Esta semana o conjunto de fotos em concurso, eram todas de excelente nível, e vale apenas visualizar as mesmas. Na minha modesta opinião a que merecia vencer é a que se encontra na pnultima fila do lado direito sendo a sua autora a Carla Ferreira
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Jornal Mensageiro - Comunidade fotográfica
Esta semana o conjunto de fotos em concurso, eram todas de excelente nível, e vale apenas visualizar as mesmas. Na minha modesta opinião a que merecia vencer é a que se encontra na pnultima fila do lado direito sendo a sua autora a Carla Ferreira
domingo, 25 de maio de 2008
Fonte do Sapo
Fátima, este poema dedico-o à tua família.
A inspiração veio-me da "Fonte do Sapo" onde, naquele "vale" – lameiros – jorrava água perene.
Não sei porquê... Talvez saiba, o teu pai mostrou-me, à sua maneira, uma maneira de ser feliz.... Obrigado.
Este poema é ir à procura, ser feliz partilhando.
Do chão e da terra de ninguém
Jorravam vindas não sei d’onde
Transparentes bolas de cristal
Espelhos côncavos da fonte.
Jorros de água que saciam
Sussurros de sons permitidos
Monotonia que embala
A vida… e os destemidos
Deus sabe… e agora,
Joelhos e calças molhadas,
Que injustiça… e de tudo embora,
Dêem-me setenta vezes sete chicotadas…
Fico feliz da bebedeira por sede
Da frescura e da vontade
Do ter nascido e sentir a saudade.
E aqui estou eu, de novo a nascer,
A beber a liberdade…
Orlando Martins (2001-12-19)
À data em que o Orlando escrevia este poema estaria meu pai a dizer-me: “filha, a vinha está vindimada!”
Eis que os tais nós de garganta nos dedos tolhem a palavra. Falarei, por isso, da Fonte do Sapo.
É um vale largo, necessariamente de lameiros, tais os ribeiros que lá desaguam no tempo da chuva. Muita dessa chuva, recebida nos montes, infiltra-se e vem rebentar mais abaixo, em pequenas nascentes de água, a boa companheira para quem se mete ao caminho.
Em cima, uma fraga domina a paisagem. Vista de baixo parece poiso de águias, mas quem é do sítio sabe que é ali que se apartam os trilhos de quem quer ir para mais longe, Pòrto, Vila Seco ou Malhada Velha. É levada do diabo a tentação de cortar caminho, metendo pelas terras dos outros – lameiros frescos – ao invés de seguir pela secura do carreirão certo, à estorreira do Sol. Os joelhos molhados de quem se debruçara para beber da nascente eram a prova do delito. “Que mal tem isso?” respondiam as almas boas às outras atrapalhadas.
A Fonte do Sapo é lugar de calma imensa que convida às histórias de encantar. Quem lhe inventaria a frescura do nome?
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Memórias - João Pereira "o Fouce"

Desequilibrava-se, mas não se deixava vencer.Tinha que se aguentar.
Uma lágrima escorregava devagarinho, rosada, quase transparente. Ninguém via. Só tu notavas, pai.
Não queria admitir, mas parecia-me mais velho.Muito mais velho.
O seu rosto, triste e enrugado como o chão da serra. Cheio de rugas fininhas, onde se destacava a cor pálida e o olhar cansado dos seus olhos.
O cabelo branco, todo branco como neve.
Estava triste, o pai.
Na rua, e apesar de ser Verão, morava o vento da Sanábria. Aquele que nos obrigava a manter a porta fechada. Ninguém falava. Só o vento.
Tentava afugentar os pressentimentos que se recusavam a sair do meu pensamento.
Agarrava-lhe a mão. Acariciava-o.
Queria que aquela tristeza muda largasse o seu coração. E, comovida, deixava-me perder nas agradáveis memórias de, quando à noite, o ouvia contar, colado ao granito das paredes, as aventuras de quando galgara montes, descrevera trilhos, veredas e carreiros por onde passara, quando, na calada da noite, os lobos lhe saíam ao caminho.
