domingo, 31 de agosto de 2008

Gastronomia Transmontana V

Gostaria mais de colocar no Blog receitas da nossa Freguesia e em especial as antigas, como as nossas férias na aldeia foram curtas, não nos foi possível recolher mais receitas, peço assim aos leitores do Blog, com familiares na aldeia a colaboração no sentido de recolherem junto das senhoras algumas receitas e fazerem o favor de nos enviarem, para o nosso mail: stockermar@gmail.com .


Arroz de Afogado

ALTO BARROSO
Ingredientes
: Para 8 pessoas

  • Sangue de 1 cabrito ;
  • tripas de 1 cabrito ;
  • o fígado, os rins, os pulmões e o coração de 1 cabrito ;
  • 150 g de presunto ;
  • 2 cebolas ;
  • 1 ramo de salsa ;
  • 2 colheres de sopa de banha ;
  • sal ;
  • louro ;
  • cravinho ;
  • meio copo de vinho branco ;
  • 600 g de arroz

Confecção:

Coze-se o sangue do cabrito em água temperada com sal, louro e cravinho. Lavam-se impecavelmente as tripas em várias águas, virando-as, e cozem-se à parte em água temperada também com sal, louro e cravinho.
Faz-se um refogado com a cebola, a banha, a salsa e o presunto cortado em bocadinhos.
Juntam-se o fígado, os pulmões, os rins e o coração, também cortados em bocadinhos, e deixam-se guisar bem. Adicionam-se agora as tripas cortadas em bocados. Rega-se com o vinho branco e deixa-se apurar.
Deita-se a água necessária para se obter um «arroz malandro» e introduz-se o arroz logo que ferva (a água deve ter pelo menos três vezes o volume do arroz).
Quando o arroz estiver cozido, junta-se o sangue esmigalhado com as mãos, mexe-se e serve-se imediatamente.

Arroz que se prepara para o aproveitamento das miudezas, tripas e sangue do cabrito.

fonte: Editorial Verbo


Queijadas de Murça

Ingredientes:

  • Para a massa:
  • 300 g de farinha ;
  • 3 ovos ;
  • 1 colher de sopa de banha ;
  • 2 colheres de sopa de água ;
  • sal ;
  • Para o recheio:
  • 1 kg de doce de chila bem seco ;
  • 250 g de amêndoas ;
  • 12 gemas ;
  • 1 colher de chá de canela ;
  • 300 g de açúcar para cobrir

Confecção:

Peneira-se a farinha para um alguidar e põe-se por cima a banha. Com as palmas das mãos, esfrega-se a farinha e a banha, misturando-as.
À parte, batem-se os ovos inteiros com a água, a que se juntou um pouco de sal. Junta-se esta mistura à farinha com a banha e amassa-se tudo, batendo e sovando a massa até esta ter a consistência e elasticidade suficientes para ser tendida.
Se for necessário, junta-se um pouco mais de água. Deixa-se descansar meia hora.
Entretanto, mistura-se o doce de chila com as gemas, as amêndoas peladas e raladas e a canela.
Estende-se a massa muito fina e, com um copo, corta-se em rodelas. Apertam-se os bordos destas rodelas em cinco sítios, de modo a dar a cada uma a forma de caixa. Dispõem-se as caixas de massa num tabuleiro e enchem-se com o recheio. Levam-se a cozer em forno quente.
Enquanto as queijadas cozem, leva-se o açúcar ao lume com meio copo de água e deixa-se ferver até fazer ponto de pérola.
Passam-se as queijadas por esta calda assim que saírem do forno e põem-se a secar. Depois de frias, pincela-se a superfície das queijadas com a calda, esfregando o pincel para o açúcar se tornar opaco.

fonte: Editorial Verbo

- -

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A equipa do blog tem um novo membro


Já está! A Lurdes Pereira - filha do tio Hermínio - aceitou tornar-se membro do blog. Sê bem-vinda, Lurdes, com o teu jeito para a escrita e os teus conhecimentos de informática.

Temos a certeza de que o teu contributo será de grande valia, porque estás mais próxima das nossas gentes e, por isso, mais dentro do pulsar das suas vidas. Bem-hajas porque aceitaste.


Uma excelente fotografia tirada pela Lurdes e que enviou para o blog

Aproveitamos para lembrar que agradecemos todas as sugestões, críticas, informações, etc. vindas dos naturais de Rebordaínhos: elas ajudarão a enriquecer este espaço que foi pensado para ser de todos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Festa de Nossa Senhora do Rosário

A Freguesia de Rebordaínhos esteve em festa nos dias 15, 16 e 17 de Agosto de 2008. A festa grande da povoação é em honra de Nossa Senhora do Rosário.

Verdade, verdadinha, a festa começa oito dias antes, com a mordomia toda e quem se quiser associar, a limpar muito bem a igreja e a arrumar as coisas de modo a que se possa ir tratando delas. Durante a semana, os jogos e torneios do programa de festas decorrem serenamente, pelo fim da tarde e noite dentro, porque o tempo é de trabalho intenso e folguedo só nas horas livres.


No sábado a azáfama é maior. Cada mordoma idealiza como há-de enfeitar o andor do santo de que é responsável e nessa arte consome horas que não contabiliza porque só a beleza final lhe importa. E se o santo merece as flores e a arte, a mordoma merece os elogios da comunidade que os não regateia.





Pormenor do andor da Senhora do Rosário







Pormenor do andor da Senhora de Fátima








Nada é deixado ao acaso e, porque uma igreja é lugar de beleza em louvor a Deus, os altares são enfeitados com arranjos saídos de mãos habilidosas que sabem juntar ramos de castanheiro e de avelaneira a espigas, heras e flores diversas e, com tudo, obter ornamentos de requintado gosto.


Domingo é o dia grande, em honra de Nossa Senhora do Rosário. De manhã chega a banda que se apresenta em alvorada pelas ruas da aldeia. A banda de Carviçais, que nos alegra a festa há já quatro anos, é uma banda magnífica: cheia de gente nova, tudo a ler música por pauta e conduzida por quem é mestre no assunto. A banda, além de cantar a missa, ainda deu um belo concerto no prado antes de, à despedida, ir entregar a festa aos mordomos do ano que vem.

Alvorada com a banda de Carviçais no Domingo
17 de Agosto de 2008
Imagem de Olímpia Pereira


À missa, presidida pelos senhores padres Estevinho e Jorge, seguiu-se a procissão. Tenho para mim que uma procissão é a forma de os santos se misturarem com o povo e de comungarem da sua alegria. Nesse dia, em que eles descem dos altares, são belamente enfeitados para que não destoem da garridice das gentes.




À noite, o arraial é para todos. Dança-se, canta-se ou assiste-se a isso tudo. Segunda-feira volta a ser dia de intenso trabalho.

Fátima Stocker

Meninas

A infância em festa

A Lena é uma das mais jovens moradoras e naturais da freguesia.



A Lena, a Joana e a Catarina

Não foi escolhida por nós esta ultima foto, a esscolha foi da "Lena" que nos pediu para colocarmos antes esta!

Para as crianças umas simples fotos, são motivo de alegria e satisfação, que bom seria sermos sempre crianças!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ares da Serra




III - Ti Zé Miguel, Contador de Histórias



por
António Augusto Fernandes


As senhoras Amélia, Antonieta e Julieta, três das filhas do Ti Zé Miguel


Naquela zona mitificadora da memória onde se enovelam maravilhosos fiapos da infância, entre os fantasmas amigos de antanho, aparece-me, vago e em tons de sépia, o Ti Zé Miguel.

