domingo, 18 de novembro de 2012

As nossas cores













































Porque hoje o dia esteve bem iluminado, deixo o meu contributo.
E agora, onde foram tiradas?

sábado, 17 de novembro de 2012

PAISAGEM OUTONAL

Por estes dias, o chão deve começar a carregar-se de vermelho. Não estarei lá para poder documentar, mas publico estas fotografias tiradas pela Olímpia, no início da temporada das castanhas. Foi para os lados de Vila Seco (podem ser ampliadas clicando sobre uma delas)



 















sábado, 10 de novembro de 2012

ECOS DO MEU SENTIR - IX -

POR: FILINTO MARTINS

Há mais de cinquenta anos…
A primeira aula de audiovisual… e não só.

            
    Ao reler pela “… ésima” vez Trindade Coelho, vem-me à memória a passagem:
                “- Olha lá, Josezinho, tu queres ser militar, queres?
                - Corneta, mais quero ser corneta. Ou então como o senhor prior: dizer missa.
                - Corneta ou prior…?
                - Preferia ser prior…
                - Muito bem … Telha de Igreja!
                - Sempre goteja – concluiu Helena.” ….
             
Como os tempos mudaram! Será que mudaram? Mudaram. Já houve comboio e silos em Rossas. Já houve segada, malhas e moagem em Rebordainhos. E hoje? Há memórias de tudo isso. Naquele tempo, sem luz elétrica, era à luz da candeia que se aprendia. Oh! Se aprendia… Meu pai, como a maioria dos homens de Rebordainhos, aprendia muitas coisas nas feiras de Bragança, três vezes por mês e nos Chãos, por duas vezes. Nesta era uma reciclagem.

Certa noite, enquanto descascávamos as castanhas para dar aos cevados (eram biqueiros!), hoje os porcos (com sua licença) são outros. Era um desafio, a ver quem mais descascava. Sendo eu o mais pequeno, meu pai, às escondidas, deitava no meu monte algumas castanhas descascadas para eu me sentir encorajado e dizer no fim, às minhas irmãs, que eu tinha ganho. Ele não tinha estudado o condicionamento operante de Skinner, mas já sabia dar um reforço positivo ao citote.

Foi numa noite dessas, depois de uma feira em Bragança, não sei se foi na de 12 se na de 21, mas o conhecimento fora aí adquirido. Eis a explicação do audiovisual:
“Dizem que daqui a pouco vamos poder ver uma pessoa a falar, atrás dum vidro, como uma caixa. É mesmo assim e se a pessoa for à volta não vê ninguém atrás. Foi o que me contaram”. 
Nem sei o que pensei, mas no dia seguinte pus o Fernando ao corrente da “ciência”, mas a minha explicação de mestre não surtiu qualquer reação nele, pois ficou com dúvidas. E que dúvidas!

Estava eu a dar-lhe esta explicação quando apareceu a tia Maria dos Santos, sempre de mansinho e para pedir algum favor, que não tardou:
- Ó Fernando, vai buscar-me esta “remeia” de água, à fonte da Ribas. (Não sei se ainda existe).
- Ora… depois…
- Anda lá, Fernando! Olha, quando morrer deixo-te tudo. 

Lá foi o Fernando buscar a água… e muitas vezes mais, pois água só na fonte ou na bica do Prado. Que saudades desse chafariz! Ali devem ter ocorrido muitos namoricos, enquanto a bica chorava para os cântaros já cheios.