E, ao lume, na paz da lenha a arder e da candeia a bruxulear, ouvia-o falar das aventuras e da amizade só possível entre gente humilde e sacrificada. Dos companheiros do arado e do suor que, alegremente, todos abandonavam numa pinga de vinho ou na sombra do descanso.
Não queria descer da nuvem de abstracção que me envolvia.
Tudo ficara parado como se, de repente, tudo se passasse em câmara lenta.
E, embrenhada entre giestas e urzeiras, via-me a transportar no braço uma cesta.
Ouvia a sua voz e o mugir meigo das vacas a lavrarem os castanheiros. Comovida, parava diante duma flor. Cheirava-a e chamava-o. Chamava por si, pai.
Depois, estendia a toalha no chão, debaixo dum castanheiro ou de alguma carvalheira e, cuidadosamente, colocava pratos, talheres e as panelas com a sopa e as batatas com bacalhau. E, com uma imensa felicidade, observava-o a comer e a limpar o suor da testa, com um lenço que tirava do bolso das calças.
Lá ao longe, as serranias.
Despegava-se tanta calma e tanta vida, que os meus olhos abandonavam o corpo e perdiam-se na imensidão.
Desci desta nuvem.
Lá fora, o vento parara.
O sol já brilhava na janela.
Ouvia-se o chiar de um carro de bois a passr na rua.
O pai, milagrosamente, levantou-se da cadeira e, desfazendo-se em forças, lá se foi arrastando até à varanda. Debruçado na grade, espreitava.
Imóvel e silencioso, contemplava.
E, enternecidamente, sorriu ao ver os animais que puxavam aquele carro, talvez pensando que da sua junta de vacas se tratasse.Com um enorme brilho nos olhos, perguntou:
-"Então, para onde vais hoje"?
Fotos enviadas por visitantes do Blog
Foto tirada da varanda da entrada da casa da família no Bairro da Portela
Obrigado João Manuel!
Pelourinho

A menina com a cesta no braço, emigrou posteriormente para o Brasil. E, segundo me disse em tempos minha mãe, é uma irmã da tia Zulmira e, como tal nossa prima também.
O local onde se ergue hoje o Pelourinho, sofreu intervenção por parte da actual Junta de Freguesia e,está muito bonito. Lindíssimo como sempre.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Fotos enviadas por visitantes do Blog
Fotos enviadas por Regina Fernandes relativas à festa do ano passado (em honra de Nossa Senhora do Rosário. Esta festa realiza-se em Agosto, embora lhe pertença ser em Setembro. A atenção que os emigrantes merecem justifica a mudança).
Nossa Senhora do Rosário, novamente
Santa Maria Madalena, a padroeira
Fotos enviadas por Rui Freixedelo
O pelourinho e a fonte adjacente (vista do adro da igreja), em pintura oferecida à Junta de Freguesia. Creio que a autora é a esposa do João da Régua. Rui, queres dizer-me, por favor, o nome dela, que me não lembro?
Novamente a festa de Nossa Senhora do Rosário. À frente, Santo António, depois S. Silvério (para nós, o das trovoadas e da chuva excessiva); a seguir o Sagrado Coração, depois, Nossa Senhora de Fátima e, ao fundo, encostado ao pálio, o Divino Senhor
Rui, lembras-te de que ano é a fotografia? Foi tirada da varanda da Esmeralda ou do café em frente? Coitadita da horta da tia Estefânia, podendo dar tão boas batatas, está cheiinha de ervas!
___________________
Estas fotografias, consolo-me com elas. Sobretudo a segunda.
Aqui, a fachada da igreja. No adro (esperando que a procissão saia, ou que entre?), estão o João Manuel, o "Santacombinha" e o "Chefe"
Quem diz que não temos a nossa torre de Pisa? É o nosso pelourinho!