Ti Zé Miguel, o homem das sete mulheres, a legítima mais seis filhas! Era também o meeiro a quem meu pai confiara as parcas leiras herdadas da avó Adriana da Portela, homem mais pachorrento e caladão que os bois com quem lidava de sol-a-sol e a quem atribuía uma vaga alma de gente. Com um sorriso imperceptível gasalhado sob o bigode talhado à maneira da primeira grande guerra, o rosto tisnado e a cabeça ligeiramente tombada sobre o ombro direito, no jeito paciente dos bem-aventurados das pagelas que se vendiam nas romarias, assim ele me surge, ainda hoje, do nevoeiro da memória, no seu passo lento e bamboleado como os dos patos, de aguilhada ao ombro à frente da galharda junta de bois que meu pai comprara na feira dos Chãos, espalhando um olhar manso como o deles. No Outono víamo-lo aparecer do nevoeiro, como um elfo, à frente do carro carregado de toros e trazendo no feltro do chapéu e no rectângulo do bigode pérolas minúsculas, farrapos das névoas que vogavam pelas touças do Cabeço Cercado, e, no cotim coçado da jaqueta, argalhos de giestas e o cheiro dos mentrastos. Era capaz de passar um dia inteiro por lá com uma côdea negra de centeio, um naco de toucinho e meia dúzia de palavras. Com um toco de Kentucky apagado ao canto da boca, derramava, de longe em longe, um esboço de sorriso calado sobre a gente e as coisas. O seu espírito perdia-se por lá numa comunicação vegetativa com os soutos, as touças, as searas, mais do que com as bisbilhotices da aldeia.

Desjungia os bois, botava-lhes um braçado de feno e vinha sentar o seu silêncio sobre uma tripeça, à lareira, fitando as brasas. E, enquanto as pantalonas puídas pelos anos fumegavam da humidade dos lameiros, executava, com delícias de sultão bizantino, o cerimonial do cigarrito antes da ceia: começava por alisar uma mortalha na palma da mão, desfazia-lhe em cima quatro ou cinco piriscas avaramente guardadas no bolsinho do colete, alinhava o tabaco ao longo da folhita de papel, catando com minúcia os fiapos de tabaco desalinhados da fieira, enrolava-o em escrupuloso e fino cilindro, humedecia a fímbria da mortalha com a ponta da língua, e umas fagulhas de volúpia chispavam-lhe já dos olhitos miúdos. Entalava a obra de arte nos lábios. Com a tenaz aproximava uma brasa, sugava o fumo com sofreguidão e largava as primeiras baforadas com mais delícia que sultão fumando o seu narguillé.

Depois da cigarrada, a tia Isabel Caldeireira, a mulher, gritava pela filharada – eram sete! – e o rancho familiar abancava em volta da arca grande onde se guardavam os largos pães centeeiros da semana e os nacos de toucinho com que se adubava o caldo e se acaudatava o carolo da merenda. Ao centro fumegava o cogulo das batatas farinhotas e couves tronchas em travessa esmaltada de figurações cor de lagarto, vasta como gamela, acolitada por um prato fundeiro com alho picadinho sobre azeite diluído com a água do caldo – se o litro de azeite custava duas jornas de sol-a-sol!... – onde à vez cada um ia molhando a batatinha e o talo de couve.

E a mim, menino debiqueiro arribado da cidade, aguavam-se-me os olhos por aquelas batatas besuntadas naquele rico molho de pobre. E nunca deixava que me repetissem o convite para também eu empunhar heroicamente o meu garfo de ferro e arranchar com a malta alegre dos Caldeireiros a que aliás pertencíamos por parte da mãe, provindos de um galego Caminha arribado dos lados de Arzua. E o caldo verde adubado com uma colher de unto e um naco de toucinho! Santo Deus! que delícias de Sardanapalo! Algumas nalgadas apanhei eu à conta dessa minha desavergonhada pironguice, quando a Amélia, a nossa empregadita, se descaía a contar a minha mãe estes faustosos banquetes!

***

Este Ti Zé Miguel deve ter sido um dos últimos contadores de histórias e um dos artistas-mores da castanha assada nos velhos assadores feitos de tiras de folha-de-flandres entrelaçadas. Nas noites assanhadas de invernia, com o vento uivando desesperadamente lá fora e a chuva a crepitar sobre a telha vã da cozinha, depois da ceia, Ti Zé Miguel pousava-se sobre a sua tripeça lustrosa do uso como pitonisa que se dispõe a presidir a um ritual. Do bolso do colete sacava o macinho de Kentucky e, com ar beato de sibarita moderado, puxava as primeiras fumaças com que a Sibila de Cumas pedia a inspiração de Apolo. Depois, com gestos sábios, cogulava o assador com as castanhas reboludas do Souto de Cadavez, enganchava-o no cadeado e metia mais uma giesta na fogueira. Era o sinal: a gaiatada, alapava-se em redor sobre mantas velhas estendidas no soalho, de queixo no ar e olhos no Ti Zé Miguel. O velho Homero puxava outra fumaça, pigarreava e soltava a voz mansa e cava, ligeiramente enrouquecida do tabaco de vastos anos: Era uma vez...

Lá fora zurrava temporal desfeito. A chuva assanhava-se sobre a telha de meia cana, o vento resfolegava no sabugueiro do outro lado da rua, uma golfada de ar frio infiltrava-se sob a telha, apagava a candeia e enovelava o fumo acre dos cavacos de carvalho mal secos e fazia-nos lacrimejar. Deixá-lo!... Era uma vez... E nas palavras arrastadas vinham emergindo, das sombras e fumos que se adensavam pelos cantos da cozinha mal alumiada, mundos fantásticos de bruxas e fadas, reis e princesas, bandidos e almocreves, pícaros e trágicos.

As paredes enegrecidas pela fuligem esvaíam-se e do negrume surdiam florestas escuras donde fosforesciam os olhos do lobo mau, onde perpassava o rabicho cedilhado do coelho casquilho; ou os burros tropiqueiros dos ciganos, os cavalos pimpões dos cavaleiros que matavam dragões e gigantes para salvarem princesas que, choronas e apaixonadas, do janelo de suas torres, alongavam os olhos pelos caminhos donde surgiria o galhardo salvador.

De quando em vez, sustinha a narrativa, sacudia, em ligeiros golpes de mestria, a asa do assador, e a pequenada, de narinas frementes, aspirava com volúpia o perfume da pele esturricada das castanhas... E de novo voltava a magia da palavra, criadora de mundos, como o Verbo inicial saído a boca de Jeová: ele era a história do Conde das Arcas decepado das mãos e frigido em caldeirão de azeite, por espanhóis ou mouros (para o caso tanto faz); ele era o Pastorinho Perdido nos longes da serra e perseguido por lobos maus, ou ainda O Arre, Burro, Caga Dinheiro!, burrico sobredotado que se alimentava de patacões velhos do tempo dos afonsinos e largava luzidias moedas de ouro que faziam rico a seu dono. Havia também a história das Três Maçãzinhas de Ouro, tesouro avaramente escondido pelos mouros debaixo da Fraga Grande da Ladeira, um avantesma de penedo que, talhado, daria para erguer outro bairro da Portela, e que uma moira encantada trouxera para o Alto da Ladeira, à cabeça, numa noite de luar, enquanto fiava estrigas de oiro em roca de oiro, com um fuso de oiro. E debaixo da fraga desmesurada sepultou ela as três maçãzinhas de oiro, furtando-as à cobiça dos nazarenos. E ainda lá estão à espera que alguém descubra as palavras mágicas que irão baldear a fraga gigantesca.

Eram, enfim, luminosos mundos de fantasia que moravam connosco, que se erguiam já ali, por detrás do áspero granito que nos separava da treva e das cordas de água que desabavam lá fora.