Acho que o Fernando enquanto foi buscar vezes sem conta água à fonte, pensou na promessa, até que um belo dia, quando o pedido lhe foi novamente solicitado, ele retorquiu:
- Ó Tia Maria, a senhora nunca mais morre!
Resposta pronta e carinhosa:
- Malandro! Deixa lá, anda que eu não posso…

A Tia Maria era boa, mansa, sofrida e “manhosa”, na opinião da minha mãe que era “atraganada”, mas era mesmo boa. Que Deus as tenha em descanso e paz, pelo pouco descanso que tiveram nesta terra.
Muitas vezes aparecia junto à nossa porta, encostada ao cancelo, ali desfiava as suas mágoas com a minha mãe. Mãos debaixo do avental, olhar distante aparecia sempre o diálogo:
- O teu Adriano também está lá?
- A igreja não lhe cai em cima. – Acrescentava a minha mãe.
- Eu não os socorria, podia vir quem viesse…

Palavras ditas da boca para fora, pois mal chegavam a casa tratavam logo de lhes aquecer a comida.
O diálogo era sempre o mesmo. Era um martírio para elas, mas à distância, que outros divertimentos tinham aqueles homens dobrados pelo trabalho duro do campo? Nenhuns. Vem a propósito aquele provérbio espanhol:

                Beber até tombar é de censurar;
                Beber até cambalear tão pouco é de aprovar;
                Uns golitos de vez em quando e vamos andando.”

Era nestas alturas que também aparecia a “atraganada” com as suas:
- Ó Maria, queres uma laranja?
- Elas são doces?
- Amargas que nem rabo de gato.
- Come-as tu… ainda se fossem docinhas – enquanto se afastava e dirigia no seu calvário diário em passos lentos para casa, olhando para o caminho a ver se o seu Manuel vinha para casa. Mas não, não vinha… Vinha quando o sol se punha.
Mal dobrava a esquina, a minha mãe ria-se e exclamava:
- Olha a “Checha”, tinham que ser doces! As amargas que as coma eu…

No dia seguinte, depois da partida, as duas amigas lá comiam as laranjas que o Cortês mandava da Rede para a minha mãe. Tempos belos, mas de sofrimento.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

MEMENTO



............................ Deus, Senhor nosso!...

............................ Quantos são hoje já os olhos
............................ que nos fitam de além-terra!...
............................ Tantos já os sorrisos
............................ cristalizados no barro original
............................ a que volveram,
............................ e volveremos,
............................ no após ódios e paixões!...

............................ Rodeados, dia após dia,
............................ de cada vez mais ausências,
............................ torna-se despovoado
............................ o nosso vasto mundo.
............................ E mais perdidos nele somos,
............................ gasalhados apenas
............................ da frialdade das sombras
............................ dos que partiram,
............................ nossa perene
............................ e silente companhia.

............................ Guarda-os Tu, Senhor,
............................ em teu seio.
............................ E a nós protege-nos
............................ pelos dias breves deste peregrinar,
............................ enquanto aguardamos,
............................ para os nossos ossos,
............................ o aconchego
............................ da mãe-terra que nos gerou,
............................ e, para o espírito,
............................ o regresso à pátria definitiva
............................ de que provimos.

............................ Amen.
.................................................................... AA.


Faz hoje dois anos que um autor anónimo me enviou (e publiquei) este belo e sentido poema. Não me voltou a sair da memória.
Nesta altura do ano, em que temos a alma entanguida como a pedra das sepulturas que iremos visitar, aqui o deixo de novo, em memória de todos aqueles por quem choramos. O meu bem-haja a quem o escreveu e aceitou partilhá-lo.

domingo, 28 de outubro de 2012

TRADIÇÕES

Reler os clássicos tem efeitos destes: veio-me à lembrança um dos nossos jogos de roda e agora não me sai da cabeça. Só que me não lembro de quase nada da letra. Quem, por favor, me ajuda a completá-la?

JARDINEIRA FLOREIRA

- Jardineira floreira 
Você o que é que tem? 
- Eu vendo cravos e rosas 
E outras flores também.

- Quanto quer pelo raminho
Dessas mimosas flores? 

- Só lhe peço um escudo
Porque lhe devo favores.





Todos os versos se repetem, um a um. E a graça que tem cantarmos "f(e)loreira" e "f(e)lores", para que a letra encaixe na música. É um doce de cantiga e estou em pulgas para voltar a sabê-la toda. Bem-haja a quem me ajudar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

VIVA RECOMENDAÇÃO


Torna-se importante salientar que velhos são quem a sociedade diz que o são, e que, por conseguinte, os velhos e a imagem social dominante que se tem deles é uma construção social. (…) Um dos elementos essenciais desta construção social da velhice é a representação mental desta etapa como um período de “deterioração” e “involução” (…).