A casa de janelas manuelinas que se vê à direita era, na altura, a "casa dos senhores professores". Hoje, felizmente recuperada, é a casa do Toninho e da Alzira (ver fotografia da procissão. É a casa que se vê ao fundo, à esquerda).
Esta fotografia tem, provavelmente, mais anos do que eu. Mas ainda me lembro de quando as ruas não eram calcetadas e, terminada a apanha das castanhas, as pessoas juntavam as folhas dos montes e espalhavam-nas pelas ruas: diminuía o lamaçal e os perigos das geadas grandes. Mais tarde, essas folhas serviriam para estrumar as terras. De ecologia sabiam os transmontanos!
Será possível identificar as pessoas? Com este tamanho não vejo bem. Alguém ajuda?
_________
Aproveitamos para pedir aos visitantes do Blog que, na medida das suas possibilidades, nos mandem fotografias antigas para que possamos publicá-las. Do povo e das gentes do povo, para matarmos saudades e contarmos as suas histórias. Bem merecem ser contadas!
Obrigada, Rui e obrigada Céu (a Regina)
Fátima Stocker
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Sementeira de Cogumelos?
(Apesar de lindos, não creio que os resalgares, roquelhos venenosos, integrem o projecto)
Se a J.F. Vilar de Lomba conseguiu montar o projecto, porque é que em Rebordaínhos não se poderá experimentar? Terrenos existem, homens e mulheres com vontade também, só é preciso encontrar alguém que congregue vontades e se disponha a coordenar! Para já penso que seria interessante alguém da nossa junta visitar o projecto em Vilar de Lomba, isto para o caso de considerarem interessante esta ideia dos roquelhos...
Vinhais - Sementeira de cogumelos
A Arborea, no âmbito do desenvolvimento e gestão do recurso
micológico, está a proceder a uma sementeira de cogumelos,
na área da futura Zona de Intervenção Florestal de Lomba, no
concelho de Vinhais. A iniciativa, conta com o apoio da empresa
Micoplant, do Programa PRORURIS, Empresa Municipal, dos
aderentes da ZIF de Lomba e da Junta de Freguesia de Vilar de
Lomba.
Este campo de ensaio experimental tem como objectivo a sensibilização dos proprietários para o aproveitamento deste recurso e conseguir alertar as pessoas para os benefícios dos cogumelos, não só em termos económicos, mas também ambientais. Note-se que os cogumelos ajudam a manter os soutos mais saudáveis.
A sementeira iniciou-se ontem à tarde, em Souto, e continua durante o dia de hoje, em área de Pinhal. Ambas as sementeiras
têm lugar em Vilar de Lomba.
Aproveitando os novos apoios do Proder, que vão contemplar a
produção de cogumelos, esta poderá ser uma oportunidade para
as pessoas, individualmente, ou agrupadas em ZIF, conseguirem
aumentar o rendimento das suas explorações florestais.
Carla A. Gonçalves
Ver entrevista com o responsavel da empresa MICOPLANT no Marão on line, onde se descreve sumáriamente a sementeira.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Jornal Mensageiro - Comunidade fotográfica
Já foi publicada na edição impressa do Jornal Mensageiro a fotografia vencedora do concurso da foto da semana da comunidade fotográfica on-line do referido Jornal.
sábado, 17 de maio de 2008
Interlúdio
Vídeo realizado para o III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, organizado pela CTNAD de Lisboa. (Reino Maravilhoso - 1ª. parte)
sexta-feira, 16 de maio de 2008
"Ser Transmontano"
A ORIGEM
Por trilhos, …caminhos antigos,
De lendas e contos repetidos
Marcados “pari passu”
No calor do ferro e do aço…
Da terra nua, fria e crua
Que te verga e lembra a
Saudade.
Destino ou impotência real
Que perante realidade tal
Já mais não sofro, mas sinto
A meus pés – de lés a lés….