***
Depois era a festa da castanha, dos bilhós a nascerem loiros e perfumados do negrume das cascas tisnadas. Com risadas, riscos de fuligem pela cara e o jogo do arrebunhana em que se faziam e desfaziam fortunas daquele oiro que os soutos da serra pobre nos tinham dado e faziam de nós os reis do mundo.

Irremediavelmente, como perdemos a infância, assim os perdermos a eles, aos contadores de histórias e ganhámos em sua substituição esses outros contadores de outras histórias, a desengraçada e chatíssima subespécie dos políticos, prováveis parentes afastados do Barão (o onagrus baronius de Garrett) que impudentemente nos entram casa dentro pela janela mágica de McLuhan, prometendo-nos o bacalhau a pataco e bufarinhando com a nossa consciência.

Que é feito da graça, da imaginação, da simprez do Ti Zé Miguel que nada prometia, nada pedia e aos mundos fabulosos das suas histórias acrescentava a dádiva das suas castanhas, as melhores castanhas do mundo!?

E quando as pálpebras pesavam já com o sono, acontecia de arranchar também na dormida e por ali nos amontoávamos aos quatro e cinco em cada uma daquelas camas de bancos, ajaezadas com lençóis de estopa mais áspera que a estamenha com que os eremitas medievais ganhavam o paraíso, e grossos cobertores de papa tecidos no tear palreiro da Zulmira com a lã por ali crescida, nos gados do Frederico ou do João Santo e cobertas com as mantas de trapos que os cesteiros ambulantes trocavam pela cesta de batatas.

E em sonhos continuávamos as histórias do ti Zé Miguel, visitados por cavalos brancos arreados a ouro e cavalgados por princesas gentis, ou assustados por lobos maus que saltavam, de olhos em brasa, das touças cerradas do Cabeço Cercado. Assim sonhávamos as histórias do ti Zé Miguel e não era raro que, ao amanhecer, nos víssemos presenteados, sobre as mantas de trapos, com montículos de prata que ou fadas tecedeiras ou anões moleiros peneiravam das nuvens pela peneira da telha vã.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Gastronomia Transmontana IV
Receitas de Antanho

Blogger Augusta disse...

Como a gastronomia é transmontana, aí vai outra:

REPOLGAS À MODA DA MINHA SOGRA

para 4 pessoas aproximadamente:

- 500gr de repolgas (já não há as de olmo ou negrilhos. Mas há as de estufa que, não tendo o mesmo sabor, aproximam-se bastante)
- 1 tomate bem maduro
- sal, alho,colorau qb
- 1 cebola média
- um pouco de vinho (eu prefiro o tinto)
- Pão duro

Começamos por lavar as repolgas e partimo-las em tiras não muito finas.
Num tacho, colocamos a cebola e o alho em azeite e levamos ao lume até a cebola ficar translúcida. Acrescentamos o tomate e as repolgas e deixamos cozer na água que as mesmas vão libertando em lume brando.
Quando estiverem quase cozidas, acrescentamos o vinho e os restantes tempêros. Deixamos cozinhar mais um pouco. Acrescentar água.
Entretanto, partimos o pão em fatias bem finas. Quando a água ferver, colocamos o pão na quantidade suficiente para que, este tipo de açorda fique bem molhadinha. Retificar tempero (Não deitar muito sal pois o pão também o tem. Eu prefiro temperar só de pois de o pão estar bem embebido).
Quem gostar, pode colocar um pouco de picante.
Pode acompanhar com uma carne assada.
Deliciem-se e...bom apetite

(Benedita Gonçalves - Rebordãos)


Bolo mais que Bom

Ingredientes:

420g. de açúcar

200 g. de farinha

180 g. de manteiga

2 dl de leite

5 ovos

150 g de coco ralado

200 g. de chocolate granulado

1 colher de sobremesa de fermento em pó

Para a cobertura:

1 tablete de chocolate amargo

1 pacote de natas

Confecção:

Bate-se muito bem, a manteiga, o açúcar e as gemas.

Adicione o leite, a farinha misturada com o fermento e bata, de seguida junta-se as claras em castelo alternando com o coco ralado e o chocolate granulado, envolvendo bem sem bater.

Deite o preparado numa forma, bem untada com manteiga e polvilhado com farinha.

Leve a cozer em forno médio cerca 50m.

Entretanto prepare o creme, ponha numa caçarola as natas e o chocolate e leve ao lume em banho Maria, mexendo sempre até derreter.

Desenforme o bolo e barre com creme ainda quente.

Autor da receita : Desonhecido

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bragança em Festa

Bragança em Festa no mês de Agosto

Em Agosto dispõe de uma variedade de iniciativas na Cidade de Bragança, actividades desportivas, históricas e especialmente muita musica, sem esquecer o fogo de artificio.

Carregue aqui para ver a agenda cultural da CMB
Veja na pág. 13 e seguintes a "festa da História"

A abertura desta página pode demorar


sábado, 2 de agosto de 2008

Sem Título

Aqueles que hoje, e cada vez mais se vêem, atingem certos cargos à custa do cartão, normalmente reagem para com os seus subordinados como carrascos transformando vidas em autênticos martírios.
Não é um problema de agora, (mas existe, e muito), e nós reagindo, para além da luta calada, fica muitas vezes o orgulho de ver passar por nós estas aves raras.



SEM TÍTULO

De francas trancas o carniceiro
Mutilado por um mundo inteiro
Não sabe de quê, … nem talvez porquê…
Talvez por si só…, quiçá saberá?
E quando entender que alguém lhe quer,
Finge que não sabe, ou não vê…

Que a humidade deslize,
Gotas que o frio cristalize
Mil tormentos de cristal desfeitos
Arestas finas de sentimentos
Quimeras de maldade porque o são?
Vida e tempo no tempo dos eleitos.

De quatro se arrasta o lagarto
Ao sol se estica, e se demais aquece…
Depressa foge para a sombra fria…
Aguarda lento, calado. Ali permanece…

De repente como se a vida parasse
Teias brancas que a vida lança
Da sombra um “balido de dragão”
Movimento de fúnebre esperança.

Grita e alvitra, diz e manda dizer,
Com tudo por fazer, tudo faz,
Do nada sobra-lhe a sorte de ser
“O ser” de não fazer nada………

Orlando Martins (2001)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cartão Amarelo !


Quando chega o eco ponto pedido vai para um ano? Será que vem pelo "carreirão de Arufe" em carro de bois?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Viagem 2008
Junta de freguesia de Rebordainhos

Ora aqui está a reportagem prometida. Pensei escrever qualquer coisita mas, depois de muito pensar, achei melhor idéia apresentá-la sob a forma de filme.
Sim, eu sei que faltam todas as emoções vividas e, acreditem que foram muitas!
Faltam também as canções de roda recordadas (a Regina lembra-se de todas, ou quase todas. Os restantes demos também um bom contributo. Digo demos porque, apesar de ter ficado afónica, contribuí com a intenção!)
Faltam ainda as histórias de outros tempos, os momentos recordados como o "galar" das machadas da Amélia mas, quem participou sabe quão agradável é relembrar outros tempos.
Falta ainda descrever o rezar do terço com que a Lúcia nos presenteou. Esta costuma ser a tarefa da Lurdes mas, por motivos de saúde, este ano não pode responder à chamadas. Mas, ninguém duvida que foi muitísssimo bem substituída!
Enfim, vejam e digam lá se não VALE A PENA PARTICIPAR?
Para o ano queremos mais.
Augusta Mata


Ps: apenas um apontamento: a passagem estreita por entre as rochas, faz parte da gruta que existe no interior do Santuário da Lapa e, diz o povo que só consegue passar quem não tiver tiver pecados.