Sabe-se hoje que esta conceção está errada. A mudança das diferentes capacidades não é unidirecional, nem universal, nem irreversível. Embora algumas capacidades possam deteriorar-se, outras mantêm-se e inclusive podem enriquecer-se, as pessoas evoluem de formas diferentes, e há mudanças que são reversíveis.

      Emília Magalhães, Sabedoria, Conhecimento e Espiritualidade no Idoso
                             in Teoria e Prática da Gerontologia, PsicoSoma, Viseu, 2012 (pp 287-288)

O artigo de onde retiro a citação (e todas as que se seguem) encerra uma obra que reúne contributos de numerosos especialistas sob a coordenação do professor Fernando Pereira. É um livro que se lê bem por diversos motivos, de que destaco:

– A linguagem acessível (ou seja: apesar de não prescindir do léxico técnico, ele vem devidamente explicado permitindo que tudo seja bem compreendido);

– A opção por capítulos breves, correspondendo cada capítulo ao artigo de um (ou mais) especialista;

– O encerramento de quase todos os artigos com uma súmula intitulada “Ferramentas para a Prática”. Estas súmulas, acreditem, estão muito bem feitas e podem funcionar como uma espécie de estojo de primeiros socorros de que podemos servir-nos em caso de emergência.

Não é este, então, um livro destinado a quem cuida dos idosos, ou estuda para isso? É, sim! Mas, não estaremos todos nós nas circunstâncias de cuidar, ter cuidado ou vir a cuidar de idosos? Ou ainda: não estamos nós todos a envelhecer e ler sobre quem é velho não nos ajudará a envelhecer de modo mais consciente e  sereno? Tenho a certeza de que sim e esse é outro motivo pelo qual recomendo a sua leitura. Além mais, a nossa Augusta assina dois artigos em co-autoria.

A título pessoal, devo dizer que alguns artigos me fizeram relembrar muitas situações que vivi com meus pais. Dou dois exemplos:

A integridade do Eu significa chegar a esta etapa da vida e ser capaz de ao olhar para trás aceitar, no essencial, o percurso percorrido (…), aceitar a vida como ela foi vivida e, desta forma recear menos a doença, a dependência ou até a morte.

Fernando Pereira, A Institucionalização do Idoso (p. 150)

– Pai, tanto filho que teve, tanto sacrifício que fez para os criar, e agora vê-se sozinho!
– Estas minhas mãos desfizeram muito torrão, mas voltaria a fazer tudo de novo!

No estudo levado a cabo por Andrade et tal. (2009), verificou-se que os cuidadores sentem constantes preocupações, por exemplo, em nunca deixar o idoso muito tempo sozinho porque temem negligenciar a sua assistência.

Maria José Gomes e Augusta Mata, A Família Provedora de Cuidados ao Idoso Dependente (p.166)

– Ó rapariga, avia-te tu primeiro, que estás aqui consumida! – dizia-me a tia Maria constatando a minha ansiedade por ter deixado a minha mãe sozinha e, embora estivesse à porta de casa, tinha medo que ela conseguisse levantar-se sozinha da cadeira e caísse.

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Há artigos que nos provocam um nó na garganta, tal o contraste entre a boa teoria que lemos e a prática a que assistimos com frequência:

A aplicação da metodologia da humanitude assenta essencialmente em seis pilares (Margot, 2010): verticalidade, o toque, o olhar, o sorriso, a palavra, a relação com o outro e com a sociedade, os adornos.

(…) IGM (2011b) defendem que o cuidador deve fazer os possíveis para manter o doente de pé, a andar, dado que (…) a verticalidade (…) faz com que este não perca totalmente a sua independência, elemento essencial para a sua qualidade de vida.