O ser transmontano.
De Aníbal a famílias de Adriano
- o Avô –
E de outros, os seus filhos
Tais como, António, Manuel, João, José
E outros….
E o meu pai
Que pelo valor que tem
O canto em canto próprio.
Orlando Martins (02.01.2002 / 11-2005)
****
A imagem inicial é particularmente sugestiva: os muitos passos, a caminho do trabalho, são passos acompanhados e horas de ensinamento. Os caminhantes somos nós e quem nos acompanha é nosso mais velho que, em cada curva, em cada fraga pisada ou avistada, conta uma e outra vez histórias de vitória ou de medo, de estranheza ou de alegria. Esse contar sempre outra vez dá-nos raízes, firma-nos a uma identidade que, um dia, seremos nós a repetir para continuarmos “o ser transmontano”.
“O ser transmontano” é pertença tremenda. A terra “nua, fria e crua” tanto fere como mata, mas aprisiona as almas como as fragas fazem às mouras encantadas.
O Orlando mostra a ânsia de falar das origens – forma de gritar quem é – saltando directamente da História (Aníbal) para o sangue (Adriano, o avô, mas também imperador de Roma). Tais alusões são, ainda, um modo de elevar ao estatuto de quase divindade aqueles que travam a guerra infindável contra as forças da natureza: os nossos. É nesse elevar tão alto que melhor se manifesta o carinho e a admiração profunda para com os transmontanos de que destaca, naturalmente, o pai.
É por tudo isto que faz sentido publicar este poema em artigo imediatamente a seguir àquele que dedicámos ao Tio António.
Nota: queres tu, Orlando, explicar os versos “Marcados pari passu / No calor do ferro e do aço”?
Fátima Stocker
domingo, 11 de maio de 2008
António Martins
Fotografia de Raul Coelho tirada de Olhares.com
Nesta belíssima fotografia, tirada em 2006, vemos o tio António Martins, ou António Piloto como todos o conhecem no povo, figura muito querida por toda a gente da aldeia.
O tio Piloto é casado com a tia Maria, que é da Graça, mas a quem todos chamam a Fecisma, alcunha que herdou do nome adulterado de sua mãe. Ambos trabalharam muito, cultivando as suas terras. Fizeram-no quase sempre sem recurso a máquinas, com as próprias mãos armadas de enxadas e amparados pela junta de vacas, numa labuta tremenda. Era na extensão do trabalho que se distinguiam dos vizinhos.
No Verão também eu me fazia vizinho e, quase sempre, antes das cinco da madrugada, era ouvi-los a falar um com o outro e com os animais (porcos, coelhos, galinhas):
- Reco, reco... anda lá p'ra trás, ladrão! Ó Antonho, ajuda-me aqui a abrir a porta dos porcos!
Pouco depois, já saíam com o carro para o trabalho e aquele chiar melancólico era, para mim, como o último toque do despertador.
Como todo o povo, cultivavam pão e trigo, linguagem que o aldeão transmontano sabe interpretar. Mas o seu orgulho maior eram as batatas. Terras e terras cheias delas certificadas.
- "Houve um ano em que fizeram um concurso e eu concorri. Fiquei em segundo lugar. Vê lá bem: em Portugal inteiro só houve um homem que produziu mais batatas do que eu. E éramos 800 a concorrer!
- "Era muito trabalho! Mas eu gostava daquilo!" – A luz que lhe ilumina o olhar confirma, uma por uma, cada palavra que profere.
O tio António, junto aos seus silos, no ano do concurso dos produtores de batata. Teve direito a uma deslocação da gente do cinema de Lisboa que lhe ofereceu a fotografia.
Hoje, o tio António já não tem a sua junta de vacas. Nem consigo imaginar o quanto lhe deve ter custado desfazer-se dos animais, ele que falava da cria como se de pessoas sábias e inteligentes se tratasse. "Compreendem tudo", dizia, "aprendem tudo; quase já não é preciso mandá-las!" Mas a idade, que dá passos mais largos do que as nossas pernas e chega mais depressa do que os sonhos concretizados, assim o exigiu e o tio António resignou-se a trabalhar menos.
