana, levezinha, cantada pela Gigliola Cinquetti e a portuguesa que, interpretada por Simone de Oliveira, lhe altera o conteúdo, transformando-a numa canção sobre um amor passado.

Enquanto procurava, aprendi uma coisa que, se calhar, só eu é que não sabia: essa canção, que foi um hino à rebeldia juvenil e às vitórias alcançadas nos anos 60 e 70, é uma melodia russa dos anos 20! Pu-la no fim de tudo. Antes dela, está a versão de que mais gosto, também ela em língua russa. Que voz! Quem me dera compreender o que ela diz!

Espero que gostem.

Mary Hopkin: Those Were The Days

Gigliola Cinquetti QUELLI ERANO I GIORNI




Simone: AQUELES DIAS FELIZES


EM RUSSO

VERSÃO ORIGINAL

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tio César


É com uma enorme tristeza na alma que aqui deixo a notícia do falecimento do ti César.
Homem bom e amigo de todos. Que a sua alma descanse na Paz de Deus!

À sua esposa, filhos, genros e netos as minhas sentidas condolências.
O funeral será amanhã pelas 14:30 horas, na igreja de Rebordaínhos

domingo, 17 de junho de 2012

mais viagens

E agora, quem adivinha onde foram tiradas estas ?



Acrescento que a 1ª e a 2ª dizem respeito a uma das viagens , enquanto a 3ª e 4ª são doutra (bem divertida por sinal).

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Viagens Anuais

No rescaldo da viagem deste ano, e porque a memória também é feita pelos acontecimentos recentes, partilho duas fotografias de duas viagens anteriores. A minha proposta é adivinhar o destino e o ano em que se realizou cada uma das viagens.

1ª Foto - Lourdes/Andorra - 2005


2ª Foto - LIsboa/Óbidos - 2004


Notas: Não vale cábulas, tem de ser de cabeça, senão fica muito fácil.
            Se alguém tiver fotografias de outras viagens, por favor partilhe.

domingo, 10 de junho de 2012

Tia Maria Amélia

Como toda a família, era profundamente devota de N.ª Senhora de Fátima. E Nossa Senhora chamou-a hoje, dia em que crianças de todo o Mundo lhe enchem o santuário.

Foi a tia Maria Amélia quem ofereceu a bonita imagem que todos os 13 de Maio sai em procissão pelas ruas de Rebordaínhos e por isso pareceu-me bem associar as duas. Tenho a certeza de que Nossa Senhora gostou.

"Tu falas tão bem, minha filha!" - disse-me na última conversa que tivemos, repetindo o que sempre me dizia de cada vez que falávamos. Com isso ela queria exprimir a alegria de ouvir o som de Portugal, pátria que sempre manteve no coração. E hoje é o 10 de Junho.

Às vezes, dar atenção aos sinais ajuda-nos a tornar a realidade mais suportável. Por isso falei neles. Pode ser que sirva de algum conforto aos meus primos

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Foi desta!

E foi pouco animada a festa! Até jogos de roda se dançaram. Veja-se!



Parece que falhou um bocadinho da letra. Aqui fica toda (os dísticos são todos bisados):

Todos:
.................Seguir, vamos seguir,
.................Caminhos da nossa aldeia,

Raparigas:
.................Mostrando a nossa rendinha
.................E a nossa fininha meia.

Rapazes:
.................E nós os nossos calções,
.................Nossos bigotes bizarros.

Raparigas:
.................Nossos corpinhos bem feitos,
.................Perdoando os nossos pecados.

Rapazes:
.................As raparigas de agora
.................São poucas mas são bonitas,

Raparigas:
.................E a cama onde elas dormem
.................É no poleiro das pitas.

Rapazes:
................Estes rapazes de agora
................São poucos mas são valentes,

Raparigas:
.................Até podem co'a pia dos porcos
.................Atravessada nos dentes.

Mais reportagem da viagem


Bem, desta vez consegui. Estava a ver que não. Agora digam lá que não valeu a pena ser teimosa?
E não é que hoje falei desta marcha (??) à sra Julieta (mãe do Bino), e o que acham que aconteceu?
Pois claro, cantou-a de fio a pavio de imediato.



Eu ofereço esta pequena maravilha que o Victor fez questão de nos ensinar. Só os mais velhos souberam cantar.
Augusta

domingo, 3 de junho de 2012

Picos da Europa - Viagem Anual


[Nota: Falta a Milita que foi quem tirou esta fotografia do grupo]

Realizou-se este fim de semana a viagem anual organizada pela Junta de Freguesia de Rebordainhos. Este ano a destino foi os Picos da Europa, no norte de Espanha. Como não participei na viagem não vou descrevê-la esperando que alguém o faça posteriormente. Partilho as fotos que o meu pai tirou na mesma viagem que podem ser vistas aqui (clicar). 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

MEMÓRIAS DE UMA ZELA [III]



EPÍLOGO EM PENACANE


Não sou ingénua – sei que destruíram o altar de Nabia para nos dar uma lição: ou nos submetíamos ou seríamos destruídos. Pior: poderíamos ser vendidos como escravos!
***

Parecia que a terra se tinha aberto e lhe saíam das entranhas. Eram enxames deles, semelhantes a escaravelhos em pé, de tão protegidos que vinham atrás dos seus longos escudos. Formavam fileiras intermináveis mas moviam-se como se de um só corpo se tratasse. Apareciam de todos os lados e adentravam pela nossa terra, galgando a distância num assalto organizado, obediente e eficaz.