A proposito de ... Obra realizada

Nos últimos anos temos assistido a algumas obras significativas na Freguesia, sendo de salientar :

- Instalação do saneamento básico
- Reforço da a rede eléctrica


Mais recentemente

-Arranjos nas instalações da sede da Junta de Freguesia
- Melhoramentos na zona do Pelourinho e no largo do Prado
- Melhoramentos na zona da Igreja Paroquial dos Pereiros
- Calcetamento das ruas da aldeia de Rebordaínhos
- Conservação e limpeza de alguns caminhos rurais
- Inauguração de uma cabeça de Nossa Senhora da autoria do
falecido Padre David, junto à Igreja Matriz (Junho 2008)


Foto de Fátima Stocker

No almoço de convívio da Junta no passado mês de Junho, foi anunciado pelo Sr. Presidente da CMB, que até Setembro se iria dar início às obras de beneficiação e alargamento do cemitério, bem como ao arranjo do chão do adro da Igreja Matriz de Rebordainhos, que se encontra em terra batida. Também ficou no ar a promessa de se estudar a viabilidade de se proceder a obras na Igreja dos Pereiros.
Em consulta pública, encontra-se a criação da Zona de Intervenção Florestal de Rebordaínhos (ZIF).
Por iniciativa de alguns residentes e naturais, foi fundada a Associação Social, Cultural e Recreativa de Rebordaínhos (ASCRR) em 2006, que elegeu recentemente a sua primeira Direcção e aprovou os seus estatutos,
Sobre a zona de caça Municipal e sobre a ZIF, vamos tentar obter informação sobre o seu funcionamento e actividade. Qualquer colaboração nesse sentido será bem-vinda e poderá ser enviada por mail ou deixada nos comentários deste post.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Arufe II

Arufe é calma, sossego e paz.

Arufe é aconchego, apesar dos ventos que sopram lá em cima.

Arufe é o cheiro da maçã reineta da horta da capela.

Arufe é o odor do feno arrecadado no palheiro.

Arufe é a memória do comboio na curva da linha e que tanto medo provocou na Ruça.

Arufe é o caminho da Teixeira e do Labanho.

Arufe é o pladar das maçãs do múrio.

Arufe é...MÃE e PAI.
Augusta Mata

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Arufe

DOS DICIONÁRIOS:

Ar(ulfi) + (W)u(l)f
Arulfus + Wulf: águia e lobo
.


Arufe, sítio de águias e de lobos. Arufe, lugar de céu e de terra; lugar dos senhores do céu e dos senhores da terra.


Em Arufe tudo é essência e primórdios.

*
Arufe é um vale velho da meseta, quebrado pelas forças que criaram os primeiros continentes. O sítio da fractura foi sendo calcado pelas ribeiras enquanto as montanhas, devastadas pelos ventos e pelas chuvas, se transformavam, lentamente, em planaltos. É por isso que o vale de Arufe é amplo e a serra não oprime.

Às vezes, a Terra mostra as entranhas em barrancos fundos que são úberes floridos, maneira de nos provar que é muito mais do que o chão que permite que pisemos.

A variedade de verdes é quase inesgotável e quando se eleva o olhar vemos o verde estampado num azul tão puro e transparente que custa a acreditar. Os lobos, se fossem ferozes, escolheriam outro lugar para viver.

Arufe é lugar com coordenadas geográficas definidas, possível de alcançar por caminhos de bichos e por caminhos de homens.

A geografia emociona e emudece quem lá chega. Aí, o acto da criação é absoluto, real e concreto: no cheiro da terra fofa, funda e húmida; na fragilidade dos caules da flora rasteira que atapeta os passos dos animais, dá as cores aos sonhos da noite e impregna o sangue com o perfume discreto que dá a respirar; na música da água corrente e sempre presente, temperadora do frio e do calor; na singeleza da roseira brava, do linho bravo, do abrunheiro bravo e de todas as plantas não tocadas por mão humana; na copa heróica de cada castanheiro que se intersecta com a copa heróica de outro castanheiro, ou de um freixo, ou de um olmo, gigantes protectores que coam as inclemências das alturas e são sustento de bichos e homens.


Arufe é permanência. Arufe é o tempo que não muda.

*

Se Arufe é sítio de lobos, a casa é a toca dos homens, lugar onde se abrigam do frio e onde podem pernoitar sossegando o alerta dos sentidos; é espaço de aprendizagem das hierarquias e da linguagem a condizer; é sítio da experimentação dos afectos mais profundos.
Os Homens da casa são lobos na acepção que os lobos farão de si próprios, se nas línguas dos homens formos capazes de lhes traduzir os termos. Amam-se, ensinam-se e sustentam-se, cada um para todos os outros até à extenuação das suas possibilidades. Sendo toca, a casa é lugar de ser-se e pertencer-se.

Em Arufe havia a casa da avó.

A casa fica encravada na boca aberta de uma eira esboucelada. Casa e eira - abrigo e sustento - são território dos homens-lobo.
Tudo tem a cor da terra porque a casa, de granito e xisto, enegreceu por fora e enegreceu por dentro e o telhado fica ao nível do chão da eira. Em Arufe, as construções dos homens são tocas de lobos e só assim são harmonia, e só assim fazem sentido.

Em tempo certo, no justo devir das estações, a casa escura e baixa enchia-se de ramos de amoreira. Nas folhas passeavam-se os bichos-da-seda, no seu vagar de comer que é o vagar da infância.
Mais adiante no tempo, cachos de casulos distribuíam-se pela cozinha ampla e abochicavam-na de ouro. Aos serões, mulheres e raparigas aconchegavam-nos ao seio, não fosse o frio impedir a metamorfose. Só mulheres e raparigas. Às mulheres e às raparigas cumpriu sempre acalentar a vida.

Apenas algumas crisálidas seriam aconchegadas: aquelas às quais estava destinada a perpetuação. O destino das outras cumpria-se longe do olhar das crianças, não por querer poupá-las à dureza da verdade, antes, porque as dobadeiras e tecedeiras da seda seriam de paragens mais longe. Para aqueles que residiam na casa, a vida nunca foi coisa que se escondesse. Mas, pelos casulos que ficavam, os meninos podiam testemunhar a ressurreição!

Os olhos grandes de uma criança de corpo miúdo guardaram cada uma destas imagens. Elas haveriam de tornar-se lastro importante de recordações afectuosas. E se a memória resultar, tão-só, da visualização das palavras de outros, não será menos sua, nem sequer menos possível.

A certo tempo a casa esvaziou-se de gente e os bichos-da-seda deixaram de contar com os afagos de mãos cuidadosas. O interior, que o lume deixou de alumiar, queda-se em negrume de fuligem. Cá fora, as amoreiras vão perdendo o viço, como se quisessem dizer que já não servem para nada. Nas paredes da casa medram fetos e ervas do "arroz" e dos "roquelhos", agora poupadas às brincadeiras que a canalha inventava com elas. A eira deu-se ao descanso. Nas suas bordas, figueiras e medronheiros podem crescer sossegados. Reina o silêncio.

É estranho falar de silêncio quando a eira se enche dos cantos da bicharada: toutinegras, pardais, rouxinóis, pintassilgos, rolas... até o cuco se aproxima, esquecido da timidez. E à noite há corujas e mochos. A passarada multiplica-se, agora que nenhum ganapo lhe persegue os ninhos, em hora de lazer e de lazeira lambona. Há também as preguiças e os vaga-lumes e isto só para falar nos animais que os homens são capazes de ouvir! Falar de silêncio, no meio de tamanha sinfonia, é como dizer-se que só a voz dos homens pode dar corpo ao ar. É presunção do homem que deixou de ser lobo e se assenhoreou de toda a vida.

A casa, se perdeu a gente, ganhou perfume: a essência fresca e delicada das maçãs. As maçãs de inverno, colhidas no Outono, são lá depositadas. E as paredes negras de fuligem ganham tal luminosidade, que é como se um sol pequeno estivesse dentro da casa, a brilhar só para elas.