O tio António foi Presidente da Junta de Rebordaínhos e nunca recebeu um tostão por isso. Chegada a idade, e tentando acrescentar alguma coisa à reforma, o regime, que devia ser justo para se chamar democrático, respondeu-lhe que, para poder acrescentar a reforma, tinha de proceder aos descontos devidos. De que vencimento, é que lhe não souberam dizer!
O tio António é homem de poucas letras mas de muito saber e argúcia. Onde outros viam obstáculos, ele tentava vislumbrar oportunidades. Por ser assim é que se decidiu, há mais de cinquenta anos, a escrever a Salazar. “Tu és maluco” – diziam-lhe – “ele nem vai ler a carta”; “nem sequer sabes a direcção para onde escrever!” Nenhum argumento o demoveu, convencido que estava desta verdade: “nada temos a perder.” Dando uso à perfeita caligrafia que os senhores professores sempre exigiram e que as circunstâncias impunham, lá disse ao Presidente do Conselho que a igreja paroquial de Rebordaínhos ruíra; que o povo tirou do descanso e do bolso magro o necessário para a reconstruir, que a obra, não lha podendo mostrar, acreditasse nele, embora sem luxos, orgulhava qualquer um, mas que faltavam cinquenta contos para dar o trabalho por findo. Pouco tempo depois, o dinheiro aparecia e o povo pôde voltar reunir-se com o Senhor num lugar digno de ambos.
O tio Piloto e a tia Maria criaram cinco filhos que mandaram estudar para Lisboa, que por lá ficaram, mas que visitam os pais sempre que podem, trazendo consigo os seus filhos.
Quem olhar atentamente para a fotografia que abre este artigo reparará que, entre a casa e o carro de bois, se vê a cabeça da tia Maria. Preocupado com o carro de bois, o mais certo é que o fotógrafo nem sequer tenha reparado que estava a captar uma realidade antiga, quase intemporal: a realidade da mulher aldeã, sempre a trabalhar, dividindo as horas do dia entre duas labutas, a da casa e a da terra.
Muito do êxito do tio Piloto vem-lhe da força e do querer da tia Maria, mulher que nunca andou devagar e cujas mãos nunca se viram paradas. Camisolas, meotes de lã ou de linha, vestidos das raparigas ou calções dos rapazes, tudo saía das suas mãos habilidosas e do seu muito bom gosto, tudo feito durante os longos serões de Inverno, em sua casa ou na dos Fouces seus vizinhos e parentes. E as mãos que davam corpo a tamanhas belezas eram as mesmas que, durante o dia, espalhavam estrume, apanhavam batatas e agarravam na enxada para arrancar ervas daninhas. Depois de muito bem lavadas, nos dias ou no tempo certo, coziam o pão e tratavam do fumeiro, alimentando a família com fartura.
A Tia Maria e o seu delicioso fumeiro
Fotografia tirada pela Olímpia (Natal de 2007)
O tio António, a tia Maria e três dos seus filhos: Orlando, Maria Augusta e Zé (sentado). Fotografia tirada pela neta Ana.
Nota: as palavras sublinhadas são ligações. Basta um clique sobre elas para que se abra a página sugerida. Em todo o caso, fica aqui o endereço do hotel do Zé em Mondim de Basto:
Fátima e João Stocker
13 de Maio
Como não pudemos estar presentes, a Augusta (que herdou da mãe a mordomia de N.ª Senhora de Fátima) enviou-nos as fotografias. O andor está lindo! Como sempre, diga-se em abono da verdade. As mãos da Augusta são as obreiras da maravilha. Conta todos os anos com os novelos que sua sogra, a senhora Benedita, de Rebordãos, lhe guarda religiosamente para enfeitar o andor no 13 de Maio. Este ano, a cor que acrescentou ao conjunto são “as flores amarelas das couves do horto.” Que bem ficaram lá!