O toque é aqui abordado na forma de substituir o “toque utilitário” pelo “toque carinhoso” (Touboul, 2009), na medida em que o toque, como demonstração de carinho, por vezes, alivia mais o doente do que qualquer palavra. (…)

Quando falamos do olhar, temos em atenção o olhar partilhado, olhos nos olhos. (…)

(…) O riso é o remédio mais eficaz para combater o stress e relaxar (…).

O poder da palavra é de especial importância, dado que a comunicação se revela vital na vida do indivíduo. (…)

A relação com o outro e com a sociedade também se revela um pilar fundamental na vida quotidiana do indivíduo (…). Os idosos, pela sua situação vulnerável de dependência e doença, têm mais necessidade do contacto que as pessoas saudáveis e jovens (…).

Por último, mas não menos importante, o porte do vestuário e dos adornos (…) Pela carga simbólica (…) [eles tornam-se] algo imprescindível da nossa condição humana, estes determinam “quem nós somos e como os outros nos percecionam”

Fernando Pereira, Maria José Gomes, Ana Galvão, Ética e Humanitude no Cuidado do Idoso (pp. 88-89). (Sublinhados meus)

Encerro este artigo lembrando outra situação que vivi, desta feita as palavras indignadas da D. Suzette (tia-avó do meu marido, internada num lar):

– Não posso ver aquilo, não posso! Aquela senhora andava sempre tão bem posta, tão elegante! Agora que perdeu a vista, vestem-lhe uns trapos quaisquer, que nem são dela! Não posso ver aquilo, não posso!

É por estas e outras que vos digo que este livro é para ser lido por toda a gente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PARA (ALGUNS) MATARMOS SAUDADES...

... E ADOÇAR OS AMARGOS DE BOCA PROVOCADOS PELO ARTIGO ANTERIOR.
(Clicar nas imagens para ampliar)



Se repararem na barra lateral, têm o link para muito mais Mafaldinha (embora em Português do Brasil, sabe muito bem reler).

NOVO PROCESSO DE COMENTÁRIOS

Só algumas pessoas se dão conta, mas nos últimos tempos este blog e o da ASCRR têm sido sistematicamente bombardeados com mensagens de spam, que são comentários enviados automaticamente por computadores com links que têm por objectivo induzir o leitor a entrar neles. O blogger tem sistema de detecção dessas mensagens e não as publica. No entanto, a minha caixa de correio fica inundada delas. Para terem uma ideia, o blog da ASCRR tem arquivados (neste momento) 296 e o de  Rebordainhos tem 106.

A única forma de evitar tamanho assalto às caixas de comentários é pedir um esforço extra aos comentadores, isto é, que identifiquem uma sequência aleatória de letras e algarismos e os copiem para uma caixinha. Assim, como podem ver na imagem:

Devo dizer, ainda, que alguém muito mal formado tentou atacar esta nossa página (e outro blog que eu tenho há muito tempo). Foi esforço inglório, porque o problema está resolvido e o patego responsável, se nos queria mal, ficou-se pelo querer. Ainda bem.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

BEM-VINDOS

É do fundo do coração que dou as boas-vindas, a Rebordaínhos, a todos os naturais de Pombares.


 Por votação da Assembleia Municipal de Bragança, extinguiram-se dez das freguesias do concelho, situação que pode observar-se no mapa que copiei do Mensageiro.

 Não é por Rebordaínhos se manter como sede freguesia que deixei de me opor a esta medida que é meramente administrativa sem nada ter de reformadora. Os anseios dos moradores de Pombares (como os compreendo!) e que podem ver-se e ouvir-se no vídeo abaixo, eram os meus anseios quando se perspectivava a nossa extinção. Competirá à futura junta de freguesia zelar para mitigar mais esta vergastada sobre as populações rurais, gente para quem o abandono, o envelhecimento e a tristeza constituem a realidade substantiva.