Arufe é terra de viventes, mesmo que já não estejam connosco.



Fátima Stocker, Ago./ Nov. 2004

domingo, 20 de julho de 2008

Incêndios Florestais
"prevenir, a atitude correcta"

Nunca é demais ver os resultados da falta de cuidado

Veja os videos disponiveis nesta página (ECO empresas)

Ontem foi o dia com maior número de incêndios desde que se iniciou a fase Charlie, ocorridos em território Nacional e envolveu o maior número de combatentes e de meios para no seu combate

Ocorrências de incêndios mais significativas (ANPC)

Veja aqui as estatisticas desde que se iniciou a fase Charlie (ANPC)

terça-feira, 15 de julho de 2008

ARES DA SERRA





II - POTRIQUEIROS

por

António Augusto Fernandes




F. Léger, L'Acrobate et les Jongleurs (1965)


Conversava-se ao desenfado sobre política e políticos no meio daquela gente tranquila das serras do norte. Aproveitando uma pausa nos prolóquios, uma mulherzinha miúda, de atentos olhos de azeviche, envolta nos trapos negros de quem já muito aturara à vida em fomes e pesares, sai-se de lá com a exclamação desenganada: São uns potriqueiros! E a palavra saltou-me, inteira na sua risonha complacência, dos escaninhos das memórias da infância, onde adormecera há que vidas.

Onde iam eles, os potriqueiros!
Nos tempos esganados que se seguiram à Segunda Grande Guerra, não era fácil para um pobre acudir todos os dias aos ladridos da barriga atormentada pela fome e havia que recorrer a almudes de criatividade para rapar o magro pão de cada dia, dia sim dia não. Dentre esses imaginativos salientavam-se os potriqueiros. Potriqueiros lhes chamava o povo do norte, fazendo uso de uma simpática corruptela de pelotiqueiros, significando uma espécie de artistas mais ou menos circenses que faziam jogos malabares com pequenas pelas, cujo diminutivo seria pelotas.

O povo até que gostava deles, dos potriqueiros, seus irmãos na miséria e descendentes de uma longa linhagem de artistas saídos do povo, cujos ascendentes mais remotos se situavam entre aqueles velhos jograis que, no tempo dos afonsinos, percorriam feiras e vilares com seus momos e mistérios, seus cantares e poemas, numa Idade Média que, nas serras do interior, teimou em prolongar-se pelo século XX, tanto no imaginário religioso e profano, como na maneira de lidar com a terra. Com o tempo a palavra foi alargando a sua dimensão semântica e passou a significar também aqueles que mostram capacidade de sobreviver à custa de simpáticas artes e manhas de carácter mais ou menos histriónico.

Esses potriqueiros arribavam à aldeia pelo Outono, quando partiam as andorinhas e o lavrador dava por findas as canseiras das malhas, da arranca das batatas, pois que os ouriços dos castanheiros, ainda não tinham começado de arreganhar. Pelas encostas da serra, acobreavam as ramagens de touças e soutos e as primeiras névoas prenunciavam o repouso da madre natureza exausta da parturição dos seus frutos. Era um tempo de pausa em que as tulhas cheias deixavam o lavrador mais propenso a largar uma malga de grão de centeio ou meia dúzia de batatas nos alforges destes histriões errantes, em troca de uns malabarismos, duas anedotas brejeiras e alguns truques de ilusionismo que lhe fizessem esquecer as canseiras de todo um ano a lutar com uma terra áspera e avara em mimos. Surdiam imprevistamente, não se sabe donde, com suas azémolas tropiqueiras ajoujadas debaixo dos magros trastes da cozinha de campanha, das vestimentas com que encenavam as suas pantominas e, às vezes, o luxo de um velho animatógrafo asmático cujas fitas enguiçavam a cada cinco minutos.

A moçoila mais vistosa da tropa fandanga, de perna ao léu e faces avivadas a lápis lazúli e vermelhão, mais o moço do cornetim, davam volta ao povoado, alagando de alacridade as ruelas bisonhas da aldeia granítica com o seu colorido e as suas notas vibrantes do velho chanfalho e arrastando atrás de si a horda grulhenta do garotio. E um frémito de charme exótico sacudia as grossas gentes serranas.

À noite, no largo da aldeia, com o sobrado de dois carros de bois desembaraçados das engarelas, postos os pinalhos na horizontal, faziam palco para exibição das suas pantominices, ou, se o tempo não estava para folestrias, em palheiro mais amplo lastrado de palha nova, pedido de empréstimo a lavrador mais galhofeiro. E o pessoal acorria a esse Tivoli improvisado, mais basto que pardais a uma eira depois das malhas. Compenetradamente, os artistas tentavam compensar o seu público dos magros tostões desembolsados entregando-se com denodo aos seus jogos de prestidigitação, à declamação histriónica de estrofes mais ou menos fesceninas e à encenação rudimentar de farsas ligeiras herdadas e estropiadas desde os tempos de Gil Vicente.

*

Desapareceram os potriqueiros. Desapareceram levados pela correnteza do imparável tempo que tudo consigo arrebata. E, com eles varreu-se a palavra mágica, potriqueiros, que nem sequer o Houaïss nem o Dicionário da Academia registam.

domingo, 13 de julho de 2008

"Liloto"

Um dos membros do blog , a "liloto" chegou hoje ao meio século de existência. Apesar de alguns Invernos muito duros e sofridos, é senhora de excelente jovialidade e entusiasmo. Para ela, os nossos sinceros parabéns!

Como todos sabem, ela é um bocadinho vaidosa. Assim em vez de lhe oferecermos flores, deixamos aqui a sua imagem

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Gastronomia Transmontana III
Receitas de Antanho

Mais uma receita deixada pela Augsta nos comentários e que de lá foi retirada para a deixar, pela sua excelência, no lugar que merece.

Fígado da Matança

O fígado que se utiliza na matança é retirado do animal acabado de matar.
Começamos por partir as iscas.
Temperam-se com sal, alho, vinagre de vinho e louro.
Entretanto, parte-se bastante cebola às rodelas para um pote onde já está o azeite a aquecer. Quando a cebola estiver translúcida, acrescenta-se o fígado juntamente com a "marinada" onde esteve. Tapa-se o pote e deixa-se cozer muito lentamente para ficar bem apuradinho.
Rectificar o tempero.
Servir com batata cozida (da nossa - a da serra)
Bom apetite

Receita enviada pela Augusta Mata (Rebordaínhos)

Ao repto lançado pela Augusta, nos comentários, logo apareceu a Regina Céu a deixar receita do......

Caldo de grabanços das malhas


Foto de António Fernades (malha-1981)

António,
A sopa de grabanços ou erbanços das malhas era muito simples. Provavelmente, a excelência do sabor era o facto de ser feita no pote.
Coziam-se os grabanços até ficarem quase desfeitos, engrossando o caldo. Acrescentavam-se batatas (poucas), a couve esfarrapada e massinhas ou macarrão. Havia quem cozesse uma galinha velha. Esta sopa ficava a manhã quase toda a fervilhar, um pouco afastada dos tições.
Do que me lembro era apenas isto.