Hoje, a imagem de N.ª Senhora não ficou sozinha em exposição, contando já com a companhia das figurinhas dos três pastorinhos. Faz mais sentido assim.
Obrigada, Augusta!
Fátima Stocker
Jornal Mensageiro - Comunidade fotográfica
A foto do cesto de Castanhas foi colocada por mim a concurso, embora seja da autoria da Fátima
Preços e horários dos voos - Bragança - Lisboa
SECÇÃO: Informação Regional - Semanário Nordeste
Bragança/Lisboa – 61,39 euros
Lisboa/Bragança – 70,33 euros
Ida e Volta – 122,62 euros
(Partidas)
Bragança/Lisboa – 7: 30 e 16 horas
(Chegadas)
Lisboa/Bragança – 11:30 horas e 20 horas
terça-feira, 6 de maio de 2008
Camilo

Foto cedida pelo Orlando Martins
De uma caixa de fósforos tirava sons de encantar e ritmos que espantavam quem nunca ouvira tal. Se se sentava, era do banco que fazia tambor, ou do tronco cortado de uma árvore, ou de uma lata largada ao acaso.
Do Camilo sabíamos que dormia em nossas casas, que comia do nosso pão com toucinho e que se prontificava para cumprir um favor que lhe pedíssemos. De nós ele sabia, muitas vezes, até o que cada um desconhecia.
Naquela altura não se via um preto nas redondezas, mas, não sei porquê, a aldeia aporfilhou-o e eu tornei-o meu companheiro. O Camilo era um Homem negro, negro da noite que vestia, noite negra de igualdades. O medo que inspirava à noite, quando na solidão se refugiava, transformava-o em romaria quando ao nascer do sol se atrevia, lentamente, a tocar, pedir e viver só. Este preto fez crescer em mim sentimentos de amizade e compreensão.
CHEGAVA O COMBOIO
Noite fria esperava cansado
O Preto “Camilo” tamborileiro…esperava…
Enfim… o som “côvado do carvoeiro”…
O comboio chegava…
Eu. Não esperava ninguém…
Na descida incerta ao chão gelado
Na noite da montanha agreste,
Na bruma clara do frio Nordeste,
Ali estava aquele Preto calado…
Chorava um ano de solidão…
Calava saudades de amor…
Esperava-o, …vi-o, e senti a dor.
Da triste alegria de um companheiro só.
O abraço para mim era um laço…
Do partir de mim e ter ninguém…
Do renascer tudo, aqui e além…
Do chegar da noite e ter luz.
O caminho era longo e as conversas…
Conversas, tantas vezes paradas,
Medo de as perder inacabadas
Sem que o fim e as saudades as terminem.
Canto um caminho longo
Chego a casa e prolongo a vida
E logo me ataca a fadiga
E a dor e o amor de dividir.
Eu vou dormir …
Fiquemos aqui…
A noite é minha,
As noites são tuas “Tamborileiro”,
Amigo…
Vamos dormir.
Orlando Martins (2001)
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Jornal Mensageiro - Comunidade fotográfica
Digo "as fotos" porque foram duas as que venceram: uma nossa, tirada ao pé de um velho castanheiro chamado Margatoso, com resalgares (cogumelos venenosos) que estavam ao redor dele. A outra foto é de Raul Coelho que apresenta sempre belissimas fotos.
Parabéns Raul Coelho, excelente trabalho! Se fosse só eu a classificar, a mesma seria vencedora destacada!
(as fotos vencedoras aparecem na 1ª. linha e com uma bola no canto inferior direiro)
Nota: No link acima poderá ver e votar nas fotos a concurso desta semana, bem como ver como pode participar
sexta-feira, 2 de maio de 2008
No rescaldo de Abril
O Orlando, além de bom amigo, guarda talentos insuspeitos de pintor e de poeta.