Pombares é uma aldeia muito bonita. O vídeo não lhe faz jus. É muito bonita, mesmo! E o seu termo, a confinar com o de Rebordaínhos, é senhor de uma beleza de cortar a respiração. Pertence a Pombares o vale mais aprazível da região, Teixedo, lugar que tenho em tão alto conceito que se me afigura que não ficará atrás do jardim do Éden.

Rebordaínhos ganha, e muito. Esperemos que Pombares perca menos do que receia. Bem-vindos, pois, moradores de Pombares.
  in Sic Notícias, 27.09.2011

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

NETOS E AVÓS

Mais umas quadras saídas do baú de memórias do meu tio Manuel. 

NETOS E AVÓS

Noutros tempos, meu netinho
Eram melhores os meninos:
Não faziam ruindade
Eram bons, os pequeninos.

Iam para a escola contentes,
Vinham da escola a sorrir,
Não gritavam pelas ruas
E não sabiam mentir.

Estavam com eles seguros
Os ninhos pela ramada;
Não usavam ratoeira
Nem fisga endiabrada.

Eram amigos dos pais,
Dos avós... - Ó avozinho,
Eu sou culpado, talvez,
nisso tudo um bocadinho!

Mas lá quanto a ser amigo
Dos meus avós, dos meus pais,
Posso dizer que ninguém
O poderia ser mais!

É um daqueles textinhos que ensinavam a criançada a comportar-se, isso compreendi bem. Mas, a rir-me, perguntei: ó tio, conhece algum garoto que não faça garotices? É claro que concordou comigo, mas quando lhe perguntei se na idade própria ele não ia também aos ninhos, calou-me com esta: tinha pouca sorte! E disse mais, a fazer-me lembrar uma história que o Tonho da tia Lídia contou lá atrás:

"À porta do tio Benjamim havia uma urze. Um passaroco - uma escrevedeira - fez lá o ninho e eu ia lá vê-lo todos os dias! Ficava ali parado, a olhar para os ovos riscadinhos. Por causa de os ovos serem riscados, e os riscos parecerem escrita, é que lhe chamamos escrevedeira."

E cá estou eu sempre a aprender. Quando fui à procura de imagens para ilustrar este artigo, dei de caras com um passareco que vi no Verão e não soube nomear. Agora já sei! Quem quiser mais informações pode entrar nesta página.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PALAVRAS QUE HOJE ME ACUDIRAM...

... e que foram consideradas pouco adequadas para quem se não quisesse confundir com a ralé no modo de se expressar. Integram a lista elaborada por Francisco José Freire, nas suas Reflexões sobre a Lingua Portugueza, obra publicada em 1842 mas escrita, de certeza, lá pelos meados do séc. XVIII).


Alcouce casa de alcouce: assim chamavam sem escrupulo os nossos antigos oradores ás casas, que dão commodos para  commercios lascivos. Hoje em discurso grave foge-se de pronunciar este termo por ser popular.

Coçar estranha-se em alguns oradores, quando ao tratar do santo Job dizem que coçava [em logar de raspava] com uma telha as suas leprosas chagas.

Cocegas: é termo humilde para estilo grave. Quando seja preciso usar delle, querem os criticos que se diga antes alatinadamente titilação que provoca o riso, ou outra semelhante circomlução, que não abata o estilo.

Enfadonho tem baixeza por ser termo muito popular. Enfadoso se acha em alguns Classicos (...)

Enforcado: não tem nobreza este termo, e deve-se usar de alguma frase; v.g. morrer suspenso em um patibulo, ou de um laço &c.

Engulhos só se admitte na linguagem medica. Use-se de alguma frase decorosa, v.g. inuteis esforços da natureza para provocar o vomito &c.

Engulir em sentido metaforico, significa soffrer (...). 

________  // ________ 
Como se comprova, a linguagem "politicamente correcta" não é invenção dos nossos tempos...

Guardo para mim as frases que tal leitura me sugeriu, mas deixo a porta aberta para quem, aproveitando a deixa,  nos queira proporcionar alguma titilação que provoque o riso. Sintam-se libertos dos inúteis esforços da natureza...