Receita de Regina Céu Fernandes (Rebordaínhos)

Pelo que me disse (telefonei-lhe a perguntar, porque o caldo dela ainda hoje faz de mim cão de Pavlov), a tia Maria não lhe põe couves (que couves, Céu?), mas acrescenta-lhe arroz ou, às vezes, massinha. Diz que, muitas vezes, deixa os erbanços cozidos de véspera e que os acrescenta depois às batatas no pote, para cozerem melhor. Para lhe dar bom sabor, no caldo também coze chicha gorda que pode ser substituída por unto ou pingo. No fim de estar tudo cozido, esmaga a batata com o garfo sobre uma espumadeira. Como com a batata se esmagam alguns erbanços, o resultado é aquele creme espesso muito saboroso. Também alegre, porque dourado, a combinar com o pão que se está a malhar. (Fátima)

Próximo post desta etiqueta "repolgas à moda da minha sogra "


terça-feira, 8 de julho de 2008

Nomeadas (II)

Pasme-se: são 190! Cento e noventa nomeadas!


É claro o predomínio da letra -C- (36) e só não estão representadas as letras D, H, O, Q, U e X.
Só já falta identificar uma. Quem pergunta aos mais velhos? A tia Maria Fecisma, que me aturou longos minutos ao telefone, ajudou-me com muitas, mas não se lembrava de todas!

Há algumas muito bem apanhadas! Outras, tenho pena, nem imagino o que possam significar. No dizer do Tonho, as nomeadas muitas vezes aparecem de forma mais ou menos aleatória e por fenómenos de homonímia ou paronímia, sem qualquer significação especial. Acrescenta, ainda: É espantosa a criatividade desta gente de Rebordainhos que não deixava ninguém sem ser rebaptizado.

A grande vencedora do conhecimento das nomeadas é, sem margem para dúvidas, a Céu. Deixou-me de boca aberta. Parabéns! Ela não quis receber os louros pois, nas suas palavras, as grandes vencedoras das nomeadas são a Conceição e Delfina Fernandes. Foi a elas que pedi ajuda e também o meu irmão Orlando, sobretudo das mais novas.

Tentei organizar tudo alfabeticamente, mas tanta nomeada estava a deixar-me birolha. Ninguém se espante, por isso, se alguma vier fora de ordem. Aqui fica, então, o resultado.

Agasalho – Joaquim Pereia
Agulhas – José Carlos Silva
Alaxeco – Adriano (dos Pereiros)
Alheiras – Eduardo Pereira
Aidinhas – Alfredo Pires

Atilano – António Pires

Baçal – António Rodrigo (Ver Vira-Sacos)
Badalinho – João Silva
Bagueixe – José Fernandes
Balhinhas - Carlos Pereira (Ver Tralhós)
Batitá – José Augusto Pereira
Barbas d'Alho - Manuel Maria Pereira (Ver Galochas)

Barril – Manuel Pires (filho do sr. João Santo)
Beringuel – Luís RodrigoBexiga – Augusta Silva
Bilhó – Helena Alves (filha da tia Glória)

Bombo – José Fernandes (filho da tia Vermelha)
Bonifácio – Tarcísio Martins
Botão de Camisa – Eduardo Alves (filho da tia Glória)
Botija – Júlia Martins
Bóto – Manuel Gomes (Ver Galanduns)
Boubla – Aniceto Ferreira
Braba – Teresa Fernandes
Brotas – Hermenegildo Martins (filho do tio Grilo)


Cabo Raso – Alfredo Fernandes
Cachulas – António Pires
Çaço – Francisco António Fernandes (Ver Chasco)

........... ..Rui Fernandes

Cagalheta - João Pereira (Ver Engenheiro)
Caixeiro – Hermenegildo Pires
Caldeireira – Isabel Pires

Calhilha – Casimiro Pires
Caloura – Emília Maria Pereira
Calouros – Benedita Pereira....................
                 Emília Pereira
.................Estefânia Pereira
....................César pereira
Çapão – Sebasião MartinsCarabunhas – Alfredo Pires
Carambolas – Ernesto... marido da Sr. Dona Denérida, irmã do P.e João
Caranvas - Manuel Marins. Ver "Frade" e "Guerra"
Carriço – Evangelista Fernandes
Carroucha – Camila Pereira

.......................Conceição Fernandes (ver Sarrolha).......................
                     Delfina Fernandes (ver Grufina)
Chanças – Américo Fernandes (filho da tia Vermelha que foi para o Brasil)
Carteiras – Artur Augusto Pereira (ver Sacheco)
Caseiro – Sr. Humberto, de Arufe

Chasco - Francisco António Fernandes (Ver Çaço)

Checha - Maria dos Santos Caminha
Chedre – Carlos Pereira
Chefe – José Gomes
Chicheiro – Francisco Rocha
Chiote – Carlos neves
Chochelas – José Pereira
Cidália – Natália Pires
Conservado – António Pires (Toninho da sr.a Margarida)

Cornecho – António Pereira (filho da sr.a Benedita Caloura)
Coronel – Manuel António Fernandes

Corrécio – Emídio Pires (filho do tio Grilo)
Couceiro – Amadeu Pereira

Çuca – José Caminha
Cuco – João Fernandes
Cueca – Fernando Silva
Curopos – João Alcino


Êlhe – Fernando Carlos Martins
Engenheiro –João Pereira
Ervilhas – Hermínio Pereira

Escacha - Toninho da sr.a MargaridaEscachado – Armindo Pais
Escamado – Frederico Assunção Pires

Façana – Humberto Martins
Falta de ar – Norberto Pires
Farinhoto – Alexandre Pires (filho do tio Alípio Piqueno)
Farturas – Artur Alves
Fecisma – Maria da Graça Pereira
Ferramentas – José Carlos Veigas

Ferrinho – ?
Foguete – José Pais.................
                Armindo Pais (Ver Inimigo)
Fouce – João Manuel Pereira
Frade – Manuel Martins (Ver Guerra)
Fudicas – Ramiro Alves
Fuseiro – Aníbal Pereira


Galandum – José Gomes; (Ver Chefe )......................
                  Manuel Gomes (Ver Bóto)......................
                 Álvaro Gomes
Galeco – Jorge Pires
Galila - Tina Pires
Galochas – Manuel Maria Pereira (Ver Barbas d'Alho)
Garnacho – Sr. António (de Arufe, marido da sr.a Sância)

Garrano – José Adriano Pereira Martins (Ver Panarra)
Girinha – Alzira Machado
Gitlém – Hermenegildo Pires
Gralha – Ascensão do Senhor (esposa do Sr. José Luís)
Grande (A) - Antonieta Morais
Greludo - João Silva
Grifa – Zulmira Pereira
Grifo – António (Toninho, filho da tia Zulmira. Ver Marreta)
Grilo – Graciano Martins
Grufina – Delfina Fernandes (Ver Carroucha)
Guerra – Abílio

.................Adriano
.................Alfredo Martins (Ver Rastreja)
.................Manuel Martins (Ver Frade)
.................Sebastião Martins (Ver Çapão)

Inimigo – Armindo Pais (Ver Foguete)

Jarrete – António Júlio Pereira
Joaninha – Adília Julieta Morais

Juiz – António Silva

Labaredas – Victor Martins (Ver Macieiro)
Leirão – Carlos Martins

Leque – Mário Bernardo
Ligeira – Luís Machado
Lhé – Manuel Pais
Lobo – Alfredo Pires (Ver Aidinhas)
Lunetas – Carlos Ribom
Luzerna – Maria da Luz Gomes

Leocacha – Helena Pires (filha do tio Caixeiro)

Macieiro – Victor Martins (Ver Labaredas)
Malaguetas – Filipe Baptista
Malino – Joaquim Pereira (Ver Agasalho)
Mandinho – Amândio Pereira
Maneta – Olímpia da Natividade Afonso
Manias – José Maria Pereira (filho do tio César)
Maralha – Maria Emília Pereira (mulher do sr. Alcino)
Marão – Mário Fernandes
Marelo – Paulo Martins
Margarido – Carlos Pires
Maria Narcisa -
Maria da Graça Costa
Marquesa – Maria (mãe da sr.a Perpétua e da tia Maria do Seco)
Marreta – António Pereira (Ver Grifo)
Matrilena – Helena Martins