Hoje, apresentamos aqui um poema seu que é versão de um dos mais belos sonetos de Florbela Espanca. É uma forma de, usando da liberdade poética, continuarmos a festejar a liberdade que Abril nos deu.
Ser poeta é ser mais alto…
É ser mais do que ninguém
Gritar como quem canta…além…
É ser maior do que os homens…
É amar, é ser, e não ser amado…
Desejar quem se deseja…
Morder como quem beija…
Dar tudo sem o sentir…
É ser Rei, saber pedir…
É ser mendigo e dar como quem seja
Um homem que rasteja por amor
Dos reinos de aquém e além dor
Ser poeta é ser desejado…
Incompreendido, inconformado…
É ter de mil desejos o esplendor
É nem saber sequer que se deseja
É nascer, lutar e renascer…
É falar sem medo, é calar…
É ter cá dentro um astro que flameja
É ter asas e garras de condor
É ter fome, é ter sede de infinito
E por defesa, meu Deus, me permito
Ter o elmo das manhãs de oiro e cetim,
Para que calem e passem o meu grito
Na guerra onde se agasta
Nos chãos onde se arrasta
Dos resto do homem que fiz
Deixai-me só…poeta e feliz
E antes que me julguem
Irei gritar, farei tremer….
Condensar o mundo num só grito
Descansar até morrer
É amar-te assim perdidamente
É ser alma e sangue em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente…
Florbela Espanca / Orlando Martins 2001
De um modo geral existe sintonia no entendimento que ambos fazem do que é ser poeta: ser mais, ser maior, amar alguém. As diferenças – que existem – surgem ou em estrofes inteiras, ou em versos soltos. Assim, se Florbela se satisfaz em afirmar que ser poeta “é ser mendigo e dar como quem seja / rei”, o Orlando inverte os termos afirmando que “É ser Rei, saber pedir”. Por outro lado, se o rei da Florbela é “Rei dos reinos de aquém e de além dor”, o mendigo do Orlando “rasteja por amor / dos reinos de aquém e além dor”.
O elmo – “as manhãs de oiro e de cetim” – de que Florbela fala é de fora para dentro: protege-a do mundo. O elmo do Orlando é de dentro para fora: as manhãs servem-lhe para calar o seu grito.
A poetisa nunca se afasta do eu, mas o Orlando acrescenta, antes da chave de ouro, seis versos (uma quadra e meia) que, podendo ser interpretados como manifestação do eu, se afiguram como o eu voltado para o mundo, um eu poético preocupado com a guerra e a humilhação do Homem. Por que outro motivo estariam os dois primeiros versos desse conjunto escritos na terceira pessoa (“Na guerra onde se agasta / Nos chãos onde se arrasta”)?
Dito de outro modo: servindo-se de cada uma das palavras de Florbela Espanca, o Orlando Martins quebrou-lhes a estrutura, alterou-lhes a ordem e a métrica e fez um poma totalmente novo de que gostei muito.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Parque Eólico da Serra da Nogueira (PENOG) - 2 -
Este artigo publicado no Mensageiro , da autoria de Ana Preto veio ajudar a esclarecer algumas duvidas que tinhamos sobre o PENOG. Ainda vamos procurar saber quais as freguesias que fazem parte do mesmo.
Subestação de Macedo de Cavaleiros operacional, no próximo ano, permitirá avançar com o processo que dura há 10 anos
A instalação de um parque eólico na Serra de Nogueira, abrangendo os concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Vinhais, poderá avançar no próximo ano, logo que esteja concluída a subestação de Macedo de cavaleiros, a instalar pela Rede Eléctrica Nacional (REN). A intenção de construir este parque dura já há uma década. Há seis anos o processo começou a ser liderado pela PENOG
Palavras certas

As pessoas sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão"
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
De grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem
Sophia de Mello Breyner Andresen