Decidimos invocar o auxílio dos deuses, enviando os feiticeiros à sagrada fraga do berrão e pedimos-lhes que se não esquecessem de passar pela anta, pois tão notável sepultura deveria guardar o corpo de algum guerreiro valente ou poderoso sacerdote. Enquanto isso, com os parcos meios de que dispúnhamos, organizaríamos a defesa do nosso povoado.

De início tentámos uma defesa frontal, mas, como as nossas lanças e dardos se mostrassem inúteis perante a carapaça dos escudos deles, mudámos de táctica. Usámos a nosso favor o facto de estarmos em ponto alto, o que nos permitia arremessar pedregulhos que os faziam tombar, atrapalhando-lhes a marcha. Compensámos a desvantagem numérica pela organização em pequenos grupos emboscados que atacavam de surpresa, pelos flancos, e se escondiam velozes para atacarem de seguida noutro lugar. Assim nos aguentámos até que o Sol se escondeu. A noite não tardaria e os feiticeiros já deviam ter regressado. Mediante a resposta que trouxessem dos deuses, assim organizaríamos os dias seguintes.

Os feiticeiros, porém, não tinham regressado. Mesmo assim, montámos vigias e aquilo que observámos deixou-nos mais preocupados: o breu nocturno era quebrado pelos fogachos das fogueiras que os invasores acendiam para se aquecerem e prepararem as refeições. Luziam por todos os vales em redor. Estávamos cercados!

Era tão grande a inquietação que nem as crianças conseguiam dormir. Deambulávamos ao acaso por dentro da cerca, tentando entreter o tempo até que amanhecesse e retomássemos o combate. Subitamente, o silêncio da noite foi rasgado por enorme vozearia vinda do lado de onde nasce o Sol e todos subimos às muralhas para perceber o que se passava.

Oh! visão horrenda! Oh! filhos das trevas, que abominação tão grande cometestes! Sobre um enorme cadafalso iluminado pela luz de muitos fachos, erguestes cruzes bem altas. Presos a elas, atados de pés e mãos, agonizavam os nossos feiticeiros. Num crime de soberba sem limites, ornastes-lhes todo o corpo com os sagrados ramos do teixo!

Quase todos consideraram esta visão como um sinal dos deuses para que aceitássemos pacificamente a chegada do novo povo. Não me incluo entre esses, mas tive que me sujeitar como os demais.

Fizeram tudo rápida e ordenadamente como só eles sabem. Obrigaram-nos a abandonar o nosso povoado e a descer para esta terra mais abaixo, proibindo-nos de a cercar de muralhas. Comparando com aquilo que, contam, fizeram a outros (gabam-se especialmente dos lusitanos), connosco nem foram muito cruéis: permitiram que ficássemos por aqui e “deram-nos” terras, embora tenham vendido os mais aguerridos como escravos. Os que agora somos velhos, no entanto, guardámos para sempre a mágoa imensa de termos perdido o nosso modo de vida. E foi por isso que, quando nos perguntaram que nome dávamos àquele chão onde tinham erguido o patíbulo, lhes respondemos que era o cabeço dos cães(1). Iludidos pela semelhança com a sua palavra “pinna(2)” e, crendo que ali tivesse existido alguma fraga onde os cães se juntassem para uivar à Lua, aceitaram que assim ficasse: Penacane(3). Mas os cães do nome são eles, por causa do mal que lá cometeram!

Quem vos fala, para que de tudo saibais, é esta velha Zela, da comunidade dos Reburrinus(4).


___
(1)Cão, em latim, diz-se "cane"

(2) Pinna: rochedo, fraga

(3)Cito a entrada “Pena” do "Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa", de José Pedro Machado:
“Em alguns casos, pena, e seus compostos e derivados, pode representar o céltico penn, pen, «cabeça», «cabeço», «extremidade» (…).
Foi daqui que deduzi a possível confusão com pinna.


(4)De todos, este é o maior atrevimento que cometo. Quase nada sabemos dos nomes dos lugares dos Zelas: que Curunda é a sua sede e pouco mais. Reburrinus é nome próprio masculino e seduz-me muito a sua semelhança com o nosso Rebordaínhos, que em português arcaico vemos grafado "Rebordinos", "Rebordino" ou "Rebordayo". Reburrus, Riburra e Burrali são outros nomes próprios dos Zelas.

Não deixa de ser interessante uma outra perspectiva que poderá ter a ver com semelhanças fonéticas. Leia-se o verbete “Burro” no Vocabulário Portuguez e Latino de Bluteau (clicar na imagem para ampliar: "Diz Festo Grammatico, que os Antigos dizião Burrus em lugar de Rusus [Ruço], Ruivo, Burrum dicebant Antiqui quod nunc dicimus Rusum (...)