Milão – António Pereira
Mocho – António Honorato Fernandes (filho da tia Vermelha)
Moreno – Francisco Martins
Morraco – António Braz Pereira

Moucha – Zulmira Pereira

Nharro – Gilberto Fernandes (Ver Tição)
Nelzeira – Manuel Caminha


Pacheco – Duarte Pires
Pachica – Ana Maria Martins
Panarra – José Adriano Pereira Martins (Ver Garrano)
Pancrácia – Ana Morais
Panke – Carlos Gomes

Pássaro – Virgílio Fernandes
Pastora – Antónia Fernandes
Pataca – Maria Filomena Martins
Pateiro – Duarte Fernandes
Patinge – Amâncio Martins
Patolas – António Gomes
Patorro – Jaime do Nascimento
Pedro – Manuel dos Ramos Pereira
Pelada – sr.a Isabel
Pereirinha – Lurdes Pereira Ribom

Perrincha – Fernando Martins
Pescadinha – Basílio Pires

Picarete – João Baptista Pereira
Pilatos – Jorge Pereira
Piloto – António dos Santos Martins

Pintassirgo – António Pires (filho do tio Caixeiro)
Pincha – António Pereira (no Brasil era o “Couce de Mula”)
Pinguim – António Pires (filho do tio Alípio)
Pinote – Orlando Martins
Pintana – Guilhermino Fernandes (Ver Sortes)
Piqueno – Alípio Pires
Piruças – Orlando Fernandes

Pote – José Fernandes
Pouca-Chicha – Fernando Alves


Raposa – António Bernardo Pereira
Rastreja – Alfredo Martins (Ver Guerras)
Rata – Efigénia Pereira
Rauta – Gualter Martins
Rente (ao chão) – António Morais
Ribas – Amílcar Pires
Roca – Ana Pereira
Ruça – Amélia Pereira

.............Júlia Pereira

Sacheco – Artur Augusto Pereira (Ver Carteiras)
Santa – Etelvina Pires
Santacombinha – João de Deus Pires
Santo – João Pires
Santo Velho – António Manuel Pires
Sarrolha - Conceição Fernandes (Ver Carroucha)
Seca – Eduarda Pires
Seco – João Pires
Serrinha – Joaquim Martins (filho do tio Moreno)
Sorna – Carlos Martins
Sortes – Guilhermino Fernandes (Ver Pintana)

Sota - Angélica Costa

Taré – Perpétua Pires
Tição – Gilberto Fernandes (Ver Nharro)
Torto – Adriano Martins (Ver Guerra)
Tralhós – Carlos Pereira (Ver Balhinhas)
Trocho – António Rodrigo


Valente – João Valente
Vermelha – Maria da Conceição Pires
Vira-Sacos – António Rodrigo (Ver Baçal)


Zãeno – Eduardo Rodrigo
Zaragatas – Manuel Veigas
Zarrunga – Ascensão Fernandes (de Arufe)



Fátima Stocker

domingo, 6 de julho de 2008

Onde estão os meus sapatos?

ONDE ESTÃO OS MEUS SAPATOS?"

Este é o título de um livro que, há tempos, encontrei nas estantes da livraria Cervantes em Salamanca. A sua autora - Brenda Avadian – descreve no decorrer do mesmo “o caminho percorrido…” pelo seu pai “…através da doença de Alzheimer”.
Como ficar indiferente a um título destes, se há tão pouco tempo perdi a minha mãe, vítima de Alzheimer?


“Então mãe, os garotos já telefonaram?”
“Já. Telefonaram de… diz lá tu!”
“De Celorico?”
“Isso.”
Este foi talvez o primeiro diálogo que, se tivesse estado mais atenta, me indicaria que a minha mãe estava, também ela, a entrar no mundo do Alzheimer. Mas, tal como inúmeras pessoas, entendi aquele pequeno esquecimento como próprio de um processo de envelhecimento que eu via como normal. Mas não era…
Inicialmente, foi-lhe diagnosticada uma depressão. Quão apertado estava o meu coração ao sair com ela do hospital onde, no dia, seguinte seria submetida a uma operação à vesícula biliar…
“O que tu queres, sei eu….queres mamata” – dizia-me ela quando a tentava convencer a ficar.
“…Um doente de Alzheimer poderá não reconhecer uma infecção como algo problemático e não ir mesmo ao médico ou, então, vestir-se inadequadamente, usando roupa quente num dia de Verão.”
Os esquecimentos acentuavam-se. A cada dia que passava, algo de novo acontecia
“Mãe, a rapariga pode estar bem fresca” – dizia-me o meu filho mais velho quando, ao abrir o frigorífico, encontrou uma revista com uma menina na capa.
“Um doente de Alzheimer pode pôr as coisas num lugar desajustado: um ferro de engomar no frigorífico ou um relógio de pulso no açucareiro”
“… E tu deste-me alguns salpicões?”
Esses salpicões, havia eu de os encontrar bem guardados entre os cobertores que ia lavar para serem arrumados no verão que se aproximava. Embrulhados em dois sacos de plástico, lá estavam eles. E que tempos de procura, e dores de cabeça, por pensar que os meus irmãos pudessem acreditar que, efectivamente, eu tivesse voltado a guardar os enchidos, tal como o meu pai havia referido…
“Uma pessoa com a doença de Alzheimer esquece-se das coisas com mais frequência, mas não se lembra delas mais tarde, em especial dos acontecimentos mais recentes.”
Nesta altura já eu sabia que algum tipo de problema estava a afectar a minha mãe. E, por isso, chamei à atenção do meu pai para a necessidade do cumprimento da medicação ( a minha mãe era perita na simulação da toma dos medicamentos).
Coitado do meu pai. Que enorme responsabilidade acabava de lhe colocar em cima dos ombros! Mais uma a somar a tantas outras que já havia assumido ao longo da sua vida.
Os fins-de-semana passaram a ser dedicados ao arranjo duma casa que, imediatamente após eu ter saído, regressava à desorganização habitual. “Vale-te bem a pena, filha! Mal tu viras costas, põe logo tudo com dono!” – dizia-me o pai, ao ver-me atarefada para deixar tudo em ordem. Hoje questiono-me se não se trataria de uma defesa que ela adoptava para se lembrar das coisas.
“ Mãe, já comeu?”
“Não sei”
Desde pequena, habituei-me a ouvir minha mãe dizer à hora de almoço, que só naquela altura estava a tomar a primeira refeição do dia. Havia então necessidade de lhe lembrar que deveria comer. Para além disso, “…O doente de Alzheimer pode ser incapaz de preparar qualquer parte de uma refeição ou esquecer-se de que já comeu”.
Naquela altura, a demência já estava diagnosticada, e as leituras efectuadas já eram “mais que muitas”, mas nada me fazia compreender o porquê, apesar da minha força aparente, quando tentava explicar aos meus irmãos que, tal como eu, não compreendiam inicialmente determinados comportamentos.
Recordo o dia em que, tendo tido alta do hospital, e estando em minha casa na companhia do genro, tentou a fuga por três vezes. Começou a preocupação de que, algum dia, se esquecesse de onde estava.
“ Pai, onde está a mãe?”
“Inda agora estava aqui, não sei como desapareceu tão depressa!”
“…uma pessoa com a doença de Alzheimer pode perder-se na sua própria rua, ignorando como foi dar ali ou como voltar para casa”
Até então, a dona “da carteira” da casa era ela. Nada era comprado sem que ela soubesse. Mas também o dom da gestão da casa começava a perder-se. Quanta vezes lhe telefonei avisando que eu levaria com que fazer de comer. Mas outras tantas houve que, chegada à aldeia, tinha um outro almoço à espera…
“A senhora dá-me tanto dinheiro para pagar um selo?...” – Dizia-lhe o carteiro quando ela lhe entregava uma nota de dez contos para pagar um único selo .
“…alguém com a doença de Alzheimer pode esquecer completamente o que são os números e o que tem de ser feito com eles…”
As variações de humor eram, também, uma constante. Quantas interrogações para os amuos que, de repente, apresentava sem que alguém conseguisse encontrar explicação!
“Oh! Deixa-me… se soubesses como estou !...”
“Alguém com a doença de Alzheimer pode apresentar súbitas alterações de humor – da serenidade ao choro ou à angústia – sem que haja qualquer razão para tal facto.”
Vieram as desconfianças, os comportamentos inadequados…
“Podemos depositar o cheque, mãe”- Dizia-lhe eu, depois de lhe terem pago a colheita das castanhas desse ano.
“Não, não. Quero ver o dinheirinho aqui na minha mão.”
E lá fomos nós levantar o cheque num banco para, de seguida, atravessarmos a rua, para depositar o dinheiro noutro.


.....
“A mãe, pai?”
“Está lá dentro.”
Estava a ”lavar” a casa de banho. Banheira, bidé, azulejos… tudo estava impecavelmente limpo na sua perspectiva, mas… o detergente que usou foram... fezes.
“…um doente com Alzheimer pode mudar totalmente, tornando-se extremamente confuso, desconfiado ou calado. As alterações podem incluir também apatia, medo ou um comportamento inadequado.”
E começaram também os discursos desconexos. Palavras que se foram apagando da sua memória, e outras que adquiriam um significado que só ela entendia. “Quero morrer” dizia ela, quando tinha necessidade de defecar. “…doente de Alzheimer pode esquecer mesmo as palavras mais simples ou substituí-las por palavras desajustadas, tornando as suas frases de difícil compreensão.”
A mudez começou a acentuar-se. Só muito esporadicamente saía alguma palavra com sentido, ou bem empregue no contexto.
Mais adiante, a mãe trabalhadora, lutadora, guerreira, amiga, presente, preocupada, passava os dias sentada, balbuciando palavras incompreensíveis ou, simplesmente, emitindo aquele som “ah, ah ah…”, para, no final, não emitir som algum.
“Um doente de Alzheimer pode tornar-se muito passivo e necessitar de estímulos e incitamento para participar”
A doença de Alzheimer, sem pedir autorização, entrou na nossa vida e levou-nos a nossa mãe.
Dizem, ainda, que a pessoa com demência acaba por não reconhecer as pessoas. Até mesmo as que lhes são mais significativas acabam por se transformar em meros desconhecidos. E, a verdade, é que no final, já quase não reconhecia ninguém (?) Permitam-me a interrogação Acredito piamente que, apesar de não mencionar qualquer nome, nunca deixou de conhecer os filhos. Também acredito que tenha reconhecido a Dorinda até ao final. Essa é a minha convicção.
“Mãe, sou eu… Sou eu mãe, estou aqui”…
Beijei-a muito. Beijos a que habitualmente ela correspondia…
Mas, apesar da minha insistência, naquele dia 13 de Março, a mãe já não foi capaz de me beijar, nem de sorrir para mim. Estava linda, como sempre mas…



simplesmente partiu.


A mãe foi encontrar-se com o pai.












Nota: Todas as citações foram retiradas de – Portal da Saúde, em
http://www.portaldasaude.pt/

Após recordar algumas das receitas que aprendi com ela, senti que tinha a obrigação de fazer uma homenagem à minha mãe.
Os factos narrados podem não aparecer pela ordem cronológica em que aconteceram. Simplesmente, a partir do momento em que comecei a escrever, o fio foi-se desfiando e tentei, simplesmente, construir numa sequência mais ou menos organizada, aquilo que aqui pode ser lido.
Mas, simultaneamente também, achei que deveria fazer mais que isso. Queria dedicar este post a todos os que padecem de Alzheimer, (ou de outras demências), nomeadamente aos naturais e residentes em Rebordaínhos.
Queria, também, dedicá-lo aos seus familiares, cuidadores muitas vezes esquecidos e incompreendidos que, de forma abrupta, vêem a sua vida voltada do avesso.
Por outro lado, entendi que deveria ir mais além. Porque não aproveitar para esclarecer um pouco mais as pessoas, apresentando simultaneamente alguns sinais da doença. Se tal atitude tiver alguma utilidade, tanto melhor.
Um abraço, e muita garra para as pessoas (doentes ou familiares) que estejam a passar por tal situação.

sábado, 5 de julho de 2008

Gastronomia Transmontana -II -
"Receitas de Antanho"

Que nos perdoem os visitantes destre blog , por aqui transcrever (na íntegra) dois comentários colocados no post anterior, mas a pronta colaboração da minha cunhada, a excelência e a origem das mesmas,o facto de serem dedicadas aos irmãos e o querer partilhar convosco levaram-me a fazê-lo.

Obrigado Augusta

A lavagem das tripas na Fonsim. Era a matança do Rafael. Vêem-se (da esquerda para a direita), a Ester, a tia Zulmira e um bocadinho da bata da tia Teresa.

Também me agrada este post. Seguem as couves da matança:

Ingredientes

Couve penca (portuguesa) em quantidade considerável, pois mingam com a cozedura. A couve mais branquinha é melhor
- ovos
- uma colher ou duas de farinha
- 3 ou 4 dentes de alho
- azeite (transmontano)
- sal qb
- vinagre de vinho qb

Amanham-se as couves, folha por folha, tendo o cuidado de descascar o talo na sua parte mais dura (mais convexa). Cortam-se em pedaços não muito pequenos e lavam-se muito bem.
Cobre-se o fundo dum pote com o azeite onde se colocam os dentes de alho e deixam-se alourar. Depois retiram-se e introduzem-se as couves. Tapa-se o pote e deixam-se cozer na água que as mesmas vão libertando. O lume deve ser brando. Ir mexendo, ou virando o pote, para não pegarem. Temperar com o sal a gosto.
Depois de muito bem cozidas (praticamente desfeitas) adicionam-se-lhe os ovos previamente mexidos e aos quais se adicionou o vinagre.
Mexer aquando da adição.
O resultado é uma espécie de esparregado de couve. Adicionar uma ou duas colheres de farinha para as tornar mais cremosas.
Rectificar o tempero e servir bem quentinhas com um assado de carne, e BOM APETITE.

Nota: quem não tiver pote, pode sempre cozinhá-las numa panela, mas fica-se a perder aquele sabor da comidinha no pote... (porque cozinhada lentamente? Ou porque o pote é de ferro? Provavelmente pelas duas razões).

Couve de penca oferecida pela Carma

Beijos e, no Inverno está prometido um jantar com couves da matança.
Augusta

E, porque não podemos ficar sem sobremesa, aqui vai uma muito especial que ofereço a todos os meus irmãos, porque sei que não a têm:

PUDIM DE FEIJÃO DA MINHA MÃE

500gr de açúcar
1 tigela de feijão branco descascado e passado pelo passador (a feijoca é melhor, porque mais rápida de descascar)
12 ovos (dos quais 9 gemas e três inteiros)
1 cálice de vinho do Porto
1 colher de manteiga

Põe-se o açúcar ao lume até adquirir ponto de fio.
Mistura-se o feijão no açúcar. Depois misturam-se os ovo e gemas batidos. Depois de tudo misturado, junta-se uma colher de manteiga e um cálice de vinho do Porto.
Deita-se numa forma caramelizada e coze em banho Maria

Deliciem-se com esta soberba sobremesa da minha mãe.
Beijos



Recolha da Augusta, junto da sua mãe, Teresa do Nascimento Martins (Rebordaínhos)